17 abril 2013
Bailar
Quanta calma de ser...
Prosa, canto e verso
Entre tanto amor
Entretanto a dúvida
O que causou
A causa de gerar tanta dor
Ferida leve de sentir
Bolhas de flutuar...
E a bailarina foi descansar seus pés
Pendurando suas sapatilhas.
(.)
16 abril 2013
Chamas violetas voltaram a me abraçar...
Daqueles dias de que ficar um pouco mais em casa é cuidar, conhecer e preencher os espaços vazios que estavam precisando de complementos...
A fome foi resolvida, como estava comendo mal, pelas ruas desse tão grande Rio. Tinha dia que a pressa não dava brecha pra almoçar, era sanduba numa mão, e as tralhas na outra.
Que corre e corre, de cá, pra lá, pra chegar, tentar chegar... Mais perto dessa arte que tanto me alimenta.
As olheiras foram acalmadas com preguiçosas noites de sono... E quanto sono eu precisava repor...
E a semana foi passando...
O corpo foi sendo alimentado, cuidado e muito mimado.
Recuperei mais da minha poesia, voltei a escrever... Que falta de escrever...
Sentir a poesia tatuada na pele provoca dor quando dela me ausento. Mas, já foi resolvido. Estamos em paz, de volta e com mais sintonia...
Como retomar um grande amor, que nunca foi esquecido, que só foi pausando em alguns instantes...
Esses instantes constantes...
Retomei mais de mim, insisti em ser só a minha companhia, por alguns dias...
Como faz falta, como é bom olhar mais pra si e entender os novos movimentos em forma de amadurecimentos...
Como é bom acordar na nossa cama, e olhar o nosso canto, sem pressa e com calma...
Levantar e saudar o sol, tomar café da manhã ouvindo as músicas que estavam esquecidas...
Como faz bem... Como faz falta...
Retornei aos livros de cabeceira, estava perdida entre três que resolvi ler ao mesmo tempo, ufa...
Como cada palavra serviu para entender que estou no caminho certo do encontro de mim.
Ah... os livros, grandes amigos do conhecimento...
Rilke, estou completamente apaixonada por você... Como foi bom melodiar em suas palavras... Ler seus contos e cartas!
Ah... Que leveza!
Chamas violetas voltaram a me abraçar.
(.)
13 abril 2013
-se...
Musique-se
Encanta-se
Drummonde-se
Buarque-se
Caetane-se
Rainer-se
Oásis-se
E que o mundo...
Poeme-se.
(.)
Falta-tanto-tudo
Sobe as escadas, para em frente a porta da entrada da cozinha. Pega as chaves que já estavam em suas mãos. Coloca a chave na fechadura, mas não consegue abrir a porta. A mão aperta e impede a chave de destrancar, a porta embarreira, a fechadura emperra. Ouve vozes, movimentação e barulho de panelas. Alguém chegou, alguém já estava lá...
Preguiça de entrar, olhar e conversar.
Preferiu adiar a sua chegada se escondendo no corredor, do outro lado da fechadura, com a chave na mão, mesmo sabendo que ali era a sua casa...
Como sentir sua presença sem força e forma, e procurar movimento no corpo cansado que deseja estar só, jogado à cama, abraçado aos lençóis.
Onde se procura abrigo, quando todas as esquinas já estão ocupadas, preenchidas de gente, sentadas a mesa com o seus respectivos pares.
Como é sentir-se sozinha, mesmo cercada de gente, que fala, grita e berra aos seus ouvidos, e ainda assim, nada ouvir.
Será que as pessoas tem a capacidade de pausarem a sua presença, e mesmo assim, manterem a sua existência? Que falta, de mim, de você, de tudo- tanto- e - porquês...
Que falta de encarar a vida sem medo de levar um copo de cerveja na cara, e eu que nunca fui fã de cerveja, admiro quem gosta dela.
Que tortura escrever sobre a ausência de tudo que eu sei que falta, aqui-agora-comigo.
Que loucura se perder de si mesmo, e insistir em existir o que nem sei que sobrou... Migalhas servem para serem recolhidas, ou deixadas esquecidas em cima da mesa.
E na mesa sobrou um pouco da parte que nem sei de mim, uma xícara de chá e um
novo floral que decidi me entupir...
E essa solidão profunda em estar-só procurando consolo.
(.)
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