30 outubro 2012

Encontro

Estava de pé, sozinha no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentido uma dor pela falta de você. Caminhava com os pés de bailarina recente, queria impressionar, te impressionar... Não sabia, de fato, quando iria te encontrar, mas já andava pelas ruas atenta, ensaiava sorrisos e olhares. Talvez, no dia, nada daquilo programado realmente acontecesse, mas precaver era a sua segurança. Em pensamento já tinha escolhido a música que iria tocar, o vestido azul que pensava em usar. Difícil é saber como marcar o tão esperado encontro em sua agenda. Até que, vinda da profundeza de seu ser, num dia qualquer, um pouco nublado, com um vento constante, o vestido azul no armário sedia lugar à calça jeans desbotada, pela mudança de tempo. Ela avistou, e como quem tivesse engolido as próprias palavras, engasgou de sufocar, surpresa por ainda ser cedo, afinal, ela queria preparar, se preparar melhor, mas era o dia. Não tinha como escapar e perder... Se mudasse a direção, talvez, não pudesse voltar atrás. Encarar, mesmo sem o vestido azul da sorte, com a calça jeans de guerra, era o grande dia. O encontro, finalmente aconteceu. Os olhares se cruzaram imediatamente, encheram- se de susto e alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e vê que por adimiração a boca fica entreaberta. Assim, em um dia qualquer, sua distração cedeu lugar para Ele acabar de vez com a sua ansiedade. 

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29 outubro 2012

À dois

Sinta-se à vontade pra bangunçar essa calmaria
Entre pela porta de frente e, se quiser traga suas malas
Eu fiz chá e comprei sorvete
O brownie que você tanto gostou está te esperando na geladeira
Apague o cigarro, ou melhor, jogue fora
Você não combina com essa fumaça que te envolve
Não ria da minha rotina estampada pela casa
É que eu tenho mania de escrever
Acostume-se com os tantos recados em folhas coloridas
Minha alimentação eu colei na porta da geladeira, não se preocupe,
Você não precisa beber os milhares de sucos que faço durante a semana
Permita-se ser o que de fato você é,
E por favor não reclame da minha ausência
Eu volto, e enquanto isso mexa nas minhas coisas
Deite e durma na minha cama
Espalhe você por toda a casa
É que quando eu chegar quero sentir sua presença por inteiro.

(.)❤❤💜😍

26 outubro 2012

Cacos

Como pode uma porta inteira de vidro vir abaixo, desejar o chão e se desfazer, simplesmente... Sobrou à mim varrer os pedaços de cacos pontudos. Sentei, calmamente, na sala de estar, e começei a catar tentando não sentir raiva. Se não bastasse o sofrimento do chão, que sentia dor pela queda bruta, meus dedos começaram a sangrar. Pingos de sangue entre cacos, reflexos vazios e despedaçados. Desarmonia no aconchego da sala colorida. Desordem e escuridão. Vazio de silêncio sem voz. Corpo nu embriagado de tantas feridas, cansa e espera, deita sobre as sobras do que um dia foi... uma porta. Se acomoda e deixa os pedaços de vidros riscarem e entrarem fazendo doer. Eu tento não sentir, mas, às vezes, o sofrimento é a própria escolha... Então, não adianta reclamar.

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24 outubro 2012

Deixando o mundo ser

Desenhar no mapa o destino da próxima viagem
Arrumar a mala tantas vezes ao longo do ano
Conhecer, aventurar-se...
Explorar os mínimos detalhes da história
Sentir o vento bater guiando novas direções
Abraçar o mundo.
Viver de culturas misturadas a miscigenação
Pintar a cara
Tirar a roupa
Saborear línguas
Deixar o coração bater no mundo, simplesmente.

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Mensagem anônima

Recebi uma carta/email anônimo. Achei até que fosse alguma brincadeira de algum amigo (a) , mas quando começei a ler vi que era coisa séria. Um texto incrivelmente bem escrito, palavras muito bem colocadas. Senti fazer parte daquele sentimento um pouco platônico. Mergulhei fundo e confesso que me achei entre algumas vírgulas, quem é você? Conhece tanto o que me imagina ser pelo o que lê nesse humilde blog. Conheço você de alguma forma? Você faz parte do ir e vir dos meus dias? Ultimamente não tenho reparado em quem me olha, tenho andado muito perdida ocupando o canto da calçada. A voz que escuto é da música que berra nos meus ouvidos... Um rock clássico. Voltei a escutar a minha banda favorita, não sei se você conhece. Desculpe falar com tanta intimidade, mas gostei de ler você... E eu aprecio de verdade homens que escrevem. Se eles têm tanto cuidado com as palavras, imagine o carinho que teriam comigo... Mas voltando à você,  peço que da próxima vez se identifique, porque,  enquanto as mensagens forem anônima eu me dou o direito de achar que é quem eu quero que seja. E, talvez, você ainda nem tenha passado pela minha cabeça. Seja mais direto, que eu gostei da sua escrita ... E esse é um bom começo.

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23 outubro 2012

Suspiro você


E então você chega de mansinho e deixa mais uma dentre tantas as pétalas que você já deixou pela manhã... Você diz que uma flor completa não tem graça se for dada pra morrer, eu rio das suas teorias concordando com tudo que sai da sua boca só por ser você. Guardo mais uma pétala dentro do vidro que fica na cabeceira. Quando olho pra ele me lembro de você e de cada momento em que ganhei cada pétala que dorme dentro dele. Como está cheio, fico tentando imaginar quantas flores eu conseguiria construir juntando cada singela pétala. São tantas que você já me deu... E todas continuam ali. Misturadas com as antigas e as novas que acabaram de chegar. O presente mais criativo que você já pensou, concordo com você. Lembra da primeira que você me deu? No nosso primeiro encontro ela apareceu entre nós e você já tomou para si. Depois ela surgiu dentro do vidro como presente de segundo encontro. E aos poucos... Todos os dias... Eu ganho mais uma.  O vidro foi ganhando cor conforme fomos construindo nossa história. Tenho tanto orgulho do nosso amor. Tenho tanto orgulho de você... Suspiro sua chegada, trazendo em suas mãos mais uma pétala e um poema... Porque homens que escrevem bem têm um charme diferente.

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21 outubro 2012

Esperança concreta e verde

Descabelada. Durante todo o dia de hoje estive assim... Cabelo preso pra aliviar o suor da nuca. Banho no cachorro = Casa toda molhada! Diversão e um pouco de preguiça de secar a bagunça e escovar o pelo branco da minha Penélope. Domingo é um bom dia de não fazer nada. Ficar literalmente jogada ao sofá, com um saco de pipocas em cima da barriga. Mas, ultimamente, não tenho conseguido ficar assim... Ansiedade e e uma dose de agitação. Faço mil coisas ao mesmo tempo, tento dar conta de cada detalhe, e arrumar meu perfeccionismo. Tem dia que cansa essa vontade louca de querer tudo no seu devido lugar. Tô precisando me descabelar mais. E hoje enquanto tentava arrumar daqui e, melhorar  de lá, recebi uma boa visita. Esperança, aquele inseto verde um pouco esquisito. Ela chegou de repente e pousou logo sobre mim. Estendi o dedo e sua leveza  caminhou sobre minha mão contornando cada linha. Acalmei e parei de fazer tudo que me rodeava. Minha atenção se voltou exclusivamente para o inseto verde, de pernas altas. Doce esperança a sua chegada. Encabulei com tanta delicadeza.

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19 outubro 2012

Adiantar

Ultimamente tenho sido muito breve, principalmente com as palavras,
Tenho tido preguiça de ficar em casa, e, principalmente de pensar
A rua, as pessoas, o trânsito, o barulho, o caos e a bebida preenchem meu dia
E me fazem ficar longe do meu refúgio íntimo onde se abriga... Em casa.
Tô afim de adiantar tudo que me convém, cansei das fantasias que permanecem anos em pensamentos.
Tô remechendo o que não conheço, e descobrindo minha identidade... Atual.
Apressar é a palavra do momento...
E enquanto eu corro apressando a minha vida, com pressa...
Se adianta e apresse a tua chegada,
 que eu tô com pressa de você.

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16 outubro 2012

Fluir

Quando as palavras insistem em calar e bloquear a inspiração significa que está na hora de sossegar a mente. Silenciar os ruídos do mundo, desligar e distanciar o stress. Descansar de diálogos e de informações. Apagar a luz e andar descalça, de pijama sobre a pele morna. O cabelo revolto bebendo vinho numa taça muito maior que a mão. Desvestir o corpo e a a alma... Libertar. Essa ansiedade ainda me mata.

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12 outubro 2012

Outrarte

Acordei ontem admirando o dia nascer, fazia tempo que não trocava o sono por uma noite de arte. Passei a noite sentada e desenhando, misturando cor e gastando grafite. Sensação boa de ver o dia nascer, acompanhar o crepúsculo do céu e sua metamorfose de cores. Tomar café da manhã  às 6 horas definitivamente não fazia parte da minha rotina, pelo menos não mais. Virei noturna quando a arte entrou de vez em mim. E olha que eu sempre fui de acordar cedo e dormir também, sempre me senti bem e mais disposta. E foi exatamente o que senti ontem, mesmo não acordando de fato cedo. Tô afim de voltar e resgatar um pouco de mim no passado, fazer uma mistura do que sou, com o que fui e o que ainda serei. Complicado entender que somos tão diferentes de nós mesmos em cada fase da vida. A essência, é claro, não se perde. Mas como mudamos pensamentos, atitudes, pontos de vistas. Esse é o grande lema, amadurecer... Eu ainda sou juventude adulta, mas ainda sinto a menina falar alto, e não canso de pedir conselhos à ela. Afinal, criança é sincera e pura. E, infelizmente, essa vida caótica nos faz perder um pouco da pureza da infância. Difícil é não deixar as impurezas do mundo ganharem forma dentro da gente. Por isso mantenho minha menina por perto. E voltando ao meu dia, nunca me senti tão bem e realizada, é  tão bom quando o próprio dia já começa sorrindo de dentro pra fora e melhor ainda é quando ele nos atinge, envolve e estica a nossa boca com a intenção de arregalar  os nossos dentes. Agora vou dormir pra compensar a noite com um bom dia de sono. O último a sair, apaga a luz.

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10 outubro 2012

Na estrada

Anda sem rumo, nos trilhos do caminho do trem
Anda pra correr cansada
Disfarça e,
Corre tentando andar mais rápido.
As botas gastas levantam a poeira por onde passa
Deixa rastros de pegadas firmes
Cicatriza o asfalto com sua poesia tatuada.
Corre pra andar descansada
Admira na calma os riscos azuis do céu
Corre tranquila sorrindo com a alma
Anda depressa com pressa de correr
Acalma os pés tocando a estrada
Deita na rua de chão de pedra e,
Espera a noite passar
Pra amanhã continuar sua caminhada...

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07 outubro 2012

No metrô

Volta pra casa. Domingo. Noite. Depois da peça. Metrô espera, ela corre. Observa tantos olhares perdidos, fugidos. Ninguém se vê, ninguém se olha. Olhar no olho intimida, desviar o olhar é a melhor fuga. Ela olha, não tem medo da rejeição, e tão pouco da intimidação. Joga com o outro, e mesmo quando esse outro não retribui, escolhe outro dentre vários. Gosta de observar, tem olhar atento, entende? Muitos não. Muitos a ignoram e se desconcertam na tentativa de fugir, mergulham dentro de si e a esquecem ali. Ela procura a quem mais esteja disponível, longe dos celulares conectados à internet e longe das músicas gritadas ao ouvido. Ninguém. Todos estão ocupados demais se entretendo com alguma tecnologia. Ela prefere os livros. Ainda não se acostumou com essa gama de informações. Quer estar em um só lugar por completo. Não se dividindo entre o virtual e o real.    Próxima estação: sua casa.

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04 outubro 2012

Taurina leoa pisciana

Noite propícia para o encontro delas. Mulheres noturnas que se alimentam da madrugada. Amigas irmãs fieis companheiras. Três. Distintas e semelhantes. Elas e a lua iluminando a rua deserta que viviam. Se escondiam na tentativa de gritar e ninguém ouvir. Passado presente futuro. Elas atropelavam na ânsia de viver, eram jovens. Mais pra jovens adultas... Passaram da casa dos 20. A cada ano se distanciam mais da juventude recente, e aproximam a vida adulta presente. São felizes em suas gargalhadas escandalosas e mais contidas. Basta o sorriso de uma para as outras arregalarem os dentes. São meninas nos sonhos e mulheres nas conquistas. Uma foi pro lado da química, a outra pra psicologia e eu na minha arte. Ambas buscando o que de melhor podem construir, sempre juntas, muitas vezes só em sintonia. Mas basta, é só querer e pensar. E pensamento é coisa forte. Vejo um futuro com todas as formas possíveis, sempre juntas... Aqui, ali ou lá. Sou de vocês e vocês são minhas. O tempo amadureceu e a vida concretizou. Tava escrito, nosso encontro foi programado e planejado. E nas noites de lua cheia elas saem, a taurina, a leoa e a pisciana... Para alimentar a saudade e saciar a solidão. 

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03 outubro 2012

Sinto

Sinto falta quando você não escreve
Sinto falta de chegar e não te encontrar perdido na sala, atirado no sofá, coberto por seus livros
Sinto falta de não ler um verso seu antes de dormir
Sinto falta de te esperar todas as noites acordadas
Sinto falta de não dormir
Sinto falta de não ter sono
Sinto falta quando não sentia falta sua
Sinto falta da sua voz grave
Sinto falta de te olhar e de contornar suas tatuagens
Sinto falta da sua solidão enquanto escrevia
Sinto falta de ser sua inspiração diária
Sinto falta pelo simples fato de sentir saudades
Sinto falta. Sinto muito...  Meu poeta.

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Simbiose

Mãos sujas de tintas que escorrem pela roupa, atinge os cabelos  e se desenha no corpo de pele pálida e clara. O papel ganha cor, a artista ganha vida. E ambos deslizam,suavemente,  na poesia calada, que grita quando se sente. Mistura proza, tom e arte, acompanhada de uma xícara de café. As noites mal dormidas são preenchidas pelo silêncio quebrado ao riscar do lápis. O pincel acalma o papel ferido pelo grafite, a tinta cura e seca. Simbiose perfeita...

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