Anda sem rumo, nos trilhos do caminho do trem
Anda pra correr cansada
Disfarça e,
Corre tentando andar mais rápido.
As botas gastas levantam a poeira por onde passa
Deixa rastros de pegadas firmes
Cicatriza o asfalto com sua poesia tatuada.
Corre pra andar descansada
Admira na calma os riscos azuis do céu
Corre tranquila sorrindo com a alma
Anda depressa com pressa de correr
Acalma os pés tocando a estrada
Deita na rua de chão de pedra e,
Espera a noite passar
Pra amanhã continuar sua caminhada...
(.)
10 outubro 2012
07 outubro 2012
No metrô
Volta pra casa. Domingo. Noite. Depois da peça. Metrô espera, ela corre. Observa tantos olhares perdidos, fugidos. Ninguém se vê, ninguém se olha. Olhar no olho intimida, desviar o olhar é a melhor fuga. Ela olha, não tem medo da rejeição, e tão pouco da intimidação. Joga com o outro, e mesmo quando esse outro não retribui, escolhe outro dentre vários. Gosta de observar, tem olhar atento, entende? Muitos não. Muitos a ignoram e se desconcertam na tentativa de fugir, mergulham dentro de si e a esquecem ali. Ela procura a quem mais esteja disponível, longe dos celulares conectados à internet e longe das músicas gritadas ao ouvido. Ninguém. Todos estão ocupados demais se entretendo com alguma tecnologia. Ela prefere os livros. Ainda não se acostumou com essa gama de informações. Quer estar em um só lugar por completo. Não se dividindo entre o virtual e o real. Próxima estação: sua casa.
(.)
(.)
04 outubro 2012
Taurina leoa pisciana
Noite propícia para o encontro delas. Mulheres noturnas que se alimentam da madrugada. Amigas irmãs fieis companheiras. Três. Distintas e semelhantes. Elas e a lua iluminando a rua deserta que viviam. Se escondiam na tentativa de gritar e ninguém ouvir. Passado presente futuro. Elas atropelavam na ânsia de viver, eram jovens. Mais pra jovens adultas... Passaram da casa dos 20. A cada ano se distanciam mais da juventude recente, e aproximam a vida adulta presente. São felizes em suas gargalhadas escandalosas e mais contidas. Basta o sorriso de uma para as outras arregalarem os dentes. São meninas nos sonhos e mulheres nas conquistas. Uma foi pro lado da química, a outra pra psicologia e eu na minha arte. Ambas buscando o que de melhor podem construir, sempre juntas, muitas vezes só em sintonia. Mas basta, é só querer e pensar. E pensamento é coisa forte. Vejo um futuro com todas as formas possíveis, sempre juntas... Aqui, ali ou lá. Sou de vocês e vocês são minhas. O tempo amadureceu e a vida concretizou. Tava escrito, nosso encontro foi programado e planejado. E nas noites de lua cheia elas saem, a taurina, a leoa e a pisciana... Para alimentar a saudade e saciar a solidão.
(.)
03 outubro 2012
Sinto
Sinto falta quando você não escreve
Sinto falta de chegar e não te encontrar perdido na sala, atirado no sofá, coberto por seus livros
Sinto falta de não ler um verso seu antes de dormir
Sinto falta de te esperar todas as noites acordadas
Sinto falta de não dormir
Sinto falta de não ter sono
Sinto falta quando não sentia falta sua
Sinto falta da sua voz grave
Sinto falta de te olhar e de contornar suas tatuagens
Sinto falta da sua solidão enquanto escrevia
Sinto falta de ser sua inspiração diária
Sinto falta pelo simples fato de sentir saudades
Sinto falta. Sinto muito... Meu poeta.
(.)
Sinto falta de chegar e não te encontrar perdido na sala, atirado no sofá, coberto por seus livros
Sinto falta de não ler um verso seu antes de dormir
Sinto falta de te esperar todas as noites acordadas
Sinto falta de não dormir
Sinto falta de não ter sono
Sinto falta quando não sentia falta sua
Sinto falta da sua voz grave
Sinto falta de te olhar e de contornar suas tatuagens
Sinto falta da sua solidão enquanto escrevia
Sinto falta de ser sua inspiração diária
Sinto falta pelo simples fato de sentir saudades
Sinto falta. Sinto muito... Meu poeta.
(.)
Simbiose
Mãos sujas de tintas que escorrem pela roupa, atinge os cabelos e se desenha no corpo de pele pálida e clara. O papel ganha cor, a artista ganha vida. E ambos deslizam,suavemente, na poesia calada, que grita quando se sente. Mistura proza, tom e arte, acompanhada de uma xícara de café. As noites mal dormidas são preenchidas pelo silêncio quebrado ao riscar do lápis. O pincel acalma o papel ferido pelo grafite, a tinta cura e seca. Simbiose perfeita...
(.)
(.)
30 setembro 2012
Luz fraca que pisca e apaga
Enquanto as luzes se apagam ela procura confortar o corpo e terminar de escrever. A noite avisa que foi feita pra dormir. Briga e brinca ao apagar e acender. Ela pede calma... Diz já estar preparada, com a cama arrumada, ou melhor desarrumada, só na espera de apagar. Mas acende e pisca a luz fraca do abajur de cabeceira, e desenha na parede engraçadas projecões. Ela ri e desconcentra a mente que já estava pronta pra sonhar. Acorda antes mesmo de adormecer. A luz pisca e apaga e finalmente queima, de vez, mais uma vez, de tanto alimentar os olhos famintos de insônia. A lanterna já não aguenta mais servir de reserva, e clama descanso e novas bateriais. Fraca luz, que apaga e acende e, pisca mais uma vez. Apaga... E a noite avisa que foi feita pra dormir.
(.)
(.)
29 setembro 2012
Dobradiça gravada com o seu nome
Hoje passei pela portaria do meu prédio e surpresa eu tive ao olhar a dobradiça da porta e não encontrar seu nome. Pois é, existe uma marca com o seu sobrenome e ela estava tão perto de mim. Todos os dias ao sair e ao chegar abria a porta e, me lembrava de você. Era involuntário não passar e não olhar. Tinha o prazer de conferir sua presença distante que por anos se manteve ali. Até mesmo quando já não existia o nós. Eu nunca te contei porque achei bobagem, sempre me achei boba por esperar encontrar você bem ali no meu hall. Senti-me protegida pela sua ausência, usei desse refúgio para te encontrar sempre que sentisse saudade. Boba. Tola. E hoje ao entrar, te procurei... Mas não achei seu simples nome. E senti que te perdi faz tempo. Anos atrás. Usei dessa ilusão, de ter sua presença todos os dias, e esqueci que você foi embora faz tempo... Agora você se foi por completo, sumiu da minha dobradiça gravada com o seu nome.
(.)
(.)
27 setembro 2012
Insônia
Incapaz de alimentar a própria fome
Horas encostada ao fogão
E em vão... O arroz queimou.
Atira a panela
O grito vira tosse
O ódio gera dor.
O espaço era pequeno demais para acomodar ela e suas desilusões
Ela era grande e por isso explodia.
Quase não cabia dentro de sua sobriedade
E mesmo assim bebia ao acaso que se permitia.
O som ensurdecia e envolvia a fumaça perfumada de silêncio e incenso.
Seu pretexto consolador era o cansaço aliado a sua cama
Bagunçava o lençol num desmaio sem sono...
...Era insônia.
(.)
Horas encostada ao fogão
E em vão... O arroz queimou.
Atira a panela
O grito vira tosse
O ódio gera dor.
O espaço era pequeno demais para acomodar ela e suas desilusões
Ela era grande e por isso explodia.
Quase não cabia dentro de sua sobriedade
E mesmo assim bebia ao acaso que se permitia.
O som ensurdecia e envolvia a fumaça perfumada de silêncio e incenso.
Seu pretexto consolador era o cansaço aliado a sua cama
Bagunçava o lençol num desmaio sem sono...
...Era insônia.
(.)
Sossego e desabafo
Permanece e domina
Alimenta e digere
Flui, deixa fluir sem compromisso,
O corpo estático compôs fluidez
Movimenta e envolve
Balança e entorpece
Pazeia e cante
Encante
Engole
Cuspa a culpa
Argumente e olhe
Adormeça e desfrute
Verbalize sentimentos
Poete e transmita
Comece e termina
Sossego e desabafo.
(.)
Alimenta e digere
Flui, deixa fluir sem compromisso,
O corpo estático compôs fluidez
Movimenta e envolve
Balança e entorpece
Pazeia e cante
Encante
Engole
Cuspa a culpa
Argumente e olhe
Adormeça e desfrute
Verbalize sentimentos
Poete e transmita
Comece e termina
Sossego e desabafo.
(.)
24 setembro 2012
A casa é sua
Resolvi te escrever bem rapidinho, é que eu tô com
pressa, ainda tenho que sair e ganhar a vida, depois fazer compras (é, a minha
geladeira continua vazia desde que você se foi...) ainda tenho que pintar o meu
cabelo, é, ainda tô nessa de luzes californianas. Eu sei que você gosta, até
elogiou o meu cabelo antes de ir embora. Eu lembro como se fosse hoje, eu sei
que foi ontem, mas é que pra mim parece eternidade. Eu peguei suas roupas na
lavanderia, quer que eu guarde na sua parte do armário? Tá vazia, não se
preocupe que ainda não tomei pra mim. Gosto do aperto que se tornou meu armário
quando te recebi. Até hoje não encontrei tudo, mas se já encontrei você, me
basta. Ah, os seus livros, alguém do nome engraçado veio buscar. Quem é ele? Nunca
conheci seus amigos, você sempre se escondeu dentro de você, e nunca conheci
quem de fato te conhece. Acho que sou a única que conversa com você, alguém
mais? Também eu não sei, quando você sai para seus ensaios, eu não sei quem
você encontra. Nem conheci tua família. Você tem família? Desculpa, eu sei que
você não gosto de falar, mas é que eu não sei aonde achar você. Te procurei
aonde senti seus passos, fui ali no bar da esquina, na livraria e
no café. E nada! Andei até por onde não conheço na tentativa de achar você
perdido, perdido de mim e de tudo por eu não conhecer sua verdadeira morada. Eu
sei que quando te abriguei não quis saber de nada, respeitei seu silêncio
acreditando que um dia você fosse se abrir. Em vão! Aliás, aonde você trabalha? É que eu nunca entendi esses seus ensaios se nunca, de fato, assisti suas peças.
Você é ator? Nunca te vi por ai atuando... que seja. Eu não quero falar de nada que
não conheço, mas de você que conheci. Tudo bem, que conhecer não te conheço,
afinal tenho tantas perguntas. Mas eu conheci o que você quis se mostrar. Incompleto,
mas perfeito para mim. Conheci seus gostos e moldei minha vida na tentativa de
te agradar. Agradei? Até o sofá eu mudei por sua causa, a cor era alegre demais
pra você. A cortina de voal eu joguei entulhada em algum canto. Abri espaços
para você se insinuar enquanto dizia ensaiar sei lá o quê. Minha escrivaninha
ficou tomada pelos seus tantos livros. Nunca mais tive espaço na minha calmaria.
Eu gostei dessa desordem que você provocou na minha vida, volta? Eu sinto falta
das suas meias jogadas pela cama, e de sua toalha molhada em cima de mim. Até
do álcool entupindo a minha geladeira eu sinto falta, acredita? Eu que sempre
reclamei da sua boemia. Mudei. Mudei com a falta que você se fez presente. Ainda
sinto você do outro lado da cama, roubando meu edredom. É, eu disse que ia ser
breve, mas quando se fala de nós as palavras correm até mim. Vou deixar essa
carta embaixo do tapete da entrada junto com as chaves que eu te dei. Se quiser
entrar, a casa é sua.
(.)
21 setembro 2012
Fim de tarde sem lilás
Estava pronta pra sair quando a chuva caiu. Era a chuva
acalmando os dias ensolarados e esfriando o asfalto quente. Céu nublado em
sintonia com a cor do asfalto cinza azul pálido. Opostos com o mesmo tom,
distantes pela gravidade bruta. O asfalto dançava conforme a chuva, que caia e
pintava harmonia. Seu tom pálido ganhava cor à medida que chuva e asfalto
faziam amor. A chuva acalmou demonstrando que também sabe descolorir. Esfriou o dia,
peguei o meu casaco e fui encarar o fim de tarde sem lilás...
(.)
Consumista
Hoje eu tô a fim de consumir. Enchi a carteira e sai à
procura. Pensei em tudo o que tem me faltado ultimamente, lembrei que sentia
falta de sorrisos. Ai, bem na minha frente, uma lojinha de rua estava em
liquidação. SALE! SALE! SALE! Entrei toda contente, e na primeira prateleira já
me deparei com sorrisos. Tinham de alegrias, tristezas, sorrisos/gargalhadas,
enfim... Todas as formas de sorrir. Levei vários, enchi a sacola. Virei à outra
esquina e mais SALE! SALE! SALE! Pensei em que mais eu estava precisando. Abraços!
Sentia falta de abraços... Comprei várias formas de abraçar. Fiquei feliz. Mais
adiante um menino de rua pedia esmolas. Moça! Eu sinto sede de água, mas principalmente sede de carinho. Olhei
as minhas sacolas e as estendi. Pegue! Leve a minha água e meus sorrisos com
muitos abraços. Seja feliz! Quando virei à esquina me senti completa. Completamente
preenchida por doar o mais importante e o mais simples, que por menor e mais
barato que pareça, é o mais rico remédio para a grande felicidade.
(.)
16 setembro 2012
Poetar
A inspiração falou alto durante o dia. Seu compromisso era
com a poesia. Com a arte de criar imagens, de sugerir emoções. Queria ser
tocada, sensibilizada. A poetisa era movida a emoções. O dia sugeriu um
encontro com sua arte mais íntima, tocou cada objeto, cada ser. A vida ganhou
tons suaves e peculiares. O olhar atento fotografou os detalhes, as formas e o
movimento. Tudo calmo como deveria ser. Era um dia propício para captar segredos e
mistérios. As palavras dançavam ritmadas e envolviam a existência. Era fácil o
encontro, as palavras se reuniam na tentativa de exprimir o sentir. Uma
sintonia perfeita. Ela não fazia esforços para conseguir expressar e as
palavras não corriam soltas pelas suas
mãos. Tudo estava como deveria ser. A poetisa acalmou o peito e sorriu feliz
por mais um dia de grandes inspirações.
(.)
Fim.
Uma dose de licor para queimar a garganta e esconder
verdades que ele queria dizer. Socava a parede e sentia dor até sangra para não
dar na cara dela. Ele mudou. Mudou com o tempo, os dias, a rotina. Sentiu-se
incapaz de ser o que um dia havia sido. Era jovem. Jovem demais para saber que
o casamento acaba com o amor. Conviver ele não conseguiu. Não conseguiu
conviver com ela. Ela possuía sua liberdade e não abria mão de ser livre. Ela que
sempre fora menina doce, perdera sua doçura com palavras azedas. Tinha ódio de
dizer e odiava sujar a boca com palavras imundas. Mas ele era arrogante demais.
Esquecera as palavras bem ditas. Ele cansou de ler seus versos, achou aquilo perda de tempo demais.
Eles não sabiam mais o que era conversar. Sentavam-se cada um de um lado. O sofá
que antes era grande para acomodar os corpos entrelaçados, tornou-se pequeno na
tentativa de criar barreiras para evitar qualquer contato. Tudo se perdeu. Os sorrisos
pela chegada, os pequenos gestos, o coração acelerado, a respiração ofegante. Tudo
não passava de bobagens. Ela, um dia, abriu a porta e não voltou mais.
(.)
Como deve ser
E desde então nenhum dia escapou da lembrança daquele fim. Sua
sede era tanta, era sede de poesia. Mas agora não sabia o que fazer com tantas
palavras rabiscadas em velhos cadernos. Deixou-se transparecer demais e revelou
seus mistérios. Agora sofria por ver desconhecidos invadirem seu sossego. Seus segredos
eram notícias. Tapava os ouvidos na tentativa de abafar os sons, não queria
ouvir os dizeres, ditos em bocas sujas de vulgaridade. Estava indefesa. Temia quem
se aproximava. Seu conforto era uma velha casa empoeirada, herança da família. E
seu divertimento era ver as gotas de água que escorriam pelos velhos papéis que
abrigavam seus versos. Borrava o passado, mas não o apagava. Chora, mas
permanece. Desenvolve no silêncio e no escuro, onde a referência é só palavra. Suas
palavras unidas que formam sua essência. E mesmo sem a vontade de escrever,
seus movimentos são poetizados. Nada em vão. Apenas leve, como deve ser.
(.)
15 setembro 2012
In. Love
Ultimamente tenho tido preguiça de me apaixonar,
Olhar o outro se tornou normal quando não há expectativas
A agitação dos dias tem bloqueado os sonhos, e são neles que eu te vejo,
Você ainda é fantasia.
Minha criação imperfeita, pois há você atribui defeitos,
Defeitos estes que valaerão a pena corrigir, tô afim de te ensinar e aprender.
Vou deixar essa preguiça de lado e começar olhar a minha volta,
Quem sabe você não sumiu dos meus sonhos para aparecer na minha realidade?
(.)
In love
Olhar o outro se tornou normal quando não há expectativas
A agitação dos dias tem bloqueado os sonhos, e são neles que eu te vejo,
Você ainda é fantasia.
Minha criação imperfeita, pois há você atribui defeitos,
Defeitos estes que valaerão a pena corrigir, tô afim de te ensinar e aprender.
Vou deixar essa preguiça de lado e começar olhar a minha volta,
Quem sabe você não sumiu dos meus sonhos para aparecer na minha realidade?
(.)
In love
05 setembro 2012
Dias Felizes
Com o riso frouxo e a gargalhada no canto da boca.
Gargalhava alto e seu escândalo transmitia felicidade. Era uma nova fase para a
acomodação bater asas e trazer a agitação nos dias. Amadurecera com o passado tão
presente e fizera nascer uma nova esperança. Cuidar de si, ela queria cuidar
mais de si. Aproveitar as deixas que a vida começara a mostrar abrindo portas,
novas portas que ela, talvez por medo, não quis abrir. Agora ela era mais forte,
sentia seu coração bater no mundo e sua presença ganhar forma. Não precisava
mais inventar alguém que ela gostaria de ser, o que ela se transformara
bastava. A dualidade em que ela vivia com ela mesma somava-se a liberdade, e
sua prisão dentro de si fora libertada. A risada leve era de alívio. Alívio,
enfim, de se permitir deixar ser... Suspiros!
(.)
27 agosto 2012
Bossa minha
Depois de um banho a saudade do que foi deixado para trás.
Vontade de guardar a água que escorria e lavava o suor do dia. Bons tempos de
menina descobrindo a vida. Sem medo de nada, com a vida toda planejada. Menina
sonha. E os sonhos muitas vezes mofam na memória. Aonde será que me perdi
deles? Essa vida tão agitada não abre espaço para sonhar. Falo de sonhar
acordada. Tem coisa melhor? Sonhar com o que temos vontade, distante ou não,
sonhar por sonhar. Custa nada.Eu sonho. Talvez eu sonhe em ser aquilo que
escrevo. Aquilo que sai de mim e se desenha no papel. Mas certeza eu tenho que
escrever é terapia. Ler aquilo que se escreve é o melhor remédio. Eu já
encontrei a melhor forma de fazer análise. Tô numa bossa tão minha. Quero saber
de ninguém do meu lado. Ultimamente tenho me completado bastante. E quando a
falta e a carência batem na porta, elas trazem chocolate. Posso até estar sendo
egoísta. Mas egoísmo por mim mesma não faz mal. Tô só feliz comigo. Fase boa
para produzir, focar, planejar e fazer acontecer. E aqueles sonhos de menina ainda
não deixei para trás. Tirei só o mofo e dei uma olhadinha pra não esquecer. Agora
vivo outros, mais consistentes, fantasiar não tem problema, mas viver na
fantasia é preocupante. E quando eu era menina eu vivia numa fantasia só minha.
Criei um mundinho especialmente meu. Com o passar dos anos e a maturidade tive
que abrir mão de cuidar de lá e cá ao mesmo tempo. Tranquei o mundo de lá, e
resolvi ficar só aqui. Mas que falta eu tenho, e confesso que às vezes meu
refúgio se torna lá. É, eu dou minhas escapadinhas. Fecho os olhos. Deito no
chão. Quando acordo estou sozinha. Pequena e vulnerável diante da imensidão que
antes me tomara. Estou leve. Entrei nos meus sonhos de menina e resgatei você.
Quem eu sempre esperei chegar com sua bolsa de poesias e seu caderno de piadas
pra gente se ocupar ao longo da madrugada. Você que sempre chegou acompanhado
de violetas. Deixar escapar esses sonhos
não deve ser o mais sensato. Faço um afago leve,enquanto você sorri da minha
falta de jeito.
(.)
05 agosto 2012
Relações líquidas
Arrumar o cabelo, escolher a roupa especial. Vestido? Saia? Calça?
O sapato... Scarpin? Peep toes? Sapatilha? A make mais suave com tons puxados
para o marrom? Ou o olho Black, marcado sem fim? O batom virou moda. Mas o
vermelho combina com essa roupa? E a bolsa precisa combinar com o sapato? Perguntas sem fim, mas que fazem parte de
algumas horas antes da balada. Mulheres querem sempre estar bonitas, com a
melhor roupa, o cabelo mais brilhoso, o sapato ideal, a maquiagem perfeita. A
noite possui concorrência e você acaba precisando fazer parte do padrão de
beleza, com a roupa da moda. A caça estimula os olhares e você precisa estar em
sintonia com o ambiente. Chamar a atenção, às vezes não é fácil, e por isso
requer competência. Dançar mexendo suavemente nos cabelos, olhar
distraidamente. Quando você observa as pessoas a sua volta percebe o jogo que
acontece nas baladas. Os homens não cansam de inventar cantadas e de mentir descaradamente,
quantas para eles não “eram as mais bonitas da noite”? ou, para quantas eles
não falaram ... Estou apaixonado por você? E mesmo com tantos jogos, tantas
trocas de olhares e elogios sem fim, a noite é vazia. Nunca houve tanta
liberdade na escolhas de parceiros. A concentração no movimento da busca perde
o foco do objeto desejado. Daí a popularidade dos pontos de encontros. As
pessoas saem para evitar o tédio e o conflito da vida em comum podem se tornar
opções que se configuram como uma saída que promete uma relação com um nível de
comprometimento mais fácil de ser rompido. Duram muitas vezes apenas uma noite.
Sem direito de trocar telefones e muitas vezes sem mencionar nomes. É como
procurar um abrigo sem vontade de ocupá-lo por inteiro.Afinal, por que os
corpos, os encontros , as conversas e os amores escorrem pelos dedos e se
esvaem sem retorno como água? As relações se tornaram líquidas e passam
rapidamente sem que sintamos o seu gosto. O ter prevalece ao sentir, e a
solidão se torna um sentimento quase comum num mundo onde a comunicação é tão
fácil (virtualmente) e tão difícil (realidade).
(.)
12 julho 2012
Sossego
Luz baixa, redes e chá.
A sala estava aconchegante pelo vazio e pela pouca luz que
se podia ver
A energia dominava e preenchia; o ar tinha gosto de erva
doce, camomila, canela...
Era simples, leve, suave. Podia tocar, sentir e provar.
Foi uma tarde silenciosa do caos da cidade, do falatório das
ruas. O olhar repousou de tanta informação dos dias.
Desejei estar ali mais um pouco, por mais algumas horas. Mas
a realidade sempre te puxa para perto, e avisa que o sossego não deve durar por
muito tempo.
Quando se sossega demais fica difícil de retomar a agitação,
a rotina clichê.Pena! Que pena o mundo estar tão tumultuado.
Tumultuado de gente, de informação, de prédios, carros,
fumaça, poluição. Dói. É difícil encontrar aonde sossegar e como silenciar.
E silenciar é preciso.
Às vezes é preciso silêncio. Por favor?Obrigado!
(.)
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