Arrumar o cabelo, escolher a roupa especial. Vestido? Saia? Calça?
O sapato... Scarpin? Peep toes? Sapatilha? A make mais suave com tons puxados
para o marrom? Ou o olho Black, marcado sem fim? O batom virou moda. Mas o
vermelho combina com essa roupa? E a bolsa precisa combinar com o sapato? Perguntas sem fim, mas que fazem parte de
algumas horas antes da balada. Mulheres querem sempre estar bonitas, com a
melhor roupa, o cabelo mais brilhoso, o sapato ideal, a maquiagem perfeita. A
noite possui concorrência e você acaba precisando fazer parte do padrão de
beleza, com a roupa da moda. A caça estimula os olhares e você precisa estar em
sintonia com o ambiente. Chamar a atenção, às vezes não é fácil, e por isso
requer competência. Dançar mexendo suavemente nos cabelos, olhar
distraidamente. Quando você observa as pessoas a sua volta percebe o jogo que
acontece nas baladas. Os homens não cansam de inventar cantadas e de mentir descaradamente,
quantas para eles não “eram as mais bonitas da noite”? ou, para quantas eles
não falaram ... Estou apaixonado por você? E mesmo com tantos jogos, tantas
trocas de olhares e elogios sem fim, a noite é vazia. Nunca houve tanta
liberdade na escolhas de parceiros. A concentração no movimento da busca perde
o foco do objeto desejado. Daí a popularidade dos pontos de encontros. As
pessoas saem para evitar o tédio e o conflito da vida em comum podem se tornar
opções que se configuram como uma saída que promete uma relação com um nível de
comprometimento mais fácil de ser rompido. Duram muitas vezes apenas uma noite.
Sem direito de trocar telefones e muitas vezes sem mencionar nomes. É como
procurar um abrigo sem vontade de ocupá-lo por inteiro.Afinal, por que os
corpos, os encontros , as conversas e os amores escorrem pelos dedos e se
esvaem sem retorno como água? As relações se tornaram líquidas e passam
rapidamente sem que sintamos o seu gosto. O ter prevalece ao sentir, e a
solidão se torna um sentimento quase comum num mundo onde a comunicação é tão
fácil (virtualmente) e tão difícil (realidade).
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