30 abril 2012

Esta noite

Se entendes o seu amor
Ajude-me a entender
Por ti eu dei tudo
Arrisquei sem pensar
Hesitei.
Parei pra pensar
Percebi que os ventos são constantes quando estou com você
A ventania uniu o que eu um dia chamei de nós.
Olhei-me a mim, e vi em mim seus olhos
Seu devorar dominou meu corpo
 Entendi sua pretensão em me querer
A vulgaridade da sua voz consumia o meu redor
Desejei ser mais do que você queria
Aumentei o meu ao redor no todo que eu pude construir
Mas você destruiu minha arquitetura
Afogou meus sonhos no seu mar
Sua grandeza te predominou
Fez de mim um diminutivo do que você era
A minha imperfeição você quis moldar
Quis esculpir a perfeita delicadeza
 Não percebeu minha brutalidade
 A mulher noturna que se alimenta de escuridão
Escapei de você
 E ao mesmo tempo de mim.
Olhei-me com os olhos teus e vi você dentro de mim
Acabou com tua vida e mesmo assim
Decidiu levar a minha.
E há um tempo eu esperei
 E há um tempo que eu vinha esperando
 Você entender/a mim
 Olha-me de novo
E mais atento. (.)

29 abril 2012

E por falar em batom cor de rosa...


Ainda menina, talvez eu seja apenas uma menina...
Não por medo de crescer.
A mulher que existe ainda usa as sapatilhas de ballet,
Deixa de lado o salto agulha e deseja só dançar.
Troca o vestido preto pela saia rodada e deseja sonhar.
A mulher-menina, a menina-mulher... Eu!
Apenas eu,
E um frio na barriga pela chegada da primavera.


(.)

28 abril 2012

Desconhecida


Tranquei a porta e fui conhecer o desconhecido
A minha realidade conhecida eu deixei para trás.
Mudei.
Transformei o que eu fui no que sou presente
Calei as palavras mal ditas
Silenciei o medo que acovardava.
Fui.
Bati a porta.
Joguei a chave fora num poço sem fim
Corri longe
Cheguei ao mais longe que pude ir.
Distanciei a aproximação de mim
Esqueci do meu nome.
Tomei outro rumo ao virar à esquerda
A direita que me pertencia eu apaguei.
Soltei as lágrimas, as tantas que guardei
Por fim, a porta estava trancada
Eu mesma a tranquei
Eu volto a minha realidade ao olhar no buraco da fechadura.

(.)




23 abril 2012

Quebra-Cabeça


Dias corridos
Horas bem aproveitadas
Ousei.
Encaixei mais uma arte em minha vida
Além da poesia, pintura, teatro e cenografia
A dança ganhou destaque.
Completei mais uma parte do que me faltava.
Ainda possuo espaços vazios, mas a graça é encaixar.
Às vezes dá errado, mas quando acerto algo se transforma.
Eu me transformo, e é assim a cada dia.
O meu quebra cabeça aos pouquinhos vai ganhando novas peças,
E confesso não ter pressa de concluir, de me concluir.
Devagar e a cada dia eu acrescento uma nova peça/em mim.

(.)

08 abril 2012

Espera


Fluir. Deixar fluir. Ir devagar. Em passos cautelosos eu deixo a sede para trás. Imaginação. Imaginar a cena mais bonita. Morro de desejar. Esbarrar. Cuidado. A bolsa no chão. Pertences jogados. Você. Eu. Abaixados. Olhar. Meu. Seu. Conhecer. Possível? Rezo ao papai do céu.

(.)

03 abril 2012

Romeu no meu closet


Acordei mais tarde, permiti ao meu corpo um maior descanso
Espreguicei num bocejo que hoje durou mais do que de costume
Fiquei deitada por estar.
Apreciei a manhã jogada à minha cama
Enrolada aos lençóis
Abraçada pelos travesseiros
Que preguiça!
Sentei a mesa. Tomei café da manhã que por dias havia esquecido
Torrei o pão e passei requeijão
Comi salada de frutas, e,
Que delícia ver chocolates pela manhã.   
Deitei novamente, mas agora no sofá
Liguei a TV e advinha: Romeu + Julieta.
“O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem.”
Que frase doce, ainda pela manhã.
Entrei no closet, revirei minhas roupas
Que preguiça de escolher
Que preguiça de arrumar.
Deitei ali. Entre o que visto e o que sou.
Confundi.
Hoje estou confusa.
Que preguiça de levantar.
Olhei a cama ainda desarrumada e,
Os livros jogados que ainda não li
Preferi fechar as portas do meu closet e adiantar a noite.
Dormi.
Sonhei com você que ainda não conheço, mas sei que está por perto
Hoje desejei logo o meu Romeu, mesmo não querendo ser a  Julieta.

(.)