30 abril 2011

Ela e Ele

Eles se olham ao atravessar a rua
Um oi de canto de boca e nada mais
Ela continua seu caminho
E ele também...

Ela desejava reencontrar a memória daquilo que viveu
Queria ver, rever o rosto que seus olhos acostumaram ter.
Mas uma sombra atravessou o seu olhar
E ao olhar, Ele, já não o enxergava mais...
O que ela conheceu já não pertencia o que hoje ele era
Ela já não podia resgatar as migalhas, pois elas estavam espalhadas...
O ventou resolveu varrer as ruas e esconder o que restava
O resto não importava, mas o resto do que ele era, ela queria.
Hoje Ela já não o conhecia mais...

Ele mudou de caminho e mesmo assim cruzou sua rua
E ao atravessar eles se olharam
Um oi de canto de boca e nada mais...
Ela continuou seu caminho
E ele também.

(.)

22 abril 2011

Ela, Clarice, falou pra mim...

Uma praça vazia
Uma moça, menina ou mulher, eu, sentada ali...
Sentada no banco de uma praça
Sem pressa de nada
Correndo de tudo
Um novo livro em mãos
Ela, Clarice, falou pra mim:
“... Sentada ali num banco, a gente não faz nada: fica apenas sentada deixando  o mundo ser...”.
E assim continuei sentada no banco de uma praça
Apenas deixando meu mundo ser...

(.)

15 abril 2011

Janela de um ônibus

O vento bate na minha cara
Pela janela de um ônibus que segue pelo aterro...
Vejo dois senhores, jovens... Não sei
Ela doce, encosta a cabeça no ombro de seu marido, namorado, amante... Já não sei
Ele olha fixamente dentro dos olhos dela e começa a acaricia-la...
Minha atenção que antes era a paisagem do aterro do flamengo
Perdeu-se entre esses dois jovens senhores que não cansei de admirar...
É estranho talvez, um dia pensar que estarei como eles, aqueles jovens, que já não são mais...
O tempo carregou suas juventudes e trouxe o amadurecimento nas caras, enrugadas, envelhecidas...
Mas que o espírito da juventude continua presente, como dois namorados que acabam de se conhecer;
E vivem os melhores momentos de suas vidas, sentados bem ali, na janela de um ônibus
Sentindo a brisa leve carregada pelos pneus que passam em velocidade, apressados, não deixando os passageiros aproveitarem uma bela paisagem, em um lindo dia de sol.

(.)