16 setembro 2012

Fim.


Uma dose de licor para queimar a garganta e esconder verdades que ele queria dizer. Socava a parede e sentia dor até sangra para não dar na cara dela. Ele mudou. Mudou com o tempo, os dias, a rotina. Sentiu-se incapaz de ser o que um dia havia sido. Era jovem. Jovem demais para saber que o casamento acaba com o amor. Conviver ele não conseguiu. Não conseguiu conviver com ela. Ela possuía sua liberdade e não abria mão de ser livre. Ela que sempre fora menina doce, perdera sua doçura com palavras azedas. Tinha ódio de dizer e odiava sujar a boca com palavras imundas. Mas ele era arrogante demais. Esquecera as palavras bem ditas. Ele cansou de ler seus versos, achou aquilo perda de tempo demais. Eles não sabiam mais o que era conversar. Sentavam-se cada um de um lado. O sofá que antes era grande para acomodar os corpos entrelaçados, tornou-se pequeno na tentativa de criar barreiras para evitar qualquer contato. Tudo se perdeu. Os sorrisos pela chegada, os pequenos gestos, o coração acelerado, a respiração ofegante. Tudo não passava de bobagens. Ela, um dia, abriu a porta e não voltou mais.

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