21 setembro 2013

Fim de Jogo

O telefone tocou e era você, por simplesmente ser sua voz tão presente, firme e charmosa. Um leve sotaque de quem traz na bagagem heranças de um interior. Espiava sua presença distante, meu olhar seguia seus passos tatuados e o tempo que só pertencia à você. Estive ausente de te procurar em tantos outros esbarros perdidos em bares e esquinas. Bebi goles pra engolir as palavras desesperadas que arranhavam a garganta. Percebi que palavras cuspidas já não me interessavam mais. Queria uma dose de poesia em cada espaço que me permiti acolher/ conhecer. E você tão distante dos tantos presentes, já passados e futuros. Iludi minhas fantasias imaginárias oferecendo-as um chá. Dei as cartas na mesa e bati sem querer fazer muito jogo, apenas uma canastra limpa.

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09 setembro 2013

Retalhos


Exatamente 02:13 da manhã na espera do cabelo secar pra me afundar no travesseiro.

Meses sem escrever revelam a agitação corpo/mente em constante movimento sem pausas. Noites mal dormidas e fome daquele pão dormido escondido na geladeira.

Atravessa na pressa o caminho que é curto do ir e vir de todos os dias. A soma dos percursos totaliza horas de estradas e caminhadas no asfalto quente. E, que calor faz nesse Rio...

E no meio de tantos caminhos alguém coloca uma pedra e te faz acreditar que esse obstáculo foi o responsável pela sua trombada... Mas o quem ninguém sabe é que seus próprios pés tropeçaram sozinhos.

E quem vai tirar da cabeça que no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma perda no meio do caminho...

A pedra sempre esteve, e sempre estará lá. Os obstáculos dificilmente não vão aparecer. E por mais que o mundo decida virar contra, minha arte sempre estará a favor.

Estou numa constante descoberta e com pouco tempo pra perder tempo sentindo medo. Palavras cuspidas não me interessam mais...

Procuro um desabafo que sossega em tom de poesia.

E hoje quando eu voltava para casa, na espera do ônibus,uma senhora se aproximou...

Hoje em dia a proximidade ganhou distancia e dois olhos arregalados que fazem o favor de não piscar, só pra não perder o monitoramento do seu próprio  quadrado. Mas a quem precise de um par de óculos pra enxergar mais atento, e perceber que há tanto para ser visto... Tão pequenos detalhes... E olhar pro outro é olhar um pouco mais atento pra si.

Essa senhora chegou perto e pediu uma informação, quando percebi já estava tomando o mesmo ônibus que ela, e sentando ao seu lado. Geralmente costumo dormir nessa volta, mas hoje não me importei em ceder e trocar palavras, por ,simplesmente conversar, com alguém que nem conheço e que tinha problemas de audição. Tive que procurar falar lentamente e um pouco mais alto. Ela estava com apenas um aparelho num dos ouvidos. Ouvi suas histórias e ela procurou querer saber das minhas. Quando eu disse que fazia faculdade de Artes Cênicas, ela ficou toda boba e me desejou muita sorte. Pude ver no seu olhar a magia que o teatro tem, as pessoas gostam da energia que uma peça possibilidade, e da troca do olho no olho do agora. O teatro é uma arte de troca imediata, como é bom ver a ação e a reação dialogando com o todo o movimento dessa arte. Como é bom saber que mesmo alguém que infelizmente perdeu a audição, ainda assim procura e quer estar consumindo a arte da vida. O ouvir é tão pouco quando se tem olhar pra ver, e vice versa. Tato pra sentir e o coração pra pulsar... Não há nada que se perca quando a vontade ultrapassa as limitações impostas. É enfrentar e somar esperanças pra viver sorrisos de felicidade...

E na perda há sempre uma nova descoberta de adaptação.

Quando chegou no meu ponto de descida ela agradeceu a conversa e me convidou para visitá-la para um chá. Uma fofa!
Quando as pessoas vão permitir deixar o medo gritar silencioso e convidar mais desconhecidos para uma conversa?

Encontro e desabafo multiplicado em certezas. Ar- te viva sempre em mim.



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