16 setembro 2012

Poetar


A inspiração falou alto durante o dia. Seu compromisso era com a poesia. Com a arte de criar imagens, de sugerir emoções. Queria ser tocada, sensibilizada. A poetisa era movida a emoções. O dia sugeriu um encontro com sua arte mais íntima, tocou cada objeto, cada ser. A vida ganhou tons suaves e peculiares. O olhar atento fotografou os detalhes, as formas e o movimento. Tudo calmo como deveria ser. Era um dia propício para captar segredos e mistérios. As palavras dançavam ritmadas e envolviam a existência. Era fácil o encontro, as palavras se reuniam na tentativa de exprimir o sentir. Uma sintonia perfeita. Ela não fazia esforços para conseguir expressar e as palavras não corriam soltas  pelas suas mãos. Tudo estava como deveria ser. A poetisa acalmou o peito e sorriu feliz por mais um dia de grandes inspirações.

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Fim.


Uma dose de licor para queimar a garganta e esconder verdades que ele queria dizer. Socava a parede e sentia dor até sangra para não dar na cara dela. Ele mudou. Mudou com o tempo, os dias, a rotina. Sentiu-se incapaz de ser o que um dia havia sido. Era jovem. Jovem demais para saber que o casamento acaba com o amor. Conviver ele não conseguiu. Não conseguiu conviver com ela. Ela possuía sua liberdade e não abria mão de ser livre. Ela que sempre fora menina doce, perdera sua doçura com palavras azedas. Tinha ódio de dizer e odiava sujar a boca com palavras imundas. Mas ele era arrogante demais. Esquecera as palavras bem ditas. Ele cansou de ler seus versos, achou aquilo perda de tempo demais. Eles não sabiam mais o que era conversar. Sentavam-se cada um de um lado. O sofá que antes era grande para acomodar os corpos entrelaçados, tornou-se pequeno na tentativa de criar barreiras para evitar qualquer contato. Tudo se perdeu. Os sorrisos pela chegada, os pequenos gestos, o coração acelerado, a respiração ofegante. Tudo não passava de bobagens. Ela, um dia, abriu a porta e não voltou mais.

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Como deve ser


E desde então nenhum dia escapou da lembrança daquele fim. Sua sede era tanta, era sede de poesia. Mas agora não sabia o que fazer com tantas palavras rabiscadas em velhos cadernos. Deixou-se transparecer demais e revelou seus mistérios. Agora sofria por ver desconhecidos invadirem seu sossego. Seus segredos eram notícias. Tapava os ouvidos na tentativa de abafar os sons, não queria ouvir os dizeres, ditos em bocas sujas de vulgaridade. Estava indefesa. Temia quem se aproximava. Seu conforto era uma velha casa empoeirada, herança da família. E seu divertimento era ver as gotas de água que escorriam pelos velhos papéis que abrigavam seus versos. Borrava o passado, mas não o apagava. Chora, mas permanece. Desenvolve no silêncio e no escuro, onde a referência é só palavra. Suas palavras unidas que formam sua essência. E mesmo sem a vontade de escrever, seus movimentos são poetizados. Nada em vão. Apenas leve, como deve ser.

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15 setembro 2012

In. Love

Ultimamente tenho tido preguiça de me apaixonar,
Olhar o outro se tornou normal quando não há expectativas
 A agitação dos dias tem bloqueado os sonhos, e são neles que eu te vejo,
Você ainda é fantasia.
Minha criação imperfeita, pois há você atribui defeitos,
Defeitos estes que valaerão a pena corrigir, tô afim de te ensinar e aprender.
Vou deixar essa preguiça de lado e começar olhar a minha volta,
Quem sabe você não sumiu dos meus sonhos para aparecer na minha realidade?

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In love

05 setembro 2012

Dias Felizes


Com o riso frouxo e a gargalhada no canto da boca. Gargalhava alto e seu escândalo transmitia felicidade. Era uma nova fase para a acomodação bater asas e trazer a agitação nos dias. Amadurecera com o passado tão presente e fizera nascer uma nova esperança. Cuidar de si, ela queria cuidar mais de si. Aproveitar as deixas que a vida começara a mostrar abrindo portas, novas portas que ela, talvez por medo, não quis abrir. Agora ela era mais forte, sentia seu coração bater no mundo e sua presença ganhar forma. Não precisava mais inventar alguém que ela gostaria de ser, o que ela se transformara bastava. A dualidade em que ela vivia com ela mesma somava-se a liberdade, e sua prisão dentro de si fora libertada. A risada leve era de alívio. Alívio, enfim, de se permitir deixar ser... Suspiros!

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27 agosto 2012

Bossa minha


Depois de um banho a saudade do que foi deixado para trás. Vontade de guardar a água que escorria e lavava o suor do dia. Bons tempos de menina descobrindo a vida. Sem medo de nada, com a vida toda planejada. Menina sonha. E os sonhos muitas vezes mofam na memória. Aonde será que me perdi deles? Essa vida tão agitada não abre espaço para sonhar. Falo de sonhar acordada. Tem coisa melhor? Sonhar com o que temos vontade, distante ou não, sonhar por sonhar. Custa nada.Eu sonho. Talvez eu sonhe em ser aquilo que escrevo. Aquilo que sai de mim e se desenha no papel. Mas certeza eu tenho que escrever é terapia. Ler aquilo que se escreve é o melhor remédio. Eu já encontrei a melhor forma de fazer análise. Tô numa bossa tão minha. Quero saber de ninguém do meu lado. Ultimamente tenho me completado bastante. E quando a falta e a carência batem na porta, elas trazem chocolate. Posso até estar sendo egoísta. Mas egoísmo por mim mesma não faz mal. Tô só feliz comigo. Fase boa para produzir, focar, planejar e fazer acontecer. E aqueles sonhos de menina ainda não deixei para trás. Tirei só o mofo e dei uma olhadinha pra não esquecer. Agora vivo outros, mais consistentes, fantasiar não tem problema, mas viver na fantasia é preocupante. E quando eu era menina eu vivia numa fantasia só minha. Criei um mundinho especialmente meu. Com o passar dos anos e a maturidade tive que abrir mão de cuidar de lá e cá ao mesmo tempo. Tranquei o mundo de lá, e resolvi ficar só aqui. Mas que falta eu tenho, e confesso que às vezes meu refúgio se torna lá. É, eu dou minhas escapadinhas. Fecho os olhos. Deito no chão. Quando acordo estou sozinha. Pequena e vulnerável diante da imensidão que antes me tomara. Estou leve. Entrei nos meus sonhos de menina e resgatei você. Quem eu sempre esperei chegar com sua bolsa de poesias e seu caderno de piadas pra gente se ocupar ao longo da madrugada. Você que sempre chegou acompanhado de violetas. Deixar escapar esses sonhos não deve ser o mais sensato. Faço um afago leve,enquanto você sorri da minha falta de jeito.
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05 agosto 2012

Relações líquidas


Arrumar o cabelo, escolher a roupa especial. Vestido? Saia? Calça? O sapato... Scarpin? Peep toes? Sapatilha? A make mais suave com tons puxados para o marrom? Ou o olho Black, marcado sem fim? O batom virou moda. Mas o vermelho combina com essa roupa? E a bolsa precisa combinar com o sapato?  Perguntas sem fim, mas que fazem parte de algumas horas antes da balada. Mulheres querem sempre estar bonitas, com a melhor roupa, o cabelo mais brilhoso, o sapato ideal, a maquiagem perfeita. A noite possui concorrência e você acaba precisando fazer parte do padrão de beleza, com a roupa da moda. A caça estimula os olhares e você precisa estar em sintonia com o ambiente. Chamar a atenção, às vezes não é fácil, e por isso requer competência. Dançar mexendo suavemente nos cabelos, olhar distraidamente. Quando você observa as pessoas a sua volta percebe o jogo que acontece nas baladas. Os homens não cansam de inventar cantadas e de mentir descaradamente, quantas para eles não “eram as mais bonitas da noite”? ou, para quantas eles não falaram ... Estou apaixonado por você? E mesmo com tantos jogos, tantas trocas de olhares e elogios sem fim, a noite é vazia. Nunca houve tanta liberdade na escolhas de parceiros. A concentração no movimento da busca perde o foco do objeto desejado. Daí a popularidade dos pontos de encontros. As pessoas saem para evitar o tédio e o conflito da vida em comum podem se tornar opções que se configuram como uma saída que promete uma relação com um nível de comprometimento mais fácil de ser rompido. Duram muitas vezes apenas uma noite. Sem direito de trocar telefones e muitas vezes sem mencionar nomes. É como procurar um abrigo sem vontade de ocupá-lo por inteiro.Afinal, por que os corpos, os encontros , as conversas e os amores escorrem pelos dedos e se esvaem sem retorno como água? As relações se tornaram líquidas e passam rapidamente sem que sintamos o seu gosto. O ter prevalece ao sentir, e a solidão se torna um sentimento quase comum num mundo onde a comunicação é tão fácil (virtualmente) e tão difícil (realidade).

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12 julho 2012

Sossego


Luz baixa, redes e chá.
A sala estava aconchegante pelo vazio e pela pouca luz que se podia ver
A energia dominava e preenchia; o ar tinha gosto de erva doce, camomila, canela...
Era simples, leve, suave. Podia tocar, sentir e provar.
Foi uma tarde silenciosa do caos da cidade, do falatório das ruas. O olhar repousou de tanta informação dos dias.
Desejei estar ali mais um pouco, por mais algumas horas. Mas a realidade sempre te puxa para perto, e avisa que o sossego não deve durar por muito tempo.
Quando se sossega demais fica difícil de retomar a agitação, a rotina clichê.Pena! Que pena o mundo estar tão tumultuado.
Tumultuado de gente, de informação, de prédios, carros, fumaça, poluição. Dói. É difícil encontrar aonde sossegar e como silenciar.
E silenciar é preciso.
Às vezes é preciso silêncio. Por favor?Obrigado!

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16 junho 2012

suspiros


Se eu pudesse guardar numa caixinha, eu guardaria as emoções vividas. Sabe aqueles momentos especiais em que vivemos emoções intensas? Eu guardaria cada um. As emoções vividas nunca são as mesmas. Apaixonar-se uma, duas, três... E tantas vezes nunca é igual. Por mais que o sentimento seja o mesmo “o de estar apaixonado”, o do frio na barriga, as borboletas no estômago, sempre existe alguma diferença... Conhecemos através de cada experiência uma nova emoção, um novo sentimento que estava guardado doidinho para nascer. Ah as emoções! Eu experimento tantas quando escrevo. Se eu pudesse eu guardaria todas dentro da minha caixinha pra reviver sempre que a saudade apertasse.

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12 junho 2012

Pseudônimo


Alice apareceu de novo.
Dessa vez Alice estava bêbada, embriagada de tanta dor.
Ferida dos pés a cabeça, Alice gritava.
Queria libertar as angustias que possuía.
Alice andava roubando minhas noites
Entrava em meus sonhos tornando-os pesadelos.
Alice era eu enquanto eu dormia
A sua dor virou a minha;
As suas angustias viraram as minhas
Eu gritava.
Alice me roubou de mim.

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22 maio 2012

Alice


Alice veio até aqui confrontar o silêncio escondido em baixo das cobertas.
Puxou o cobertor na tentativa de libertar o corpo, ainda adormecido, envolvido por uma preguiça constante.
Olhou fixamente como quem quisesse entender... Conhecer.
Sentiu um aperto no peito ao perceber que era humana demais e, portanto impotente para controlar a sublimação que envolvia a alma.
Alice quis libertar a dor colhendo as lágrimas de tristeza, abraçou.
Abraçou-me na tentativa de sugar os males provocados pelo mundo em feridas expostas na pele.
Desejou ser eu. Quis entrar em mim.
Alice era eu?
Alice vive em mim?

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20 maio 2012

Obra de Arte


A artista que virou sua própria obra esquecera-se de si
Borrou os olhos de sangue com lentes de contato
Bagunçou o cabelo até tornar-se desgrenhado
Vagou.
Deixou de lado tudo aquilo construído
Quis ser a arte
Intocável.
Distante de todos que só podiam apreciar.
As obras de artes são feitas para serem apenas apreciadas
O toque tira a sua riqueza e divindade.
A artista nasceu de sua arte
E hoje descobriu que sair dela mesma é NASCER (de novo) numa nova obra.

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19 maio 2012

Psiu


Psiu...


É hora de dormir!


Psiu...


Apague as luzes!


Psiu...


Sonhe comigo!


Psiu...


Te amo!

(.)

09 maio 2012

sede


Hoje foi dia de alimentar a alma
Convidei-me a passear.
Preciso tanto desses momentos íntimos
Preciso tanto de mim e dessa voz que fala quando só tenho a minha companhia.
Andei por tantas ruas
Visitei tantos lugares. Fui além
Parei numa feirinha oriental, presenteie-me.
Adoro bijus e objetos orientais.
Vaguei sem pensar
Andei pelos caminhos que conheço pela intuição
Não tive medo da escuridão e nem dos becos que passei
Deixei meus pensamentos como borrões em cada esquina
Fiz-me presente na própria ausência que eu senti.
E por um momento o silêncio tomou conta das esquinas
Ouvi apenas a minha voz que parecia falar alto,
E no final da minha caminhada senti sede
Pensei na sede que tenho sentido ultimamente
Na vontade de ser mais.
Olhei a minha volta e vi um mendigo
Ele parecia tão seguro de si
E ao mesmo tempo a minha escuridão foi tomada pelas luzes de um bar
O meu silêncio havia sido quebrado pelas vozes alheias
Mas a minha atenção fixou-se ao mendigo, ao silêncio que ele possuía,
E entendi que por mais que a minha sede fosse grande,
Era sede de água.

(.)



30 abril 2012

Esta noite

Se entendes o seu amor
Ajude-me a entender
Por ti eu dei tudo
Arrisquei sem pensar
Hesitei.
Parei pra pensar
Percebi que os ventos são constantes quando estou com você
A ventania uniu o que eu um dia chamei de nós.
Olhei-me a mim, e vi em mim seus olhos
Seu devorar dominou meu corpo
 Entendi sua pretensão em me querer
A vulgaridade da sua voz consumia o meu redor
Desejei ser mais do que você queria
Aumentei o meu ao redor no todo que eu pude construir
Mas você destruiu minha arquitetura
Afogou meus sonhos no seu mar
Sua grandeza te predominou
Fez de mim um diminutivo do que você era
A minha imperfeição você quis moldar
Quis esculpir a perfeita delicadeza
 Não percebeu minha brutalidade
 A mulher noturna que se alimenta de escuridão
Escapei de você
 E ao mesmo tempo de mim.
Olhei-me com os olhos teus e vi você dentro de mim
Acabou com tua vida e mesmo assim
Decidiu levar a minha.
E há um tempo eu esperei
 E há um tempo que eu vinha esperando
 Você entender/a mim
 Olha-me de novo
E mais atento. (.)

29 abril 2012

E por falar em batom cor de rosa...


Ainda menina, talvez eu seja apenas uma menina...
Não por medo de crescer.
A mulher que existe ainda usa as sapatilhas de ballet,
Deixa de lado o salto agulha e deseja só dançar.
Troca o vestido preto pela saia rodada e deseja sonhar.
A mulher-menina, a menina-mulher... Eu!
Apenas eu,
E um frio na barriga pela chegada da primavera.


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28 abril 2012

Desconhecida


Tranquei a porta e fui conhecer o desconhecido
A minha realidade conhecida eu deixei para trás.
Mudei.
Transformei o que eu fui no que sou presente
Calei as palavras mal ditas
Silenciei o medo que acovardava.
Fui.
Bati a porta.
Joguei a chave fora num poço sem fim
Corri longe
Cheguei ao mais longe que pude ir.
Distanciei a aproximação de mim
Esqueci do meu nome.
Tomei outro rumo ao virar à esquerda
A direita que me pertencia eu apaguei.
Soltei as lágrimas, as tantas que guardei
Por fim, a porta estava trancada
Eu mesma a tranquei
Eu volto a minha realidade ao olhar no buraco da fechadura.

(.)




23 abril 2012

Quebra-Cabeça


Dias corridos
Horas bem aproveitadas
Ousei.
Encaixei mais uma arte em minha vida
Além da poesia, pintura, teatro e cenografia
A dança ganhou destaque.
Completei mais uma parte do que me faltava.
Ainda possuo espaços vazios, mas a graça é encaixar.
Às vezes dá errado, mas quando acerto algo se transforma.
Eu me transformo, e é assim a cada dia.
O meu quebra cabeça aos pouquinhos vai ganhando novas peças,
E confesso não ter pressa de concluir, de me concluir.
Devagar e a cada dia eu acrescento uma nova peça/em mim.

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08 abril 2012

Espera


Fluir. Deixar fluir. Ir devagar. Em passos cautelosos eu deixo a sede para trás. Imaginação. Imaginar a cena mais bonita. Morro de desejar. Esbarrar. Cuidado. A bolsa no chão. Pertences jogados. Você. Eu. Abaixados. Olhar. Meu. Seu. Conhecer. Possível? Rezo ao papai do céu.

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03 abril 2012

Romeu no meu closet


Acordei mais tarde, permiti ao meu corpo um maior descanso
Espreguicei num bocejo que hoje durou mais do que de costume
Fiquei deitada por estar.
Apreciei a manhã jogada à minha cama
Enrolada aos lençóis
Abraçada pelos travesseiros
Que preguiça!
Sentei a mesa. Tomei café da manhã que por dias havia esquecido
Torrei o pão e passei requeijão
Comi salada de frutas, e,
Que delícia ver chocolates pela manhã.   
Deitei novamente, mas agora no sofá
Liguei a TV e advinha: Romeu + Julieta.
“O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem.”
Que frase doce, ainda pela manhã.
Entrei no closet, revirei minhas roupas
Que preguiça de escolher
Que preguiça de arrumar.
Deitei ali. Entre o que visto e o que sou.
Confundi.
Hoje estou confusa.
Que preguiça de levantar.
Olhei a cama ainda desarrumada e,
Os livros jogados que ainda não li
Preferi fechar as portas do meu closet e adiantar a noite.
Dormi.
Sonhei com você que ainda não conheço, mas sei que está por perto
Hoje desejei logo o meu Romeu, mesmo não querendo ser a  Julieta.

(.)