26 outubro 2011

O mendigo escritor

 

Dono das ruas e vestindo trapos gastos o mendigo caminha, a caminhar...

Aproveita os numerosos papéis que são jogados em sua casa e escreve suas lindas histórias, em tons de fantasias, pela falta de sua própria vida. 

Sozinho nas manhãs e madrugadas ele fica a observar...



O café que começa o dia

O pão fresco da padaria.

Vê o todo, o dia dos outros e então se preenche.

Escravo do aprisionamento da sua própria solidão ele caminha, a caminhar...

Intimida aqueles que fazem parte de suas tantas histórias rabiscadas em velhos papéis...

Espera um bom dia, que nunca sai de nenhuma boca, pois todas estão ocupadas demais.

Espera um olhar, mas todos os olhos estão preocupados com o si, que não cabe mais ninguém.

Abraço? Esse sim ele sabe que é loucura. Que louco seria capaz de abraçar um mendigo que vive pelas ruas tomadas pelo suor de cada dia?


O que ele queria era um momento como um sujeito, sentir ser amado, ou pelo menos uma lamentação de alguém capaz de enxergar a falta que ele é, e o todo que ele pode ser.

Ele continua suas histórias imaginárias na esperança de um dia poder deixar de ser apenas um objeto das ruas cruas, e entender, fazer entender, fazer conhecer essa falta de algo que ele ainda sente.

O mendigo caminha, a caminhar.


(.)

21 outubro 2011

Hoje estou assim

De hoje em diante serei o que sou no instante agora.
Quem dera... Quem me dera ser assim...

Tem dias que involuntariamente estamos felizes
Nada de especial, porém um dia especial.
Hoje estive assim... Ainda estou... Eu assim...

Acordar com uma sensação de que o dia está pronto a te abraçar
Permite uma calmaria, uma confiança misturada com uma incerteza
Que a pureza encontra a proeza a caminhar...

Simples sentimentos, às vezes, chegam perto do ouvido e sopram esperança de dias melhores
E assim continuo incerta, mas com a certeza que além de hoje outros dias (felizes.) virão.

(.)