02 março 2011

de cabeça para baixo

Ela,
do andar firme, possuía a firmeza de uma rocha ao caminhar
tinha o equilíbrio na ponta dos pés e os deixava descalços, simplesmente...
calçava só a esperança na voz da consciência

apagaram-se as luzes
dos olhos e do dia

[uma nova perspectiva]

ascenderam as luzes
dos olhos e do dia

Ela,
sentiu o desequilíbrio aos seus pés não tocarem mais o chão
perdeu a firmeza ao não conseguir mais andar
olhou em sua volta, rendeu-se a leveza do vento
que levemente a levava a caminhar...
procurou o mar e as espumas das ondas para acariciar seus pés
mas as ondas se curvavam e se quebravam a sua volta no ar
espirravam a brisa salgada no chão que agora era o seu céu...


Ela,
do andar firme, já não possuía a firmeza de uma rocha ao caminhar
tinha o desequilíbrio na ponta dos pés e os deixava descalços, simplesmente...
calçava só a esperança na voz da consciência

desorientada e confusa, vendo uma desordem projetada aos seus olhos
procurou um sentido para arrumar o que já não estava no lugar...

Ela,
do andar firme...
só estava de cabeça para baixo.

(.)