O rosto que envelhece amadurece
Faz nascer às marcas da vida e as rugas amigas
Ando cansada, perdida na bagunça que vivo,
Estou presente da falta que fiz nascer
Soluço o vazio do nada
Sangro a ferida que abri
Rasgo o medo aflito que me persegue
Durmo sem o sono do cansaço (durmo pra fugir)
Rolo nos lençóis de seda, que antes perfumados, ganhei de ti
Olho o espelho quebrado que reflete o borrão do lápis, a cara amassada,
a raiva calada...
Relembro as noites pulsadas ao meu lilás
Toco a sobra do tudo
Cuspo o tudo do nada
Perdi o timbre da minha voz
Apaguei minha sombra
Congelei minha face
Ri da verdade (aquela que inventei)
Tatuei a mentira
Gozei o pecado
Condenei minha ira
Preenchi o meu silêncio
Interrompi a farsa do meu viver
Berrei os solos de guitarra
Gritei as gargalhadas
Despi o corpo nu
Bebi as madrugadas
Embriaguei minha poesia...
Pendurei minhas asas pelo cansaço de voar (.)