09 junho 2011

Prostituta que eu era


Eu desafio as paredes do meu quarto
Peço a elas a sangrar pelas dores que as fiz sentir
Lancei meus pertences adorados por falta de maturidade
Elas, minhas paredes, seguraram um pouco da falta que eu sentia
Manchei suas aparências, estraguei suas pinturas
Eu apenas era imatura, não tinha conduta e me faltava postura
Queria ser dona de mim, mas me perdi...
Quando me achei já não me reconheci...
A rebeldia tomou conta dos meus pés que quiseram correr mais rápido
Sem um calçado afim de protegê-los
Eu já não conseguia me deter
Uma nova consciência tomou conta do meu ser
Corria solta pelas ruas
Muitas vezes desnuda
Bebia a sobra que me fiz
Acordava ao acaso que me permiti
Dançava seminua
Atraia os olhos de desejos
Que me roubavam bocejos
Vivia por aí
Em esquinas concretas vazias de silêncio
Vendi meus sonhos
Apressei a realidade
E agora o que restou?
O que eu sou?
Um projeto de mim que criei
Uma prostituta da vida
Uma mulher vazia
O meu corpo é uma fantasia que abriga meus gritos, aflitos, que gritam calados...
Sumi na fumaça do meu próprio cigarro
Desfiz-me em pedaços...
Contei as esmolas que ganhei
E os sorrisos que perdi
Voltei as paredes do meu quarto
Refiz os buracos
Mudei suas cores
E a menina que era voltou calada
Discreta na sua dor
Com os lábios vermelhos
Escondendo o silêncio que existiu.

(.)