14 maio 2011

pelo o que já passei


Olho as janelas fechadas de casas que já morei
Vejo meu rosto em cantos de ruas que já passei
Encontro-me em copos de bares que já sentei
Avisto pedaços meus em águas que já mergulhei
Reencontro cacos meus que já quebrei
Preencho espaços vazios que já abandonei
Danço as noites que já cambaleei

Releio diários que já escrevi
Visto a solidão que já senti
Converso com as insônias que já vivi
Sonho com palavras que já ouvi
Questiono a própria falta que já me fiz

Analiso os borrões que já desenhei
Entro na escuridão que eu já criei
Ouço  as vozes que já conversei
Sinto o perfume que já usei
Colho as flores que já plantei
Varro a poeira que já acumulei
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