E desde então nenhum dia escapou da lembrança daquele fim. Sua
sede era tanta, era sede de poesia. Mas agora não sabia o que fazer com tantas
palavras rabiscadas em velhos cadernos. Deixou-se transparecer demais e revelou
seus mistérios. Agora sofria por ver desconhecidos invadirem seu sossego. Seus segredos
eram notícias. Tapava os ouvidos na tentativa de abafar os sons, não queria
ouvir os dizeres, ditos em bocas sujas de vulgaridade. Estava indefesa. Temia quem
se aproximava. Seu conforto era uma velha casa empoeirada, herança da família. E
seu divertimento era ver as gotas de água que escorriam pelos velhos papéis que
abrigavam seus versos. Borrava o passado, mas não o apagava. Chora, mas
permanece. Desenvolve no silêncio e no escuro, onde a referência é só palavra. Suas
palavras unidas que formam sua essência. E mesmo sem a vontade de escrever,
seus movimentos são poetizados. Nada em vão. Apenas leve, como deve ser.
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