Lambe a ferida pra sarar a dor e acalmar o sangue que insiste em escorrer pela pele de cor pálida. Bebe o vinho como se bebesse o próprio sangue com sede de sentir. Aperta e exprime, atormenta o que já dói, naturalmente. Deseja mais da dor que sobrevive extasiada. Escarna o corpo frio mergulhado à uma xícara de chá. Descasca a pele sofrida e envelhecida. Descobre mais de si, o que estava escondido, por trás das falsas aparências. Reconhece o que é na essência. Deixa o que criou com os artifícios da tecnologia, e, se permite ser real. Desenferruja o corpo estático, desentorta o olhar e o sorriso desenhado, do qual não conseguia se livrar. Renasce na carne fresca, e deixa de lado o artificial, que alguém desejou criar. Vira dona de si e das suas funções. Não precisa mais esperar quem queira brincar e movimentar seus braços e depois jogar num canto qualquer, torta e sem cabeça. Não é mais um brinquedo de plástico e superficial.
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