31 janeiro 2011

trago a noite

final de tarde
o sol já deseja descansar
convido a lua
que de mansinho chega devagar...
conduzo as estrelas
chamo a voz do vento
banho esperanças
desperto o silêncio
incendeio chamas perfumadas
faço notas pontuadas
componho músicas suavizadas
uso a sinfonia
visto sintonia
danço a dança
faço a coreografia
saio cantando as letras sem rimas
precisas e lisas...
solto o som da melodia
colho o final do dia...
trago a noite ao meu lilás.

(.)

29 janeiro 2011

lixos


um mundo inferior
repleto de lixeiras humanas
recicla lixos deixados em vão
restos de sonhos esquecidos
e de desejos perdidos...
guarda segredos nunca ditos
apenas pelo medo da revelação...

no mundo inferior
todos deveriam mergulhar
a fim de resgatar seus lixos reciclados
e recompor os restos sobrados...

um mundo inferior
presente de sombras
deseja uma luz
trazida por aqueles
que desejam seus sonhos esquecidos
reciclados para serem vividos.

(.)

28 janeiro 2011

ritual

sala vazia
de um vazio silêncio
chegado com a noite
que entra pela janela...
um silêncio sem voz  que não fala
pela saudade da voz que ali se ouvia

o ritual começou...

velas acesas
noite de lua cheia
magias, cristais
água da fonte
incenso jasmim
rosas brancas
um círculo aberto convidando mundos
além dos limites...
entre a noite e o dia
a tristeza e a alegria
em nome dos deuses

o ritual começou...

espaço aberto
pela ausência sentida
de um olhar distante
que se perdeu com o vento...
sala vazia e cheia do nada
presente do tudo
resgatado pela a magia

o ritual começou...

lá fora, o mundo gira perdido
em desacordo com seus batimentos
palavras confundem-se com sons abafados
das  ruas movimentadas...
esquinas escuras
pelo manto da noite sombria

o ritual começou...

o silêncio ganha voz
e resgata a voz que ali se ouvia
a noite chama o dia
a sala já não está mais vazia.

o ritual terminou...

(.)

27 janeiro 2011

arte(s)


literatura da vida
onde a arte predomina
uma parte pesa, pondera
outra parte delira
traduz uma parte da outra parte
que é a linguagem
a essência da arte está em recriar a realidade
o artista tem a magia de montar suas verdades
pintar a vida
escrever poesias
arquitetar mundos
esculpir ideais
dançar a música
exprimir o sentir no teatro
manifestar arte é a expressão do artista
ler o mundo ao seu mundo
dando corpo à outra vida
a arte é uma mentira.

(.)

catástrofe


última gota de chuva
foi-se tudo que fora construído em vão
pedaços perdidos do que restou
o jardim não tem mais canção
não corre mais o rio, no ribeirão
destinos interrompidos
pela ponte que se foi ao chão...
flores despedaçadas pela tristeza solidão
lua ilusão
o mar secou dentro do seu próprio coração
não existe mais o tudo
mas só uma metade de recordar
o vento levou e varreu o que era
deixou o nada, sem saber...

(.)

26 janeiro 2011

doces manhãs de verão


contemplo as  manhãs
doces de verão
na praia do mar
em cachoeiras de ninar
sinto o perfume das flores floridas
que crescem nos jardins...
o sol irradia o gramado
ilumina o tom verde aveludado
o céu azulado
põe-se ao meu lado...
pássaros voam cantando canções
árvores dançam com as sutilezas dos sons
leveza dos ventos que levam verdades
e espalham saudades...
natureza envolvida por sua beleza
transmite a pureza através de sua grandeza
presença de paz
a grande mãe trás...
aroma das frutas
brilho da lua
luz das estrelas
calor dos dias
em belas manhãs
doces de verão.

(.)

25 janeiro 2011

in(existente)


Hoje vou me jogar do abismo
Viver do teu vício
Sou uma metáfora
A analogia da tua palavra
Cuspida e escarrada
A embriaguez da tua voz
Me torna mais feroz
Sou a ficção do teu olhar
Que você não cansa de admirar
Sou sua criação
Impecável imperfeição
Vivo apenas no seu coração
Sou o nó da sua vida
Sua obra-prima.

(.)

cores


cores fortes ofuscando sensações
rosas cintilantes transmitindo emoções
amarelos fuzilantes que cegam o olhar
verdes águas desejam desvendar
azul está no mar
vermelho quer gritar
lilás têm forma peculiar
laranja é de arrepiar
preto da escuridão
branco ascende à luz do coração
marrom da terra,
onde há semente
e a vida começa e (re) começa.

(.)

Criança

Crinça querida
Que brinca de roda
Criança crescida
Vivendo na moda
Criança tão minha
Crescendo depressa
Criança moderninha
Não entre nessa
Seja alegre, contente
Sonhando acordada
Seja gente
Alma elevada
Não queira correr
Ligeiro demais
Saiba viver
Em paz.

(.)

24 janeiro 2011

pisadas


pisar
na areia molhada
na grama úmida
no asfalto quente
no azulejo frio
no chão
no teto
em você,
nas suas costas
nos seus pensamentos
em nós
envolvidos distante (mente)
pelas pisadas
do ontem,
do hoje e do amanhã.

(.)

sonhos


sonhos sonhados
quando realizados
precisam de outros
sonhos pra sonhar...
procuro sonhos dentro de um sonho
sonhado na madrugada profunda
de um sono leve...
sonhando sonhos vou encontrando
meus sonhos, sonhados nas noites
de sonos de um sonho...
sonhos, sonhos, há tantos sonhos
ainda para eu sonhar.

(.)

21 janeiro 2011

menina Maria


quem diria que por trás de lindos olhos azuis
haveriam lágrimas escondidas
por uma menina, Maria
que chorava por falta
por dor
por amor
pela insegurança
e pela segurança que possuía
.
quem diria que a menina Maria
encheria um rio de lágrimas
pelas noites mal dormidas
.
quem diria que a vermelhidão
tomaria conta dos lindos olhos azuis
da pobre menina Maria
.
quem diria que Maria, a menina mulher,
pudesse parar de chorar e assim enxergar
um novo mundo sem o peso carregado
nas pálpebras caídas
pelas lágrimas escorridas.

(.)

(.)

20 janeiro 2011

amor qualquer


a história de nós dois
começou numa tarde qualquer
num canto da esquina
beirando a avenida

fria ...

sombria ...

opaca ...

chuvosa com a amargura
de todos que passavam
e riam de nós
que sós ali
calculávamos um destino
incalculável pela cena
e por um falso amor.

pobre desamor
que carrega uma dor

incurável destino só
que diante de uma solidão vazia
foi fisgar dois pobres corações
que nem desejavam uma história
assim de  amor
numa tarde qualquer.

(.)

19 janeiro 2011

miçangas


miçangas espalhadas pelo chão
e uma solitária artista
que faz objetos pra decorar sua vida
e encher de cores sua poesia.

(.)

18 janeiro 2011

meditação


acordou de manhã
com o cantar dos pássaros
que viviam ali,
debaixo de sua janela...

regou as flores
rosas, violetas e margaridas...

sentou na varanda
e deixou sua música tocar...

meditou por horas envolvida
com seus cristais...

mergulhou em vazios densos
.
respirou sua inspiração
.
floresceu com o novo dia
.
.
.
ouviu seus silêncios

sentiu sua paz.

(.)

crime


banho tomado
cabeça fresca
e um pouco da ausência sentida
doendo aqui no peito...
casa desarrumada
roupas rasgadas pelo medo
que um dia viveu ali...
vidros quebrados
sangue derramado...
e uma dúvida...
doida pela dor
de um crime
que ninguém sabe se aconteceu.

(.)

17 janeiro 2011

..


Tirou o pó das lembranças
Suas, talvez perdidas.
Borrifou uma essência com cheiro de orquídea
E purificou o seu ar.
Ascendeu um incenso com chama de violeta
E deixou que em cada canto a fumaça perfumada
Pudesse entrar.
Sentou-se na janela a fim de admirar
Um novo dia, uma nova cor, um novo olhar.
O sol iluminou seu corpo e cegou seus olhos
Que na escuridão de um clarão embaçado
Fez enxergar o que antes ela não conseguia.

(.)

03 janeiro 2011

Apenas mais uma poesia

Passado o passado
Uma calmaria...
Resgatei hoje o que antes
Doía
E feria.
O bom é sentir que superei
E a lembrança que antes incomodava
Acomodou-se aqui no meu peito.

Hoje navego em águas calmas
No barquinho da minha infância
“A deslizar no macio azul do mar”
Ê música boa
Que tem cheiro de criança...

Vontade de reviver aquelas tardes
Minhas e da minha irmã
Quando ouvíamos música boa
E dançávamos sem parar...
Tudo o que nos importava era brincar
Naquela sala...
Que saudade daquela sala,
Daquele quarto...
De mim, de nós
Sempre juntas
Duas crianças...
Que hoje já vivem aqueles sonhos
De meninas
Que foram sonhados com a certeza
De um dia iríamos construí-los.

Eu e você
Sempre seremos aquelas duas meninas
Que se vestiam de palhaço
Com as roupas do nosso avô
E que nossa mãe
Com aquela câmera
Não parava de nos filmar...
Como eram boas
Nossas palhaçadas.

Hoje existem outras dentro de nós
Mas aquelas duas meninas
Ainda moram aqui bem no fundo
E às vezes voltam para nos visitar,
Que bom tê-las por perto
Com aquele brilho
Que só elas tem no olhar.

(.)





02 janeiro 2011

Saudade de você


Saudade...
Uma lembrança da solidão
Uma falta sentida
Uma melancolia.

Hoje fui ver o mar
Tentar não lembrar de você
Mas como posso andar pelas ruas
E não sentir teu cheiro.
Vejo o seu rosto estampado na cara de cada um que passa...

Sinto saudade de sentir a saudade que sinto
Quando não sinto a saudade de você.

(.)