27 agosto 2012

Bossa minha


Depois de um banho a saudade do que foi deixado para trás. Vontade de guardar a água que escorria e lavava o suor do dia. Bons tempos de menina descobrindo a vida. Sem medo de nada, com a vida toda planejada. Menina sonha. E os sonhos muitas vezes mofam na memória. Aonde será que me perdi deles? Essa vida tão agitada não abre espaço para sonhar. Falo de sonhar acordada. Tem coisa melhor? Sonhar com o que temos vontade, distante ou não, sonhar por sonhar. Custa nada.Eu sonho. Talvez eu sonhe em ser aquilo que escrevo. Aquilo que sai de mim e se desenha no papel. Mas certeza eu tenho que escrever é terapia. Ler aquilo que se escreve é o melhor remédio. Eu já encontrei a melhor forma de fazer análise. Tô numa bossa tão minha. Quero saber de ninguém do meu lado. Ultimamente tenho me completado bastante. E quando a falta e a carência batem na porta, elas trazem chocolate. Posso até estar sendo egoísta. Mas egoísmo por mim mesma não faz mal. Tô só feliz comigo. Fase boa para produzir, focar, planejar e fazer acontecer. E aqueles sonhos de menina ainda não deixei para trás. Tirei só o mofo e dei uma olhadinha pra não esquecer. Agora vivo outros, mais consistentes, fantasiar não tem problema, mas viver na fantasia é preocupante. E quando eu era menina eu vivia numa fantasia só minha. Criei um mundinho especialmente meu. Com o passar dos anos e a maturidade tive que abrir mão de cuidar de lá e cá ao mesmo tempo. Tranquei o mundo de lá, e resolvi ficar só aqui. Mas que falta eu tenho, e confesso que às vezes meu refúgio se torna lá. É, eu dou minhas escapadinhas. Fecho os olhos. Deito no chão. Quando acordo estou sozinha. Pequena e vulnerável diante da imensidão que antes me tomara. Estou leve. Entrei nos meus sonhos de menina e resgatei você. Quem eu sempre esperei chegar com sua bolsa de poesias e seu caderno de piadas pra gente se ocupar ao longo da madrugada. Você que sempre chegou acompanhado de violetas. Deixar escapar esses sonhos não deve ser o mais sensato. Faço um afago leve,enquanto você sorri da minha falta de jeito.
(.)

05 agosto 2012

Relações líquidas


Arrumar o cabelo, escolher a roupa especial. Vestido? Saia? Calça? O sapato... Scarpin? Peep toes? Sapatilha? A make mais suave com tons puxados para o marrom? Ou o olho Black, marcado sem fim? O batom virou moda. Mas o vermelho combina com essa roupa? E a bolsa precisa combinar com o sapato?  Perguntas sem fim, mas que fazem parte de algumas horas antes da balada. Mulheres querem sempre estar bonitas, com a melhor roupa, o cabelo mais brilhoso, o sapato ideal, a maquiagem perfeita. A noite possui concorrência e você acaba precisando fazer parte do padrão de beleza, com a roupa da moda. A caça estimula os olhares e você precisa estar em sintonia com o ambiente. Chamar a atenção, às vezes não é fácil, e por isso requer competência. Dançar mexendo suavemente nos cabelos, olhar distraidamente. Quando você observa as pessoas a sua volta percebe o jogo que acontece nas baladas. Os homens não cansam de inventar cantadas e de mentir descaradamente, quantas para eles não “eram as mais bonitas da noite”? ou, para quantas eles não falaram ... Estou apaixonado por você? E mesmo com tantos jogos, tantas trocas de olhares e elogios sem fim, a noite é vazia. Nunca houve tanta liberdade na escolhas de parceiros. A concentração no movimento da busca perde o foco do objeto desejado. Daí a popularidade dos pontos de encontros. As pessoas saem para evitar o tédio e o conflito da vida em comum podem se tornar opções que se configuram como uma saída que promete uma relação com um nível de comprometimento mais fácil de ser rompido. Duram muitas vezes apenas uma noite. Sem direito de trocar telefones e muitas vezes sem mencionar nomes. É como procurar um abrigo sem vontade de ocupá-lo por inteiro.Afinal, por que os corpos, os encontros , as conversas e os amores escorrem pelos dedos e se esvaem sem retorno como água? As relações se tornaram líquidas e passam rapidamente sem que sintamos o seu gosto. O ter prevalece ao sentir, e a solidão se torna um sentimento quase comum num mundo onde a comunicação é tão fácil (virtualmente) e tão difícil (realidade).

(.)