29 setembro 2012

Dobradiça gravada com o seu nome

Hoje passei pela portaria do meu prédio e surpresa eu tive ao olhar a dobradiça da porta e não encontrar seu nome. Pois é, existe uma marca com o seu sobrenome e ela estava tão perto de mim. Todos os dias ao sair e ao chegar abria a porta e, me lembrava de você. Era involuntário não passar e não olhar. Tinha o prazer de conferir sua presença distante que por anos se manteve ali. Até mesmo quando já não existia o nós. Eu nunca te contei porque achei bobagem, sempre me achei boba por esperar encontrar você bem ali no meu hall. Senti-me protegida pela sua ausência, usei desse refúgio para te encontrar sempre que sentisse saudade. Boba. Tola. E hoje ao entrar, te procurei... Mas não achei seu simples nome. E senti que te perdi faz tempo. Anos atrás. Usei dessa ilusão, de ter sua presença todos os dias, e esqueci que você foi embora faz tempo... Agora você se foi por completo, sumiu da minha dobradiça gravada com o seu nome.

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27 setembro 2012

Insônia

Incapaz de alimentar a própria fome
Horas encostada ao fogão
E em vão...  O arroz queimou.
Atira a panela
O grito vira tosse
O ódio gera dor.
O espaço era pequeno demais para acomodar ela e suas desilusões
Ela era grande e por isso explodia.
Quase não cabia dentro de sua sobriedade
E mesmo assim bebia ao acaso que se permitia.
O som ensurdecia e envolvia a fumaça  perfumada de silêncio e incenso.
Seu pretexto consolador era o cansaço aliado a sua cama
Bagunçava o lençol num desmaio sem sono...
...Era insônia.

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Sossego e desabafo

Permanece e domina
Alimenta e digere
Flui, deixa fluir sem compromisso,
O corpo estático compôs fluidez
Movimenta e envolve
Balança e entorpece
Pazeia e cante
Encante
Engole
Cuspa a culpa
Argumente e olhe
Adormeça e desfrute
Verbalize sentimentos
Poete e transmita
Comece e termina
Sossego e desabafo.

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24 setembro 2012

A casa é sua


Resolvi te escrever bem rapidinho, é que eu tô com pressa, ainda tenho que sair e ganhar a vida, depois fazer compras (é, a minha geladeira continua vazia desde que você se foi...) ainda tenho que pintar o meu cabelo, é, ainda tô nessa de luzes californianas. Eu sei que você gosta, até elogiou o meu cabelo antes de ir embora. Eu lembro como se fosse hoje, eu sei que foi ontem, mas é que pra mim parece eternidade. Eu peguei suas roupas na lavanderia, quer que eu guarde na sua parte do armário? Tá vazia, não se preocupe que ainda não tomei pra mim. Gosto do aperto que se tornou meu armário quando te recebi. Até hoje não encontrei tudo, mas se já encontrei você, me basta. Ah, os seus livros, alguém do nome engraçado veio buscar. Quem é ele? Nunca conheci seus amigos, você sempre se escondeu dentro de você, e nunca conheci quem de fato te conhece. Acho que sou a única que conversa com você, alguém mais? Também eu não sei, quando você sai para seus ensaios, eu não sei quem você encontra. Nem conheci tua família. Você tem família? Desculpa, eu sei que você não gosto de falar, mas é que eu não sei aonde achar você. Te procurei aonde senti seus passos, fui ali no bar da esquina, na livraria e no café. E nada! Andei até por onde não conheço na tentativa de achar você perdido, perdido de mim e de tudo por eu não conhecer sua verdadeira morada. Eu sei que quando te abriguei não quis saber de nada, respeitei seu silêncio acreditando que um dia você fosse se abrir. Em vão! Aliás, aonde você trabalha? É que eu nunca entendi esses seus ensaios se nunca, de fato, assisti suas peças. Você é ator? Nunca te vi por ai atuando... que seja. Eu não quero falar de nada que não conheço, mas de você que conheci. Tudo bem, que conhecer não te conheço, afinal tenho tantas perguntas. Mas eu conheci o que você quis se mostrar. Incompleto, mas perfeito para mim. Conheci seus gostos e moldei minha vida na tentativa de te agradar. Agradei? Até o sofá eu mudei por sua causa, a cor era alegre demais pra você. A cortina de voal eu joguei entulhada em algum canto. Abri espaços para você se insinuar enquanto dizia ensaiar sei lá o quê. Minha escrivaninha ficou tomada pelos seus tantos livros. Nunca mais tive espaço na minha calmaria. Eu gostei dessa desordem que você provocou na minha vida, volta? Eu sinto falta das suas meias jogadas pela cama, e de sua toalha molhada em cima de mim. Até do álcool entupindo a minha geladeira eu sinto falta, acredita? Eu que sempre reclamei da sua boemia. Mudei. Mudei com a falta que você se fez presente. Ainda sinto você do outro lado da cama, roubando meu edredom. É, eu disse que ia ser breve, mas quando se fala de nós as palavras correm até mim. Vou deixar essa carta embaixo do tapete da entrada junto com as chaves que eu te dei. Se quiser entrar, a casa é sua.

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21 setembro 2012

Fim de tarde sem lilás


Estava pronta pra sair quando a chuva caiu. Era a chuva acalmando os dias ensolarados e esfriando o asfalto quente. Céu nublado em sintonia com a cor do asfalto cinza azul pálido. Opostos com o mesmo tom, distantes pela gravidade bruta. O asfalto dançava conforme a chuva, que caia e pintava harmonia. Seu tom pálido ganhava cor à medida que chuva e asfalto faziam amor. A chuva acalmou demonstrando que  também sabe descolorir. Esfriou o dia, peguei o meu casaco e fui encarar o fim de tarde sem lilás...

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Consumista


Hoje eu tô a fim de consumir. Enchi a carteira e sai à procura. Pensei em tudo o que tem me faltado ultimamente, lembrei que sentia falta de sorrisos. Ai, bem na minha frente, uma lojinha de rua estava em liquidação. SALE! SALE! SALE! Entrei toda contente, e na primeira prateleira já me deparei com sorrisos. Tinham de alegrias, tristezas, sorrisos/gargalhadas, enfim... Todas as formas de sorrir. Levei vários, enchi a sacola. Virei à outra esquina e mais SALE! SALE! SALE! Pensei em que mais eu estava precisando. Abraços! Sentia falta de abraços... Comprei várias formas de abraçar. Fiquei feliz. Mais adiante um menino de rua pedia esmolas. Moça! Eu sinto sede de água, mas principalmente sede de carinho. Olhei as minhas sacolas e as estendi. Pegue! Leve a minha água e meus sorrisos com muitos abraços. Seja feliz! Quando virei à esquina me senti completa. Completamente preenchida por doar o mais importante e o mais simples, que por menor e mais barato que pareça, é o mais rico remédio para a grande felicidade.

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16 setembro 2012

Poetar


A inspiração falou alto durante o dia. Seu compromisso era com a poesia. Com a arte de criar imagens, de sugerir emoções. Queria ser tocada, sensibilizada. A poetisa era movida a emoções. O dia sugeriu um encontro com sua arte mais íntima, tocou cada objeto, cada ser. A vida ganhou tons suaves e peculiares. O olhar atento fotografou os detalhes, as formas e o movimento. Tudo calmo como deveria ser. Era um dia propício para captar segredos e mistérios. As palavras dançavam ritmadas e envolviam a existência. Era fácil o encontro, as palavras se reuniam na tentativa de exprimir o sentir. Uma sintonia perfeita. Ela não fazia esforços para conseguir expressar e as palavras não corriam soltas  pelas suas mãos. Tudo estava como deveria ser. A poetisa acalmou o peito e sorriu feliz por mais um dia de grandes inspirações.

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Fim.


Uma dose de licor para queimar a garganta e esconder verdades que ele queria dizer. Socava a parede e sentia dor até sangra para não dar na cara dela. Ele mudou. Mudou com o tempo, os dias, a rotina. Sentiu-se incapaz de ser o que um dia havia sido. Era jovem. Jovem demais para saber que o casamento acaba com o amor. Conviver ele não conseguiu. Não conseguiu conviver com ela. Ela possuía sua liberdade e não abria mão de ser livre. Ela que sempre fora menina doce, perdera sua doçura com palavras azedas. Tinha ódio de dizer e odiava sujar a boca com palavras imundas. Mas ele era arrogante demais. Esquecera as palavras bem ditas. Ele cansou de ler seus versos, achou aquilo perda de tempo demais. Eles não sabiam mais o que era conversar. Sentavam-se cada um de um lado. O sofá que antes era grande para acomodar os corpos entrelaçados, tornou-se pequeno na tentativa de criar barreiras para evitar qualquer contato. Tudo se perdeu. Os sorrisos pela chegada, os pequenos gestos, o coração acelerado, a respiração ofegante. Tudo não passava de bobagens. Ela, um dia, abriu a porta e não voltou mais.

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Como deve ser


E desde então nenhum dia escapou da lembrança daquele fim. Sua sede era tanta, era sede de poesia. Mas agora não sabia o que fazer com tantas palavras rabiscadas em velhos cadernos. Deixou-se transparecer demais e revelou seus mistérios. Agora sofria por ver desconhecidos invadirem seu sossego. Seus segredos eram notícias. Tapava os ouvidos na tentativa de abafar os sons, não queria ouvir os dizeres, ditos em bocas sujas de vulgaridade. Estava indefesa. Temia quem se aproximava. Seu conforto era uma velha casa empoeirada, herança da família. E seu divertimento era ver as gotas de água que escorriam pelos velhos papéis que abrigavam seus versos. Borrava o passado, mas não o apagava. Chora, mas permanece. Desenvolve no silêncio e no escuro, onde a referência é só palavra. Suas palavras unidas que formam sua essência. E mesmo sem a vontade de escrever, seus movimentos são poetizados. Nada em vão. Apenas leve, como deve ser.

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15 setembro 2012

In. Love

Ultimamente tenho tido preguiça de me apaixonar,
Olhar o outro se tornou normal quando não há expectativas
 A agitação dos dias tem bloqueado os sonhos, e são neles que eu te vejo,
Você ainda é fantasia.
Minha criação imperfeita, pois há você atribui defeitos,
Defeitos estes que valaerão a pena corrigir, tô afim de te ensinar e aprender.
Vou deixar essa preguiça de lado e começar olhar a minha volta,
Quem sabe você não sumiu dos meus sonhos para aparecer na minha realidade?

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In love

05 setembro 2012

Dias Felizes


Com o riso frouxo e a gargalhada no canto da boca. Gargalhava alto e seu escândalo transmitia felicidade. Era uma nova fase para a acomodação bater asas e trazer a agitação nos dias. Amadurecera com o passado tão presente e fizera nascer uma nova esperança. Cuidar de si, ela queria cuidar mais de si. Aproveitar as deixas que a vida começara a mostrar abrindo portas, novas portas que ela, talvez por medo, não quis abrir. Agora ela era mais forte, sentia seu coração bater no mundo e sua presença ganhar forma. Não precisava mais inventar alguém que ela gostaria de ser, o que ela se transformara bastava. A dualidade em que ela vivia com ela mesma somava-se a liberdade, e sua prisão dentro de si fora libertada. A risada leve era de alívio. Alívio, enfim, de se permitir deixar ser... Suspiros!

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27 agosto 2012

Bossa minha


Depois de um banho a saudade do que foi deixado para trás. Vontade de guardar a água que escorria e lavava o suor do dia. Bons tempos de menina descobrindo a vida. Sem medo de nada, com a vida toda planejada. Menina sonha. E os sonhos muitas vezes mofam na memória. Aonde será que me perdi deles? Essa vida tão agitada não abre espaço para sonhar. Falo de sonhar acordada. Tem coisa melhor? Sonhar com o que temos vontade, distante ou não, sonhar por sonhar. Custa nada.Eu sonho. Talvez eu sonhe em ser aquilo que escrevo. Aquilo que sai de mim e se desenha no papel. Mas certeza eu tenho que escrever é terapia. Ler aquilo que se escreve é o melhor remédio. Eu já encontrei a melhor forma de fazer análise. Tô numa bossa tão minha. Quero saber de ninguém do meu lado. Ultimamente tenho me completado bastante. E quando a falta e a carência batem na porta, elas trazem chocolate. Posso até estar sendo egoísta. Mas egoísmo por mim mesma não faz mal. Tô só feliz comigo. Fase boa para produzir, focar, planejar e fazer acontecer. E aqueles sonhos de menina ainda não deixei para trás. Tirei só o mofo e dei uma olhadinha pra não esquecer. Agora vivo outros, mais consistentes, fantasiar não tem problema, mas viver na fantasia é preocupante. E quando eu era menina eu vivia numa fantasia só minha. Criei um mundinho especialmente meu. Com o passar dos anos e a maturidade tive que abrir mão de cuidar de lá e cá ao mesmo tempo. Tranquei o mundo de lá, e resolvi ficar só aqui. Mas que falta eu tenho, e confesso que às vezes meu refúgio se torna lá. É, eu dou minhas escapadinhas. Fecho os olhos. Deito no chão. Quando acordo estou sozinha. Pequena e vulnerável diante da imensidão que antes me tomara. Estou leve. Entrei nos meus sonhos de menina e resgatei você. Quem eu sempre esperei chegar com sua bolsa de poesias e seu caderno de piadas pra gente se ocupar ao longo da madrugada. Você que sempre chegou acompanhado de violetas. Deixar escapar esses sonhos não deve ser o mais sensato. Faço um afago leve,enquanto você sorri da minha falta de jeito.
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05 agosto 2012

Relações líquidas


Arrumar o cabelo, escolher a roupa especial. Vestido? Saia? Calça? O sapato... Scarpin? Peep toes? Sapatilha? A make mais suave com tons puxados para o marrom? Ou o olho Black, marcado sem fim? O batom virou moda. Mas o vermelho combina com essa roupa? E a bolsa precisa combinar com o sapato?  Perguntas sem fim, mas que fazem parte de algumas horas antes da balada. Mulheres querem sempre estar bonitas, com a melhor roupa, o cabelo mais brilhoso, o sapato ideal, a maquiagem perfeita. A noite possui concorrência e você acaba precisando fazer parte do padrão de beleza, com a roupa da moda. A caça estimula os olhares e você precisa estar em sintonia com o ambiente. Chamar a atenção, às vezes não é fácil, e por isso requer competência. Dançar mexendo suavemente nos cabelos, olhar distraidamente. Quando você observa as pessoas a sua volta percebe o jogo que acontece nas baladas. Os homens não cansam de inventar cantadas e de mentir descaradamente, quantas para eles não “eram as mais bonitas da noite”? ou, para quantas eles não falaram ... Estou apaixonado por você? E mesmo com tantos jogos, tantas trocas de olhares e elogios sem fim, a noite é vazia. Nunca houve tanta liberdade na escolhas de parceiros. A concentração no movimento da busca perde o foco do objeto desejado. Daí a popularidade dos pontos de encontros. As pessoas saem para evitar o tédio e o conflito da vida em comum podem se tornar opções que se configuram como uma saída que promete uma relação com um nível de comprometimento mais fácil de ser rompido. Duram muitas vezes apenas uma noite. Sem direito de trocar telefones e muitas vezes sem mencionar nomes. É como procurar um abrigo sem vontade de ocupá-lo por inteiro.Afinal, por que os corpos, os encontros , as conversas e os amores escorrem pelos dedos e se esvaem sem retorno como água? As relações se tornaram líquidas e passam rapidamente sem que sintamos o seu gosto. O ter prevalece ao sentir, e a solidão se torna um sentimento quase comum num mundo onde a comunicação é tão fácil (virtualmente) e tão difícil (realidade).

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12 julho 2012

Sossego


Luz baixa, redes e chá.
A sala estava aconchegante pelo vazio e pela pouca luz que se podia ver
A energia dominava e preenchia; o ar tinha gosto de erva doce, camomila, canela...
Era simples, leve, suave. Podia tocar, sentir e provar.
Foi uma tarde silenciosa do caos da cidade, do falatório das ruas. O olhar repousou de tanta informação dos dias.
Desejei estar ali mais um pouco, por mais algumas horas. Mas a realidade sempre te puxa para perto, e avisa que o sossego não deve durar por muito tempo.
Quando se sossega demais fica difícil de retomar a agitação, a rotina clichê.Pena! Que pena o mundo estar tão tumultuado.
Tumultuado de gente, de informação, de prédios, carros, fumaça, poluição. Dói. É difícil encontrar aonde sossegar e como silenciar.
E silenciar é preciso.
Às vezes é preciso silêncio. Por favor?Obrigado!

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16 junho 2012

suspiros


Se eu pudesse guardar numa caixinha, eu guardaria as emoções vividas. Sabe aqueles momentos especiais em que vivemos emoções intensas? Eu guardaria cada um. As emoções vividas nunca são as mesmas. Apaixonar-se uma, duas, três... E tantas vezes nunca é igual. Por mais que o sentimento seja o mesmo “o de estar apaixonado”, o do frio na barriga, as borboletas no estômago, sempre existe alguma diferença... Conhecemos através de cada experiência uma nova emoção, um novo sentimento que estava guardado doidinho para nascer. Ah as emoções! Eu experimento tantas quando escrevo. Se eu pudesse eu guardaria todas dentro da minha caixinha pra reviver sempre que a saudade apertasse.

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12 junho 2012

Pseudônimo


Alice apareceu de novo.
Dessa vez Alice estava bêbada, embriagada de tanta dor.
Ferida dos pés a cabeça, Alice gritava.
Queria libertar as angustias que possuía.
Alice andava roubando minhas noites
Entrava em meus sonhos tornando-os pesadelos.
Alice era eu enquanto eu dormia
A sua dor virou a minha;
As suas angustias viraram as minhas
Eu gritava.
Alice me roubou de mim.

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22 maio 2012

Alice


Alice veio até aqui confrontar o silêncio escondido em baixo das cobertas.
Puxou o cobertor na tentativa de libertar o corpo, ainda adormecido, envolvido por uma preguiça constante.
Olhou fixamente como quem quisesse entender... Conhecer.
Sentiu um aperto no peito ao perceber que era humana demais e, portanto impotente para controlar a sublimação que envolvia a alma.
Alice quis libertar a dor colhendo as lágrimas de tristeza, abraçou.
Abraçou-me na tentativa de sugar os males provocados pelo mundo em feridas expostas na pele.
Desejou ser eu. Quis entrar em mim.
Alice era eu?
Alice vive em mim?

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20 maio 2012

Obra de Arte


A artista que virou sua própria obra esquecera-se de si
Borrou os olhos de sangue com lentes de contato
Bagunçou o cabelo até tornar-se desgrenhado
Vagou.
Deixou de lado tudo aquilo construído
Quis ser a arte
Intocável.
Distante de todos que só podiam apreciar.
As obras de artes são feitas para serem apenas apreciadas
O toque tira a sua riqueza e divindade.
A artista nasceu de sua arte
E hoje descobriu que sair dela mesma é NASCER (de novo) numa nova obra.

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19 maio 2012

Psiu


Psiu...


É hora de dormir!


Psiu...


Apague as luzes!


Psiu...


Sonhe comigo!


Psiu...


Te amo!

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09 maio 2012

sede


Hoje foi dia de alimentar a alma
Convidei-me a passear.
Preciso tanto desses momentos íntimos
Preciso tanto de mim e dessa voz que fala quando só tenho a minha companhia.
Andei por tantas ruas
Visitei tantos lugares. Fui além
Parei numa feirinha oriental, presenteie-me.
Adoro bijus e objetos orientais.
Vaguei sem pensar
Andei pelos caminhos que conheço pela intuição
Não tive medo da escuridão e nem dos becos que passei
Deixei meus pensamentos como borrões em cada esquina
Fiz-me presente na própria ausência que eu senti.
E por um momento o silêncio tomou conta das esquinas
Ouvi apenas a minha voz que parecia falar alto,
E no final da minha caminhada senti sede
Pensei na sede que tenho sentido ultimamente
Na vontade de ser mais.
Olhei a minha volta e vi um mendigo
Ele parecia tão seguro de si
E ao mesmo tempo a minha escuridão foi tomada pelas luzes de um bar
O meu silêncio havia sido quebrado pelas vozes alheias
Mas a minha atenção fixou-se ao mendigo, ao silêncio que ele possuía,
E entendi que por mais que a minha sede fosse grande,
Era sede de água.

(.)