22 setembro 2011

Espelho, espelho meu

Hoje comecei mudando meu quarto...
Abri o armário e o espelho que me vê
Via-me a revelar...
-         E essa é ela que não é?
O agir do tempo amadureceu o futuro
Que este presente estou.

Fui acostumada a fingir que nada acontece lá
(Fiz o favor de mentir)
Assim não me sufocam
E eu vivo tudo o que aqui acontece... Dentro e só de mim.
Eu tenho lugares lindos
E muitos ainda não conheço
Mas não tenho pressa, pois não quero tropeçar em meus pés
Deixo-os a caminhar suavemente e sigo o que sei ser a hora certa
O meu destino, às vezes, me convida para um chá...
Recebe-me gentilmente e abraça forte este corpo meu a pertencer.

Não quero o mundo inteiro
E sim uma parte a me encaixar...
Não pretendo ser dona de mim eternamente
A propriedade do meu "eu" às vezes cansa
E o cansaço faz o espelho deixar de conhecer
O que um dia foi para o que hoje é...

Amanhã vou olhar para frente e assim conseguirei me enxergar melhor.
(.)










17 setembro 2011

Licor da meia noite

Nasce madrugada espalhando o calor frio
Eu, aqui, como sempre, de costume
Sirvo-me do licor para aquecer minha noite
Sinto em meus lábios o doce ardente antídoto
O amor que já provei, há tempos atrás
Esquecera eu o sabor
O cheiro e
O calor...?
Estive isolada em minha própria solidão
Pintei o vazio em lindas aquarelas
Para esconder as lágrimas delas
Disfarcei o que sou para esconder o que nem sei bem se sou
Eu quem em mim sente.
Descombinei as cores
Abandonei a falta que eu fiz crescer
Arranhei as portas de madeiras de tantas lamentações
Nem ao menos descontei em minhas poesias
Ainda bem. A sanidade falou mais alto... Em berros curtos que pude ouvir
Preservei a última gota que me acalma... Em berros longos que ninguém pode ouvir
Cá estou eu, aqui, como sempre e de costume
Falando em um tom baixo, ouvindo apenas o toque da caneta no papel
Com meu licor de um lado
E do outro lado o vazio,
... de sempre, que está prestes a mudar!

(.)



Quero beber o licor de ti (.)