23 outubro 2010

F e l i c i d a d e

Hoje vim dizer da felicidade que me contamina
Sei que ela ficará por pouco tempo
Talvez uma noite até
Encontrei-a em pequenas coisas, gestos
S e n t i m e n t o s
Novos
Estranhos
Complexos

Essa tal felicidade chega assim
Bem devagar...

E aos poucos toma conta do que existe em nós
Os momentos em que ela representa
São únicos
E intensos
Que vontade de mergulhar neles novamente
E poder sentir de novo aquela sensação
M a r a v i l h o s a
Que vive
Presente em nós
Hoje só vim dizer que estou feliz
Vim registrar porque amanhã, [talvez]
Pode ser que eu já não esteja mais assim.
(.)

15 outubro 2010

Madrugada

Noite fria e escura
Que o vento leva
Levando...
A chuva fina
Que c
          a
              i
   devagar
Escorre pelo meu rosto
E me convida pra dançar

A luz do luar
Reflete a dança
A doce valsa
Que dançamos, sem parar

O vento leva o meu corpo
A chuva lava a minha alma
Estou indo voar

 (.)



06 outubro 2010

Revelação de uma mulher

Ela abre a porta
De sua casa
Mas não consegue ver seu lar

Bagunças abandonadas
Deixadas para trás
Vícios manchados
Na parede escura
De um abismo sem fim

Pó, poeira, fumaça
Tudo se revelou

O espelho já não pode enxergar
Sua imagem
Imaginada...
Que um dia viveu ali

Cansada de ser mulher
Do salto alto de todos os dias
Da maquiagem fresca
Da cara limpa

Hoje ela só quer bagunçar
Virá menina, moleca
S a p e c a
E festejar

Ela se virou do avesso
E sem desespero
Quis mudar,
Se transformar (.)

02 outubro 2010

Pescador


Olhei pela janela e vi um pescador
Fiquei horas ali
Admirando-o a pescar
Nem percebi o tempo passar.
Incrível sua calmaria
Ao lançar a rede
E esperar...

Seus olhos possuíam a magia do mar
Parecia fazer parte daquele lugar
Como uma estátua que não se move
E vive a enfeitar.

Pensamento perdido entre as ondas que bailavam
No seu vai e vem.

Na rede  suas mágoas
Na areia suas lágrimas.

E o pescador se purificou com a água salgada
Que o vento trouxe sem ele sentir
Lavou sua alma e o fez sorri.

A brisa suave começou a soprar
Anunciou que a chuva iria chegar
O pescador se lançou ao mar
Desnudo
Mergulhou
Entre as espumas se misturou.

Perdi-o de vista sem notar
Mas fotografei sua imagem em meu olhar.
(.)