22 maio 2012

Alice


Alice veio até aqui confrontar o silêncio escondido em baixo das cobertas.
Puxou o cobertor na tentativa de libertar o corpo, ainda adormecido, envolvido por uma preguiça constante.
Olhou fixamente como quem quisesse entender... Conhecer.
Sentiu um aperto no peito ao perceber que era humana demais e, portanto impotente para controlar a sublimação que envolvia a alma.
Alice quis libertar a dor colhendo as lágrimas de tristeza, abraçou.
Abraçou-me na tentativa de sugar os males provocados pelo mundo em feridas expostas na pele.
Desejou ser eu. Quis entrar em mim.
Alice era eu?
Alice vive em mim?

(.)

20 maio 2012

Obra de Arte


A artista que virou sua própria obra esquecera-se de si
Borrou os olhos de sangue com lentes de contato
Bagunçou o cabelo até tornar-se desgrenhado
Vagou.
Deixou de lado tudo aquilo construído
Quis ser a arte
Intocável.
Distante de todos que só podiam apreciar.
As obras de artes são feitas para serem apenas apreciadas
O toque tira a sua riqueza e divindade.
A artista nasceu de sua arte
E hoje descobriu que sair dela mesma é NASCER (de novo) numa nova obra.

(.)

19 maio 2012

Psiu


Psiu...


É hora de dormir!


Psiu...


Apague as luzes!


Psiu...


Sonhe comigo!


Psiu...


Te amo!

(.)

09 maio 2012

sede


Hoje foi dia de alimentar a alma
Convidei-me a passear.
Preciso tanto desses momentos íntimos
Preciso tanto de mim e dessa voz que fala quando só tenho a minha companhia.
Andei por tantas ruas
Visitei tantos lugares. Fui além
Parei numa feirinha oriental, presenteie-me.
Adoro bijus e objetos orientais.
Vaguei sem pensar
Andei pelos caminhos que conheço pela intuição
Não tive medo da escuridão e nem dos becos que passei
Deixei meus pensamentos como borrões em cada esquina
Fiz-me presente na própria ausência que eu senti.
E por um momento o silêncio tomou conta das esquinas
Ouvi apenas a minha voz que parecia falar alto,
E no final da minha caminhada senti sede
Pensei na sede que tenho sentido ultimamente
Na vontade de ser mais.
Olhei a minha volta e vi um mendigo
Ele parecia tão seguro de si
E ao mesmo tempo a minha escuridão foi tomada pelas luzes de um bar
O meu silêncio havia sido quebrado pelas vozes alheias
Mas a minha atenção fixou-se ao mendigo, ao silêncio que ele possuía,
E entendi que por mais que a minha sede fosse grande,
Era sede de água.

(.)