30 outubro 2012

Encontro

Estava de pé, sozinha no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentido uma dor pela falta de você. Caminhava com os pés de bailarina recente, queria impressionar, te impressionar... Não sabia, de fato, quando iria te encontrar, mas já andava pelas ruas atenta, ensaiava sorrisos e olhares. Talvez, no dia, nada daquilo programado realmente acontecesse, mas precaver era a sua segurança. Em pensamento já tinha escolhido a música que iria tocar, o vestido azul que pensava em usar. Difícil é saber como marcar o tão esperado encontro em sua agenda. Até que, vinda da profundeza de seu ser, num dia qualquer, um pouco nublado, com um vento constante, o vestido azul no armário sedia lugar à calça jeans desbotada, pela mudança de tempo. Ela avistou, e como quem tivesse engolido as próprias palavras, engasgou de sufocar, surpresa por ainda ser cedo, afinal, ela queria preparar, se preparar melhor, mas era o dia. Não tinha como escapar e perder... Se mudasse a direção, talvez, não pudesse voltar atrás. Encarar, mesmo sem o vestido azul da sorte, com a calça jeans de guerra, era o grande dia. O encontro, finalmente aconteceu. Os olhares se cruzaram imediatamente, encheram- se de susto e alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e vê que por adimiração a boca fica entreaberta. Assim, em um dia qualquer, sua distração cedeu lugar para Ele acabar de vez com a sua ansiedade. 

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