O telefone tocou e era você, por simplesmente ser sua voz
tão presente, firme e charmosa. Um leve sotaque de quem traz na bagagem heranças
de um interior. Espiava sua presença distante, meu olhar seguia seus passos
tatuados e o tempo que só pertencia à você. Estive ausente de te procurar em
tantos outros esbarros perdidos em bares e esquinas. Bebi goles pra engolir as
palavras desesperadas que arranhavam a garganta. Percebi que palavras cuspidas
já não me interessavam mais. Queria uma dose de poesia em cada espaço que me permiti
acolher/ conhecer. E você tão distante dos tantos presentes, já passados e futuros.
Iludi minhas fantasias imaginárias oferecendo-as um chá. Dei as cartas na mesa
e bati sem querer fazer muito jogo, apenas uma canastra limpa.
(.)