25 fevereiro 2011

descoberta de uma atriz

..um grande dia..
acordou com o mais puro doce da manhã
espreguiçou o corpo que ainda dormia,
despertou o movimento
recuperou a energia...
mergulhou o corpo nú na água fria
comeu frutas maduras que enfeitavam sua cozinha
abriu as janelas para admirar o novo dia...
olhou o espelho e enxergou o vazio que ali vivia
sua imagem já não existia, e ela não entendia...
..saiu para o seu grande dia..
chegou no seu palácio, um teatro encantado...
o dia de sua primeira apresentação
existia o suor nas mãos, a inquietação
e uma grande emoção...
sua hora de encarar o palco, a platéia,o silêncio calado
o frio na barriga, à vontade de desistir, o medo de não conseguir...
subiu no palco, encarou a platéia e deixou-se levar pelo silêncio
 a iluminação cegou seus olhos e um clarão refletido
 fez sua imagem ganhar,novamente... a vida ...
..um grande dia..
para uma atriz que deixou-se seduzir pelos encantos do palco
e que hoje vive no seu próprio cenário,
pintado com lápis de cor.


(.)

21 fevereiro 2011

luxúria e um lençol de seda fino

lençol de seda cintilante
cai sobre a cama na mais bela pura maciez
conforta-se ao corpo e desperta a luxúria envolvida na sua beleza...
descobre o suor que percorre, correndo, sem pressa
aos instintos da descoberta...
rasga a boca calada que grita ao prazer
escorre a saliva seca que sente a fome de provar
alimenta o vazio com uma comida fresca
e se deleita na sobremesa...
a luxúria canta no lençol de seda fino
e se espreguiça ao silêncio da sua própria quietude
brinca feito uma criança que deseja ser livre,
pra provar sua própria plenitude, correndo solta
na terra fértil de viver, o hoje, o agora, sem medo
de ser sua própria verdade inventada na atuação
dessa curta vida.


(.)
mahaivi

20 fevereiro 2011

contrariando o desejo


dias andando no calor do asfalto
queimando os pés delicados pelo desejo de fugir...
por horas caminhando, tropeçando
sentindo frio, fome e dor
desatando os nós presos na garganta
rasgando o medo no olhar perdido
solta, entregue ao vento, fazendo parte da noite vazia
encontrando significados anônimos que rodeiam a mente solitária
ruídos estridentes, persistentes,imprudentes,incoerentes,pertinentes
ocupam o corpo, a mente e o espírito...
alcançando o mundo,seu, interior
fechando portas abertas
janelas escancaradas
impedindo a luz de entrar
transformando o seu no eu de nós
tentando encontrar caminhos
diante de uma aliada escuridão.

dias andando na frieza do asfalto
esfriando os pés delicados pelo desejo de fugir... ao contrário.

(.)

17 fevereiro 2011

lua

Lua bonita que brilha no céu
Venha repousar a tua luz sobre mim
Ascendo um incenso para ti
Olho bem fundo dentro de você
Sinto seu brilho se aproximar
Há hipnotizar meus olhos que olham os teus...
Envolva-me depressa
Faça-me virar você
Você no meu eu
E eu no seu
Desperte a doçura
A magia da sua pureza
Adormece-me
Em seus braços
No seu colo amado
Na noite do meu lilás
Leve-me ao seu céu
Cubra-me com seu encantado véu...

(.)

15 fevereiro 2011

re(vivendo)

gavetas se abrem e se fecham
guardando letras bem desenhadas
de velhas escritas minhas...
folhas desbotadas pelo tempo que ali passou
causou saudade de reviver...
momentos presentes de passados aquecidos
pelas palavras relidas... lidas aqui...
ouço minha voz de tempos atrás
bebo o meu último gole da sobra que ali viveu
resgato meu tempo, meus momentos,
mas já não posso senti-los mais...
ensino minha mente a falsa ilusão
de sentir de novo...o que antes era real.

(.)

11 fevereiro 2011

perfume da flor

essência doce e perfumada
burrifiquei ao meu lar
canto sagrado de mimos
lembranças aquecidas
pelo olhar de cada dia...
cheiros
cantos
sabores...
envolvidos pela presença
do ar renovado
que dança espalhando
no cantinho reservado
sensações adormecidas
aguçam os sentidos
despertam desejos
das vontades esquecidas.

(.)

10 fevereiro 2011

desejo


um desejo de mudar
transferir
dispor
desviar
variar
substituir
alterar
modificar
e transformar ...
(.)

05 fevereiro 2011

simples assim

..um dia disseram que menina não chora
contaram que a tristeza é saciada ao pentear dos cabelos
falaram mais...
menina come de boca fechada
cruza as pernas ao sentar
sorri calmamente e acena aos demais
usa vestido cor de rosa e flores no cabelo
fala baixo pra ninguém ouvir
sonha com um belo príncipe cavalgando num cavalo branco
espera o cavalheiro tirar pra dançar...
porém esquecerem de perguntar se a menina era feliz
vivendo uma vida que todos disseram que ela deveria viver...

a menina diz...
não preciso pentear meus cabelos pois tenho o vento que os penteiam
como de boca aberta
sento de qualquer jeito
sorrio a quem eu quiser sorrir
uso qualquer roupa e nada no cabelo
falo alto pra todo mundo ouvir
sonho com um amor qualquer, mas que me faça feliz
não espero ninguém me chamar pra dançar, danço sozinha
e vivo a vida que eu digo servir para mim.

(.)

03 fevereiro 2011

sons

som do dia
som da noite
som das árvores
som do vento
som dos pássaros
som das canções
som da música
som do mar
som das ondas
som das pedras
som das flores
som das pétalas
som do sentir
som do silêncio
som do povo
som do gosto
som do desgosto
som  alto
som  baixo
sons dispersos
sons diversos
som da voz
som do íntimo
som da dor
som do amor
som de perder
som de ganhar
som de ter
som de sonhar
som de querer
som de desejar
som da esperança
som de festejar
som imaginário
som do pensamento
som da vibração de dentro
som da harmonia
som da sinfonia
som da alegria
som da euforia
som da tristeza
som da sutileza
som da vida
som da luz
som do armário
som da madeira
som do giz
som do teclado
som do grito
som calado
som do próprio som


porque a ausência de som enlouquece.

(.)


des(fazendo...)

Devagar e lentamente
Leve como uma pena

Que c
           a
               i
e vai c
            a
                i
                   n
                       d
                           o
bem devagar...

segue os passos na corda bamba
e se desfaz... e
                        s
                     c
                        o
                            r
                         r
                     e
                        g
                           a
                        n
                     d
                         o
                               no chão.

01 fevereiro 2011

Retrato


Um retrato parado,isolado
Perdido em um só momento
Revela detalhes,nos hipnotiza
Fiel a sua postura,
Nunca muda...
Reflete o mundo real
Está fixado em um só papel
Resgata lembranças perdidas
E as saudades partidas...
Na distância do tempo
Inconstante e cruel
Encanta os olhares de quem o vê
Apenas vive para enfeitar
Está entediado em um só olhar...
Largado no canto,superficial
Observa tudo
Que se foi em vão...
E deixa um pouco
Do vício encanto
Que um dia eu vivi.
(.)

e.u


eu me encontro nas palavras
eu me perco na minha valsa
sou a dúvida de mim
eterna e serena...
eu me vejo no espelho
envolvo-me discretamente
sou uma vida passada
sinto o cheiro da minha alma
dou risada escancarada
..meio perdida..
desapareço com o vento
hoje sou apenas sentimento
passado e presente
mutante do meu ser
difícil entender.

(.)