25 março 2012

Casa cheia

Primeiro acordar. O sol invadiu a janela, penetrou pela cortina de voil. Acordei. A casa estava cheia. O silêncio subiu pelas paredes e foi repousar no teto, agarrou-se ao lustre novo que comprei. A arrumação foi desfeita, a mesa de centro acolheu novos pés. A cozinha ganhou sabor. Eu estava entre muitos, deixei o só do hoje para trás. Recebi minhas flores prediletas. Mimos e abraços sem fins. O dia acabou. Restei aqui. O silêncio desceu do teto e veio encostar-se a mim. Hora de dormir. Amanhã preciso acordar e arrumar a bagunça que foi feita aqui. Segundo dormir.

(.)

24 março 2012

Direito de descansar


Madrugada chuvosa acompanhada de uma insônia que não me deixa dormir.
 Eu, poetizando.
Minha voz hoje está curta, preferiu calar.
As letras estão soltas, não chegam até mim.
Em desfecho, sou mistério.
Toda noite mal-dormida vira o caos do amanhã que hoje estou
A vida questiona,
O corpo fraqueja. Mais uma queda
E o instinto ameaça: pode ser fatal.
Os pés cansados tocam o chão, o apoio da vida.
O chão parece acolhedor, sinto vontade de ficar.
Estou no limite, o chão é o limite, não? Na queda, do chão não se passa.
Estar no chão é assustador.
Preciso de asas, dei-me as minhas asas.
Meus pés falharam, e eles têm o direito de descansar.

(.)

21 março 2012

Ausência


Falar e não dizer nada.
Ultimamente estou com preguiça de mim.
Estar presente todos os dias cansa
Ser presente e nem sempre.
Às vezes voo para outros mundos
Mas nem sempre eu sei onde estou.
Por vezes me encontrei perdida não conseguindo voltar
O caminho de volta nem sempre é o mesmo da ida
Por isso me perco quando me torno ausente.
E hoje eu queria ser essa ausência minha.
Posso?

(.)

15 março 2012

Tapetes


Comprei tapetes, aqueles coloridos, que vendem em feirinhas.
Coloquei alguns no meu quarto, e o pisou que já estava gasto ganhou uma nova cor
Adoro enfeitar minha casa, preencher cada cantinho com um pouquinho do que sou.
Mas voltando aos tapetes,
Tenho uma tara por eles.
Acho que é uma forma de pintar o chão
E pisar em tintas frescas,
Sinto-me flutuar.
Brinco de escorregar, volto a ser criança.
Tenho uma linda cadelinha que os adora
Dorme, se esfrega e brinca.
Os tapetes guardam as nossas lembranças
Neles há sempre um pouquinho de cada lugar que já conhecemos
Sei que por eles não guardo sujeiras comigo
E às vezes quando tento desviar
São eles que se enroscam aos meus pés.
Em meus passos, novos ou não
Eles fizeram parte pelo simples fato de estarem a minha disposição,
Em meu chão.

(.)

10 março 2012

Encontro com ela mesma


Caminha pelas ruas da cidade
Entra em diferentes dimensões
Ela, caminha na ponta dos pés
Encanta-se com as pinturas espalhadas pelas ruas
Vê em cada rosto a perfeição calculada,
A diferença existente em cada ser.
Suspira sorridente.
Senta em um lindo banco de praça
E lê “Para fofocar”,
Ela, que está sozinha, sorri.
Começa um diálogo com ela mesma e,
Fofoca com a sua outra metade.
Ela, não está mais sozinha
Suspira aliviada.
Seu outro lado apareceu para lhe fazer companhia
Contar os segredos que ela, do outro lado, ainda não sabe.

(.)

08 março 2012

desconhecida de mim


O mundo parou, o será que eu parei?
Por um momento acho que sim.
Parei em alguns momentos e agora não consigo avançar
Acordar se tornou um tormento quando nada se tem a sentir
Falta à sensibilidade colada, de mãos dadas, sinto falta até doer
Dói.
Esmagada, assim estou.
Olhar e nada ver,
Querer gritar, mas a voz não sair
Desespero.
Girar no mesmo eixo
Andar parada
Correr com as pernas amarradas
Quem me roubou de mim?
Acorda.
Alguém me acorde.
Por favor, dê-me um susto.

(.)

07 março 2012

06 março 2012

Ludus


Quero por inteiro. E hoje já não aceito uma parte
Rasgue as cartas velhas
Colha as lágrimas gastas e as jogue no lixo
Entro aqui. Mas não quero ver lembranças
Tire o pó acumulado
Abra as janelas
Lave os lençóis, os novos que eu comprei
Esqueça sua outra vida se quer viver uma nova
Não deixe nada entre nós
Te querer não é fácil
Não me decepcione
Não quero suas sobras
Muito menos as migalhas em cima da mesa
Deixo claro.
Eu só vou com você, se for para ficar.

(.)

05 março 2012

Colorir


Colore o dia com tons suaves
Espalhe a cor e pinte cada existência
Deixe fluir
Deixe colorir
A vida em preto e branco nem sempre é a mais bonita
Mas às vezes é preciso descolorir para olhar mais profundo
Ter ausência de cor é ser destaque nesse mundo colorido
Colore
Descolore
Deixe preencher os espaços vazios
Alimente a alma com pinceladas de cor
Deixe pulsar
Ser um breve pulsar de um silêncio antigo que alcança o tom.

(.)

02 março 2012

Meditar


Interiorizar-se
Conectar a mente ao silêncio da vida, ir além
Desligar o som da voz; desligar os ruídos do mundo
Silenciar o corpo e quase adormecer.

(.)


27 fevereiro 2012

Suar a vida


Escorre suor do corpo vivo
Limpe os males da existência
Excrete os desejos íntimos
Desmanche a pele em suor
Secrete o trabalho árduo
Derrame suor.
Transpire suas vontades íntimas
Viva uma vida mais modéstia
Deixe os perfumes
Desconforte-se em suar a vida
Suar por si mesmo é libertador
Eu, suando, sou eu de verdade.

(.)

24 fevereiro 2012

Visceral


Falo de você que dividiu a casa, a cama e os lençóis
Falo a linguagem dos gatos em demonstração a minha defesa
Aos seus ataques apresento minhas garras vermelhas
Vou miar sua noite e soltar um “hisss”.

(.)

11 fevereiro 2012

Boas vindas da Lua

Ir dormir... é, eu estava indo dormir.Mas primeiro fui abrir a janela do meu quarto e ao olhar pro céu vi a lua. Linda como sempre, mas naquele momento diferente. Era a lua envolvida pelas nuvens e um brilho radiante. Era mais. Uma pintura enquadrada à minha janela. Me emocionei. Esse ano é o ano da lua, e de alguma forma senti as boas vindas. Ascendi um incenso de recepção. Adormeci. E quando acordei desse sono leve, ainda era noite. Fui olhar a janela. E a lua se escondeu atrás das nuvens. O incenso virou pó. Fechei as cortinas e fui dormir.

(.)

10 fevereiro 2012

Segredar


Sussurrar a brisa que passa
Dizer em voz baixa... Segredar
Sussurrou-me ao ouvido
Um nada a dizer
Que talvez tudo tenha dito.

(.)

09 fevereiro 2012

Dentro da minha caixinha


Escondida dentro de uma caixinha o dia passa devagar. Lilás é a cor da caixinha que estou. Tranquei o tempo para esconder os medos. Abafei lembranças dentro da minha caixinha e reservei espaços para o que só me faz feliz. Há algumas frestas por onde a luz entra de mansinho e colore o escuro dos pensamentos. Talvez eu já fosse livre das minhas coisas. Não me importo em perder, dar... Doar. Mas aqui dentro eu guardo o que ninguém pode ver. É sentimento poetizado que se colore quando encontra um papel. Escrever é minha arte. Procuro refinar as emoções e assim vou decorando a minha caixinha. Limpo e renovo sempre a minha poesia. O segredo é que me escondo dentro dessa caixinha e a verdade ainda não encontrei. 

(.)

30 janeiro 2012

Descortinar


Avistar e descobrir o longe enquadrado a minha a janela
Revelar ao olhar o prazer da descoberta
Descortinar o palco nu é conhecer
Despertar a subjetividade para alimentar a alma.
Apegar-se a realidade que descortina
É ser a própria essência
O translúcido que permite a luz navegar.
Do magenta e do azul
Transformei-me em violeta.
Puxar a cortina do pensamento e deixar a esperança entrar
Descortinar o véu
Desbravar o céu
Ousar voar
Enfeitar a janela com violetas e deixar irradiar.
(.)


26 janeiro 2012

Deixa levar


Deixa passar essa ventania
Deixa levar essa poeira que acumulou entre nós
Fiquemos a sós.
 Vamos retomar o que ainda não começou
Reescrever essa linda história
Rabiscar os erros e apagar na memória
Viver entre nós
Entrelaçados pela vida que nos uniu.
Quero amarrar meu eu em você
Presentear-te com o meu coração
E Em troca quero seu olhar misturado ao seu sorriso
E um beijo para eu nunca esquecer.
(.)


20 janeiro 2012

Incógnita


És à noite aqui me acolhendo
Abraça forte a esmagar
Em volta a brisa suave a acompanhar
A luz do abajur ilumina um meio rosto
Que o outro pertencer à escuridão...
Em sombra posso me ver.

Ser incógnita instiga saber procurar
Desvendar os mistérios que flutuam a minha sombra
Sou maior do que posso ver.

Estou a resolver a equação que paira a vida
Em desconhecido...
Fico aqui a esperar
É manhã!
(.)

18 janeiro 2012

Violeta


Vivendo de grão em grão e construindo minha poesia
Perfumando o universo com as palavras mais bonitas
Regando a violeta para florescer
Ascendendo incensos para renascer
.
Na leveza da flor introvertida eu encontrei meu refúgio
Aprendi a captar o meu próprio segredo
E a dizer levezas que ninguém poderá dizer
.
Tatuei a poesia e agora tatuarei você.

(.)

27 dezembro 2011

Sentindo o sentido que é só meu...


O que se perde enquanto os olhos piscam?

A evidência do significado único
A ilusão e algo que me dê à sensação de estar viva

Um esqueleto que vive e pinta
A escolha de ser artista
O poder da arte e nada mais
O estar no palco e ir ao teatro

A era da hipertransparência
A descrição guardada, e lançada a pó por outros indiscretos

O amor passível de ser combinado
O real esquecido
A ausência da verdade

O quarto novo decorado a pisca piscas
A cadeira virada
E o equilíbrio que acabou e virou

Você 9/5 Eu 9/5

A incerteza que trouxe inspiração

A semana sem chocolates

A intensidade de estar feliz

A mistura liquidificada
O momento de descoberta

A sala 5

A dinâmica

As cartas de um poema de amor que ainda não escrevi

A sala 2 e o amor que não tem fim

A segunda para se fragmentar
Os barquinhos a navegar

A necessidade de amar
Mas o que é o amor?

A casa vazia sem o ballet

O cabelo pintado com luzes do dia
O quebra mar

Os dias de ensaio
As listas
As previsões diárias
A cobrança de algo que eu dispus a jogar no universo

Os versos executados
A noite em Paris

Os sonhos para vestir
A liberdade em cachoeiras
O piquenique do amanhecer

O final que antes era início
Abriu e agora fechou as portas
Do que antes desconhecido
O destino eu moldei.
FIM, 2011!

(.)