13 abril 2013

Falta-tanto-tudo


Sobe as escadas, para em frente a porta da entrada da cozinha. Pega as chaves que já estavam em suas mãos. Coloca a chave na fechadura, mas não consegue abrir a porta. A mão aperta e impede a chave de destrancar, a porta embarreira, a fechadura emperra. Ouve vozes, movimentação e barulho de panelas. Alguém chegou, alguém já estava lá...

Preguiça de entrar, olhar e conversar.

Preferiu adiar a sua chegada se escondendo no corredor, do outro lado da fechadura, com a chave na mão, mesmo sabendo que ali era a sua casa...

Como sentir sua presença sem força e forma, e procurar movimento no corpo cansado que deseja estar só, jogado à cama, abraçado aos lençóis.

Onde se procura abrigo, quando todas as esquinas já estão ocupadas, preenchidas de gente, sentadas a mesa com o seus respectivos pares.

Como é sentir-se sozinha, mesmo cercada de gente, que fala, grita e berra aos seus ouvidos, e ainda assim, nada ouvir.

Será que as pessoas tem a capacidade de pausarem a sua presença, e mesmo assim, manterem a sua existência? Que falta, de mim, de você, de tudo- tanto- e - porquês...

Que falta de encarar a vida sem medo de levar um copo de cerveja na cara, e eu que nunca fui fã de cerveja, admiro quem gosta dela.

Que tortura escrever sobre a ausência de tudo que eu sei que falta, aqui-agora-comigo.

Que loucura se perder de si mesmo, e insistir em existir o que nem sei que sobrou... Migalhas servem para serem recolhidas, ou deixadas esquecidas em cima da mesa.

E na mesa sobrou um pouco da parte que nem sei de mim, uma xícara de chá e um

novo floral que decidi me entupir...

E essa solidão profunda em estar-só procurando consolo.



(.)