09 fevereiro 2012

Dentro da minha caixinha


Escondida dentro de uma caixinha o dia passa devagar. Lilás é a cor da caixinha que estou. Tranquei o tempo para esconder os medos. Abafei lembranças dentro da minha caixinha e reservei espaços para o que só me faz feliz. Há algumas frestas por onde a luz entra de mansinho e colore o escuro dos pensamentos. Talvez eu já fosse livre das minhas coisas. Não me importo em perder, dar... Doar. Mas aqui dentro eu guardo o que ninguém pode ver. É sentimento poetizado que se colore quando encontra um papel. Escrever é minha arte. Procuro refinar as emoções e assim vou decorando a minha caixinha. Limpo e renovo sempre a minha poesia. O segredo é que me escondo dentro dessa caixinha e a verdade ainda não encontrei. 

(.)

30 janeiro 2012

Descortinar


Avistar e descobrir o longe enquadrado a minha a janela
Revelar ao olhar o prazer da descoberta
Descortinar o palco nu é conhecer
Despertar a subjetividade para alimentar a alma.
Apegar-se a realidade que descortina
É ser a própria essência
O translúcido que permite a luz navegar.
Do magenta e do azul
Transformei-me em violeta.
Puxar a cortina do pensamento e deixar a esperança entrar
Descortinar o véu
Desbravar o céu
Ousar voar
Enfeitar a janela com violetas e deixar irradiar.
(.)


26 janeiro 2012

Deixa levar


Deixa passar essa ventania
Deixa levar essa poeira que acumulou entre nós
Fiquemos a sós.
 Vamos retomar o que ainda não começou
Reescrever essa linda história
Rabiscar os erros e apagar na memória
Viver entre nós
Entrelaçados pela vida que nos uniu.
Quero amarrar meu eu em você
Presentear-te com o meu coração
E Em troca quero seu olhar misturado ao seu sorriso
E um beijo para eu nunca esquecer.
(.)


20 janeiro 2012

Incógnita


És à noite aqui me acolhendo
Abraça forte a esmagar
Em volta a brisa suave a acompanhar
A luz do abajur ilumina um meio rosto
Que o outro pertencer à escuridão...
Em sombra posso me ver.

Ser incógnita instiga saber procurar
Desvendar os mistérios que flutuam a minha sombra
Sou maior do que posso ver.

Estou a resolver a equação que paira a vida
Em desconhecido...
Fico aqui a esperar
É manhã!
(.)

18 janeiro 2012

Violeta


Vivendo de grão em grão e construindo minha poesia
Perfumando o universo com as palavras mais bonitas
Regando a violeta para florescer
Ascendendo incensos para renascer
.
Na leveza da flor introvertida eu encontrei meu refúgio
Aprendi a captar o meu próprio segredo
E a dizer levezas que ninguém poderá dizer
.
Tatuei a poesia e agora tatuarei você.

(.)

27 dezembro 2011

Sentindo o sentido que é só meu...


O que se perde enquanto os olhos piscam?

A evidência do significado único
A ilusão e algo que me dê à sensação de estar viva

Um esqueleto que vive e pinta
A escolha de ser artista
O poder da arte e nada mais
O estar no palco e ir ao teatro

A era da hipertransparência
A descrição guardada, e lançada a pó por outros indiscretos

O amor passível de ser combinado
O real esquecido
A ausência da verdade

O quarto novo decorado a pisca piscas
A cadeira virada
E o equilíbrio que acabou e virou

Você 9/5 Eu 9/5

A incerteza que trouxe inspiração

A semana sem chocolates

A intensidade de estar feliz

A mistura liquidificada
O momento de descoberta

A sala 5

A dinâmica

As cartas de um poema de amor que ainda não escrevi

A sala 2 e o amor que não tem fim

A segunda para se fragmentar
Os barquinhos a navegar

A necessidade de amar
Mas o que é o amor?

A casa vazia sem o ballet

O cabelo pintado com luzes do dia
O quebra mar

Os dias de ensaio
As listas
As previsões diárias
A cobrança de algo que eu dispus a jogar no universo

Os versos executados
A noite em Paris

Os sonhos para vestir
A liberdade em cachoeiras
O piquenique do amanhecer

O final que antes era início
Abriu e agora fechou as portas
Do que antes desconhecido
O destino eu moldei.
FIM, 2011!

(.)

17 dezembro 2011

Na preguiça

A fuga da liberdade raptou a última gota de esperança
Arrumei pra desarrumar, e por fim, valeu de nada.
O que cansa é pensar e repensar e nada ter
Ver labirintos e não saber escolher caminhos a seguir
A dúvida de sempre, aquela de toda hora
A preguiça de querer contamina as desilusões
E as vontades congelam na demora.
.
A rotina bagunçada virou o prazer de caminhar
Na corda bamba prestes a cair é que sinto o perigo
Devoro o medo a possuir e saio um pouco das metodologias
Rasgo a agenda que carrego na bolsa e espalho meu dia a dia
Deixo de lado as reticências a fim de colocar pontos finais
Re (começo), (re) começar...
Alcançar.
.
Preguiça de querer,
E por hoje esconder nas cobertas.
(.)

12 dezembro 2011

Variando

Quando não há limites entre o céu e o chão eu corro solta
Solto as fraquezas envolvidas por angústias pelo desejo de libertar
Liberto as palavras escondidos pelo medo do não dizer
Digo em berros altos e ritmados a palidez da voz calma
Acalmo a inquietude desse pobre coração que deseja um, dentre tantos, você.

Atira no escuro o corpo despido e embaralha os ponteiros que giram
Gira na contra mão da linha do destino
Destina a alma que se mistura em tintas frescas a derramar
Derrama nas telas pálidas que já famintas de cores a devorar
Devora a face que de sede deseja algo que cure a fome de viver.

(.)

08 dezembro 2011

Dormi

Acorde , Acorde, Acorde
Ele gritava.
É possível/ permitido um dia não querer acordar?
A fantasia e os sonhos misturados a vontade fazem a gente delirar
Delírio este que se perde e que se encontra em noites de pensamentos
Pensamentos estes que são fantasias
Fantasias estas que nos levam a magia
A vida podia ser sempre leve como a poesia.
(.)

18 novembro 2011

tatuagem

Toco na feriada que criei e sinto a cicatriz em minha pele
Tatuei a poesia, a fiz sangrar e viver eternamente em mim
Meu sangue se misturou e escorreu pelas letras que acompanham o seu, e o meu coração
Somos nós, a sós
Pertenço a você e você ao meu pertencer
-Uma só-  
Do meu útero dei-lhe a vida, a você POESIA!

(.)

14 novembro 2011

Elas

Era o dia delas...
Pelas ruas espalhavam suas graças de tanto rir
Era o dia em que um dia o cinema se tornou a parte do todo que fez a parte
Era a fofoca misturada com tantas histórias, um verdadeiro baú de memórias.

Era a Gabi e a Thaíssa 
Era a Thaíssa e a Gabi
Era eu e você
Éramos nós
Era eu, ela, e você...

Era a confusão da semelhança, a afinidade e infinidade
Eram as ruas de botafogo, o cinema, a livraria, as fotos, a tijuca e o mousse de chocolate
Era a parte do que somos pelo o que antes construímos
Era o ontem, o hoje e o agora
É amanhã, depois e o talvez...
É sempre
É surpreendentemente.

É o livro das nossos vidas, as nossas rimas
É a contaminação da alegria
É a energia explosiva
É a vida que interessa e a gente apressa
É o mergulho
É a escolha
É querer muito e não querer nada
É quando tudo e nada ter.

É a sintonia que se completa pela falta que a outra possui
É a memória que cada uma guarda em lembranças engavetadas.

Era o destino certo
É o encontro previsto
Era eu
Era você
Sou eu
É você.

Era o passado da infância
É o presente que canta
E o futuro que vai ser.

São os planos e as conquistas
É a sua vida e é a minha
É a nossa possibilidade calculada em poesia...

É a previsão que sempre se concretizou... eternamente!

Ela, a você.

( Para uma amiga muito especial )

12 novembro 2011

(Eu e você)

falta o riso colado ao canto da boca
e as reticências a infinitar...
descardo seu ponto final.
quero suas vírgulas após suas palavras, e reticências ao que não se sabe dizer...
seus textos falados a berros estridentes talvez eu queira ouvir.


falta o riso colado ao canto da boca
e a sua boa colada a minha
falta o ponto final do beijo e as reticências pela falta do que dizer.

(Eu e você)

(.)

adiante

adiante com a vida
adianto o destino
diante de adiantar,adianto o hoje a ser amanhã, e amanhã o depois, que depois o infinito adiantar.

(.)

26 outubro 2011

O mendigo escritor

 

Dono das ruas e vestindo trapos gastos o mendigo caminha, a caminhar...

Aproveita os numerosos papéis que são jogados em sua casa e escreve suas lindas histórias, em tons de fantasias, pela falta de sua própria vida. 

Sozinho nas manhãs e madrugadas ele fica a observar...



O café que começa o dia

O pão fresco da padaria.

Vê o todo, o dia dos outros e então se preenche.

Escravo do aprisionamento da sua própria solidão ele caminha, a caminhar...

Intimida aqueles que fazem parte de suas tantas histórias rabiscadas em velhos papéis...

Espera um bom dia, que nunca sai de nenhuma boca, pois todas estão ocupadas demais.

Espera um olhar, mas todos os olhos estão preocupados com o si, que não cabe mais ninguém.

Abraço? Esse sim ele sabe que é loucura. Que louco seria capaz de abraçar um mendigo que vive pelas ruas tomadas pelo suor de cada dia?


O que ele queria era um momento como um sujeito, sentir ser amado, ou pelo menos uma lamentação de alguém capaz de enxergar a falta que ele é, e o todo que ele pode ser.

Ele continua suas histórias imaginárias na esperança de um dia poder deixar de ser apenas um objeto das ruas cruas, e entender, fazer entender, fazer conhecer essa falta de algo que ele ainda sente.

O mendigo caminha, a caminhar.


(.)

21 outubro 2011

Hoje estou assim

De hoje em diante serei o que sou no instante agora.
Quem dera... Quem me dera ser assim...

Tem dias que involuntariamente estamos felizes
Nada de especial, porém um dia especial.
Hoje estive assim... Ainda estou... Eu assim...

Acordar com uma sensação de que o dia está pronto a te abraçar
Permite uma calmaria, uma confiança misturada com uma incerteza
Que a pureza encontra a proeza a caminhar...

Simples sentimentos, às vezes, chegam perto do ouvido e sopram esperança de dias melhores
E assim continuo incerta, mas com a certeza que além de hoje outros dias (felizes.) virão.

(.)

22 setembro 2011

Espelho, espelho meu

Hoje comecei mudando meu quarto...
Abri o armário e o espelho que me vê
Via-me a revelar...
-         E essa é ela que não é?
O agir do tempo amadureceu o futuro
Que este presente estou.

Fui acostumada a fingir que nada acontece lá
(Fiz o favor de mentir)
Assim não me sufocam
E eu vivo tudo o que aqui acontece... Dentro e só de mim.
Eu tenho lugares lindos
E muitos ainda não conheço
Mas não tenho pressa, pois não quero tropeçar em meus pés
Deixo-os a caminhar suavemente e sigo o que sei ser a hora certa
O meu destino, às vezes, me convida para um chá...
Recebe-me gentilmente e abraça forte este corpo meu a pertencer.

Não quero o mundo inteiro
E sim uma parte a me encaixar...
Não pretendo ser dona de mim eternamente
A propriedade do meu "eu" às vezes cansa
E o cansaço faz o espelho deixar de conhecer
O que um dia foi para o que hoje é...

Amanhã vou olhar para frente e assim conseguirei me enxergar melhor.
(.)










17 setembro 2011

Licor da meia noite

Nasce madrugada espalhando o calor frio
Eu, aqui, como sempre, de costume
Sirvo-me do licor para aquecer minha noite
Sinto em meus lábios o doce ardente antídoto
O amor que já provei, há tempos atrás
Esquecera eu o sabor
O cheiro e
O calor...?
Estive isolada em minha própria solidão
Pintei o vazio em lindas aquarelas
Para esconder as lágrimas delas
Disfarcei o que sou para esconder o que nem sei bem se sou
Eu quem em mim sente.
Descombinei as cores
Abandonei a falta que eu fiz crescer
Arranhei as portas de madeiras de tantas lamentações
Nem ao menos descontei em minhas poesias
Ainda bem. A sanidade falou mais alto... Em berros curtos que pude ouvir
Preservei a última gota que me acalma... Em berros longos que ninguém pode ouvir
Cá estou eu, aqui, como sempre e de costume
Falando em um tom baixo, ouvindo apenas o toque da caneta no papel
Com meu licor de um lado
E do outro lado o vazio,
... de sempre, que está prestes a mudar!

(.)



Quero beber o licor de ti (.)

07 agosto 2011

Apenas troquei de lugar


Chego a pensar que parei de pensar
Estive na solidão de meus pensamentos
Flutuei sobre o medo que eu temia
Alcancei a nuvem mais alta pelo prazer de fugir
Cambaleei tropeçando sobre meu pés
Desviei a atenção da minha vida
Fui viver, outra, nova... vida
Particularizei um mundo meu particular
Vivi o desconhecido do meu íntimo
Mergulhei fundo no meu inconsciente
Dancei nas águas profundas de uma legítima calmaria
Aqueci o peito com o suor do meu abraço
Revirei meu interno
Escondi meu externo
Apenas troquei de lugar...
Voltei ontem a mim
Ao EU que vivo, sorrindo...
Hoje estou Feliz!

(.)