Como pode uma porta inteira de vidro vir abaixo, desejar o chão e se desfazer, simplesmente... Sobrou à mim varrer os pedaços de cacos pontudos. Sentei, calmamente, na sala de estar, e começei a catar tentando não sentir raiva. Se não bastasse o sofrimento do chão, que sentia dor pela queda bruta, meus dedos começaram a sangrar. Pingos de sangue entre cacos, reflexos vazios e despedaçados. Desarmonia no aconchego da sala colorida. Desordem e escuridão. Vazio de silêncio sem voz. Corpo nu embriagado de tantas feridas, cansa e espera, deita sobre as sobras do que um dia foi... uma porta. Se acomoda e deixa os pedaços de vidros riscarem e entrarem fazendo doer. Eu tento não sentir, mas, às vezes, o sofrimento é a própria escolha... Então, não adianta reclamar.
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