09 setembro 2013

Retalhos


Exatamente 02:13 da manhã na espera do cabelo secar pra me afundar no travesseiro.

Meses sem escrever revelam a agitação corpo/mente em constante movimento sem pausas. Noites mal dormidas e fome daquele pão dormido escondido na geladeira.

Atravessa na pressa o caminho que é curto do ir e vir de todos os dias. A soma dos percursos totaliza horas de estradas e caminhadas no asfalto quente. E, que calor faz nesse Rio...

E no meio de tantos caminhos alguém coloca uma pedra e te faz acreditar que esse obstáculo foi o responsável pela sua trombada... Mas o quem ninguém sabe é que seus próprios pés tropeçaram sozinhos.

E quem vai tirar da cabeça que no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma perda no meio do caminho...

A pedra sempre esteve, e sempre estará lá. Os obstáculos dificilmente não vão aparecer. E por mais que o mundo decida virar contra, minha arte sempre estará a favor.

Estou numa constante descoberta e com pouco tempo pra perder tempo sentindo medo. Palavras cuspidas não me interessam mais...

Procuro um desabafo que sossega em tom de poesia.

E hoje quando eu voltava para casa, na espera do ônibus,uma senhora se aproximou...

Hoje em dia a proximidade ganhou distancia e dois olhos arregalados que fazem o favor de não piscar, só pra não perder o monitoramento do seu próprio  quadrado. Mas a quem precise de um par de óculos pra enxergar mais atento, e perceber que há tanto para ser visto... Tão pequenos detalhes... E olhar pro outro é olhar um pouco mais atento pra si.

Essa senhora chegou perto e pediu uma informação, quando percebi já estava tomando o mesmo ônibus que ela, e sentando ao seu lado. Geralmente costumo dormir nessa volta, mas hoje não me importei em ceder e trocar palavras, por ,simplesmente conversar, com alguém que nem conheço e que tinha problemas de audição. Tive que procurar falar lentamente e um pouco mais alto. Ela estava com apenas um aparelho num dos ouvidos. Ouvi suas histórias e ela procurou querer saber das minhas. Quando eu disse que fazia faculdade de Artes Cênicas, ela ficou toda boba e me desejou muita sorte. Pude ver no seu olhar a magia que o teatro tem, as pessoas gostam da energia que uma peça possibilidade, e da troca do olho no olho do agora. O teatro é uma arte de troca imediata, como é bom ver a ação e a reação dialogando com o todo o movimento dessa arte. Como é bom saber que mesmo alguém que infelizmente perdeu a audição, ainda assim procura e quer estar consumindo a arte da vida. O ouvir é tão pouco quando se tem olhar pra ver, e vice versa. Tato pra sentir e o coração pra pulsar... Não há nada que se perca quando a vontade ultrapassa as limitações impostas. É enfrentar e somar esperanças pra viver sorrisos de felicidade...

E na perda há sempre uma nova descoberta de adaptação.

Quando chegou no meu ponto de descida ela agradeceu a conversa e me convidou para visitá-la para um chá. Uma fofa!
Quando as pessoas vão permitir deixar o medo gritar silencioso e convidar mais desconhecidos para uma conversa?

Encontro e desabafo multiplicado em certezas. Ar- te viva sempre em mim.



(.)

29 agosto 2013

Pausa


Repousa seu descanso em forma de poesia...

Lá fora a vida anuncia que pode esperar

Aqui dentro a casa acolhe na leveza da rede que balança e esfria o chá...

No silêncio

Envolvido pelo incenso

A paz silencia.

Corre a voz desenhada em palavras

Cospe versos

Nasce poesia.

E o tempo já não tem mais tempo de pausas silenciosas...

Stop! Eu pausei.



(.)



11 agosto 2013

Desabafa

É quando o tempo passa, mas você percebe que só passou mais um mês...
Amanhã é o primeiro de todos os outros dias que vão passar, sem rastros e sem pausas.
É uma aglomeração de tudo em todos os espaços até a última fresta que só permite passar um soluço de ar.
É a falta de tempo em tempo perdido com a falta de respirar suavemente à brisa leve do mar.
A corrida atropela o olhar que tenta enxergar um pouco e mais além dessa realidade imposta nas esquinas.
É caminhar contra o fluxo de tanta gente que marcha o mesmo mecanismo rítmico de levar a vida uniformemente.
Sentir um vazio, mas não a falta
É preencher com flores as melodias
Atrito absoluto do desabafo sentimento
É a intencionalidade que capta pensamento acerca dos movimentos.

(.)

07 julho 2013

Décimo Segundo Andar

Sem tão pouco tempo da agonia da espera o espelho cansa de brincar com os reflexos dos pedaços dos tantos “Eu”.
A vida grita de fora da janela. O passo é curto pra chegar na superfície.
Décimo segundo andar da distância do concreto. Sustentação...
É muito ar daqui de cima. A vida parece miniatura vista desse ponto de vista.
É estar no alto, mas muito distante do mais alto que existe... É ilusão. Percepção de uma mente vazia...
Soa suor, escorre e seca. É um ciclo infinito de ir e vir a cada dia...
Palavras curtas dançam nas paredes manchadas de tintas.
O corpo equilibra a vontade de se atirar no desconhecido, dança na ponta dos pés o desejo de ir longe... 
Se lança no penhasco dos sentimentos...
Cospe poesias engasgadas pela falta de estar ao lado de quem as inspirem...
É encontrar no meio dessa confusão a solução pra te achar, te roubar de você e te abrigar no décimo segundo do meu andar.

(.)



25 junho 2013

Inquieta


Infinitos universos inferiores... O ser previsível em sua infinita vontade de mudar. Recompor o corpo que caminha em corda bamba do destino concreto... Ar pra respirar com todo o verde da respiração das árvores... Suor da brisa leve do mar... Leveza de pensamentos. Suspiros sufocantes da vontade de expressar o grito forte que arranha a garganta... Entope as palavras, permanece a vontade de dizer... Simplesmente. O amor abraça as esquinas, o vento varre as esperanças dos jovens perdidos pelas ruas... Caos na contra mão de todo esse vai e vem, de gente que insiste em ser invisível para o outro que dorme pelas calçadas... Culpa. Dor. Repúdio inquieto que alimenta mentes vazias. Sonhos jogados em latas de lixo ,que esperam a mão que os colha, esfomeada. É tanto deslize em fazer nada,  menos nada, igual a nada. É caminhar no meio de tanta loucura e ainda assim encontrar alguém que te transborde...



(.)

18 junho 2013

Uma revolução acontece lá fora e aqui dentro...


Peço licença pra entrar na sua angustia desesperada. Te aqueço com palavras poetizadas só pra não perder o costume...

Ando te observando pelo buraco da fechadura, pelos cantos atrás das pilastras, em suas caminhadas pelas madrugadas...

Em meio a revolução ganhando espaço nas ruas com todo o branco da plena e inesquecível segunda feira...

Esse intenso turbilhão de tudo querer viver. As ideologias pintadas nos muros da cidade inspiram a voz que coçam o silenciar gritando Bis.

E nessa busca de tentar equilibrar o peso das duas bolsas carregadas todos os dias... O peso de ser artista. O gosto de fazer arte.

Eu sou você que te falo, em pensamento inconsciente... Ouve- me e cale-se pra entender...

Não se perca tanto nas retas da ponta do lápis, atreva-se a curvar e experimentar desconstruir... A vida precisa ser leve como as violetas.

Rasgue o medo da falta de luz, o arrepio produz calor e irradia energia... Movimente-se.

Seja selvagem na sua luta diária, que eu te espero ganhar o seu espaço nessa selva de pedras.



(.)

10 junho 2013

Debruçada em você...


Hoje eu ouvi você cantar...

Com essa tua voz grave e um pouco cansada...

Estava escondida no meio da multidão que assistia seu suor escorrer em forma de melodia...

Seu olhar tímido se escondia na sua própria escuridão, enquanto seus olhos insistiam em cantar fechados...

Eu, no canto, debruçada em você...

De longe...

Que distância é essa que mantém uma barreira invisível entre nós...

Eu vejo através dos seus espelhos...

Você recolhe os cacos dos meus reflexos...

E os nossos olhares seguem a mesma direção...

É uma reta de toda vida...

Já acabaram-se as curvas...

Agora é seguir por mais alguns instantes... Que o longe deixou de ser... E virou perto.



(.)



06 junho 2013

Sossegar


Respira!

Alívio do sossego da meia noite.

Os dias correm como um relógio apressado que se adianta a cada segundo.

O tempo é curto pra viver tão poucas horas quando se tem muito a fazer...

Os livros estão jogados num canto empoeirado, sem tempo de dormir ao lado da cabeceira. O sono chega antes da primeira frase...

A TV permanece num longo silêncio, sem voz.

O mundo espera lá de fora da janela...

Enquanto a casa se acostuma com a ausência da sua moradora.

23:57, a meia noite se aproxima de mansinho... E o sossego avisa que está na hora de uma curta conversa...



(.)

03 junho 2013

Ao som da meia noite


Escrevo com pressa.

As palavras dançam sozinhas e buscam seus lugares no papel... Não coreografo seus movimentos. Prefiro a intuição.

 A intensidade expressiva nasce sem pudor, nua em sua fragilidade de menina/ moça. Deixar fluir sem direções, buscando as levezas das violetas que enfeitam as janelas...

Estou com pressa de um buquê de flores lançado no final de uma festa.

Já cansei de inventar desculpas por estar  procurando consolo na solidão de uma garrafa de vinho...

Ah!, se isso bastasse: às vezes tenho vontade de assistir minha própria inquietação em estar só, mas sem lamentar...

Também está bom assim e deve ficar ainda melhor.

Rendo-me à você e, à sua tentativa de chegar perto...

Lá fora chove em profusão, continua a chover, ao som da meia noite.
Até mais... até breve.



(.)







31 maio 2013

Doce ilusão


Te escrevo em desespero de dizer. Te desprezo por não saber lidar com essa distância tão infinita de nós. Estou afogada em lágrimas passadas e secas... O tempo curou, o tempo sempre cura. Eu que não cuidei de arrumar outro para ocupar o seu lugar. Te escrevo em angustia de saudade, te escrevo para que não te esqueças de mim. Não julgue meu entusiasmo embriagado, beba junto comigo, enquanto lê daí, eu daqui, fico a imaginar suas covinhas saltando do sorriso frouxo que tu tens. Sinto muito, sinto tanto, não sentir a saudade que gostaria. Sofro por não te amar igual ou pelo menos 1/3 do seu amor. Sinto. Por você, por nós, a sós, entrelaçados por tantas mentiras.



(.)

Preto & Branco


Rasga a roupa como se tivesse rasgado a carne nua em sangue. A mão que percorre o corpo, aquece e revela. Pousa sobre o toque que acolhe e preenche os vazios, sem ar. Dorme um sono profundo na tentativa de fugir e abafar a dor. Bebe a saliva fresca que pinga na língua... Engole. Silêncio pra respirar o abafado que sufoca... Entope. Rir profundo uma gargalhada sombria com medo de calar... Escancara. Sobra preto no branco das negativas memórias... Angustiadas.



(.)

17 abril 2013

Bailar


Quanta calma de ser...

Prosa, canto e verso

Entre tanto amor

Entretanto a dúvida

O que causou

A causa de gerar tanta dor

Ferida leve de sentir

Bolhas de flutuar...

E a bailarina foi descansar seus pés

Pendurando suas sapatilhas.



(.)



16 abril 2013

Chamas violetas voltaram a me abraçar...


Daqueles dias de que ficar um pouco mais em casa é cuidar, conhecer e preencher os espaços vazios que estavam precisando de complementos...

A fome foi resolvida, como estava comendo mal, pelas ruas desse tão grande Rio. Tinha dia que a pressa não dava brecha pra almoçar, era sanduba numa mão, e as tralhas na outra.

Que corre e corre, de cá, pra lá, pra chegar, tentar chegar... Mais perto dessa arte que tanto me alimenta.

As olheiras foram acalmadas com preguiçosas noites de sono... E quanto sono eu precisava repor...

E a semana foi passando...

O corpo foi sendo alimentado, cuidado e muito mimado.

Recuperei mais da minha poesia, voltei a escrever... Que falta de escrever...

Sentir a poesia tatuada na pele provoca dor quando dela me ausento. Mas, já foi resolvido. Estamos em paz, de volta e com mais sintonia...

Como retomar um grande amor, que nunca foi esquecido, que só foi pausando em alguns instantes...

Esses instantes constantes...

Retomei mais de mim, insisti em ser só a minha companhia, por alguns dias...

Como faz falta, como é bom olhar mais pra si e entender os novos movimentos em forma de amadurecimentos...

Como é bom acordar na nossa cama, e olhar o nosso canto, sem pressa e com calma...

Levantar e saudar o sol, tomar café da manhã ouvindo as músicas que estavam esquecidas...

Como faz bem... Como faz falta...

Retornei aos livros de cabeceira, estava perdida entre três que resolvi ler ao mesmo tempo, ufa...

Como cada palavra serviu para entender que estou no caminho certo do encontro de mim.

Ah... os livros, grandes amigos do conhecimento...

Rilke, estou completamente apaixonada por você... Como foi bom melodiar em suas palavras... Ler seus contos e cartas!

Ah... Que leveza!

Chamas violetas voltaram a me abraçar.



(.)

13 abril 2013

-se...


Musique-se

Encanta-se

Drummonde-se

Buarque-se

Caetane-se

Rainer-se

Oásis-se

E que o mundo...

Poeme-se.



(.)

Falta-tanto-tudo


Sobe as escadas, para em frente a porta da entrada da cozinha. Pega as chaves que já estavam em suas mãos. Coloca a chave na fechadura, mas não consegue abrir a porta. A mão aperta e impede a chave de destrancar, a porta embarreira, a fechadura emperra. Ouve vozes, movimentação e barulho de panelas. Alguém chegou, alguém já estava lá...

Preguiça de entrar, olhar e conversar.

Preferiu adiar a sua chegada se escondendo no corredor, do outro lado da fechadura, com a chave na mão, mesmo sabendo que ali era a sua casa...

Como sentir sua presença sem força e forma, e procurar movimento no corpo cansado que deseja estar só, jogado à cama, abraçado aos lençóis.

Onde se procura abrigo, quando todas as esquinas já estão ocupadas, preenchidas de gente, sentadas a mesa com o seus respectivos pares.

Como é sentir-se sozinha, mesmo cercada de gente, que fala, grita e berra aos seus ouvidos, e ainda assim, nada ouvir.

Será que as pessoas tem a capacidade de pausarem a sua presença, e mesmo assim, manterem a sua existência? Que falta, de mim, de você, de tudo- tanto- e - porquês...

Que falta de encarar a vida sem medo de levar um copo de cerveja na cara, e eu que nunca fui fã de cerveja, admiro quem gosta dela.

Que tortura escrever sobre a ausência de tudo que eu sei que falta, aqui-agora-comigo.

Que loucura se perder de si mesmo, e insistir em existir o que nem sei que sobrou... Migalhas servem para serem recolhidas, ou deixadas esquecidas em cima da mesa.

E na mesa sobrou um pouco da parte que nem sei de mim, uma xícara de chá e um

novo floral que decidi me entupir...

E essa solidão profunda em estar-só procurando consolo.



(.)

11 janeiro 2013

Nas cobertas...


O dia passou com pressa, não deu tempo de levantar, arrumar a cama e nem de tomar café. Já era noite/um pouco dia, amanhã (talvez)... Estive deitada por longas horas, dormi, cochilei e acordei. Li o novo livro de cabiçeira e me entreguei, novamente, aos lençóis. Preguiça de viver o hoje... Então, apaguei. Fui adiantar logo o amanhã me escondendo nas cobertas. Boa noite.



(.)

06 janeiro 2013

Encantada


Um céu inteiro azul pra inventar,

Viver nos contornos das nuvens de algodão

Voar, flutuar, viver...

Captar a melodia das coisas

Serenar...

Buscar equilíbrio e fontes de energia

Renovar, limpar e preencher...

Cristalizar a alma, direcionar chamas perfumadas

Alimentar sem desperdiçar

Ferir sem doer

Ser, portanto, contudo e no entanto,

Encanto.



Retroceder, anteceder, entardecer

Formar movimento, envolvimento, bilateral

Adormecer o desconforto

Tapar os olhos fugitivos

Temer o inconsciente, mas não calar

A fluidez da voz provoca, invoca e toca

Retira, desvira, e tira a saia encantada

Que o sonho acabou de terminar

Reticências (...)

(.)

17 dezembro 2012

Folhas em branco

Um ano que já virou passado enquanto outro já se aproxima. Fui feliz e infeliz ao mesmo tempo. E, de fato, quem não é? A felicidade ocupa mínimas partes, às vezes,  ela não preenche, mas alimenta. Duelo entre ser e estar, batalha diária em tentar afastar as energias negativas e, captar só as positivas. Mas o que seria de nós sem os obstáculos, que nos fazem criar e estudar estratégias, em tudo existe uma razão. É claro que só damos conta disso quando a ventania já passou e o sol voltou a brilhar. Exatamente como iniciei esse ano, algumas dúvidas ainda dominavam, incertezas e obstáculos para serem ultrapassados. Medo e frio na barriga, e agora, passou! O vento levou e varreu o que era. Restou os aprendizados e as boas conquistas, levo comigo tudo o que de bom e ruim vivi, não deixo escapar nada. Os detalhes são sempre os mais importantes, e eu que não sou boba nem nada, guardo tudo na minha agenda. Que dó aposentar mais uma companheira de um ano inteirinho, ali escrevi todos os compromissos, arquivei todos os ingressos de cinema, teatro e festas. Preenchi cada dia com um pouco da minha esperança e reguei muita poesia...  Ano novo é símbolo de (re)começar, colher cada fruto plantado na última colheita, deixar os erros para trás e focar em acertar mais dessa vez. A caminhada é longa, são 365 dias de muito para viver. Abro mais uma agenda com folhas em branco, que esperam minhas pincelas.



Feliz ano novo!



(.)

12 dezembro 2012

Tanto hoje em cada esquina

Desce as escadas correndo

Anda com pressa por estar atrasada

O sinal não fecha

Tá calor

Tem muita gente na rua

E uma grande tensão nos olhares

Os carros param

A multidão se entope e se esbarra

Todos tentam encontrar saídas nas brechas coletivas

Abrem espaço e se fecham na escuridão de quando se tenta descansar as pálpebras

Ainda está calor

E a tarde ainda permanece sendo mais por conta do horário de verão

E, que verão está se aproximando

Final de ano

E tudo indica que final dos tempos também

Tropeça no meio do caminho e quebra a unha do dedão do pé. Deprimente!

O calor permanece ainda mais

O perfume evapora e sede lugar ao suor

Apressa o passo do atraso

Desvia de tantas informações

Pausa um instante, precisa de um sorvete!

Arruma lugar em suas mãos e volta à sua caminhada

Segue mais feliz refrescando a garganta.

A noite chega...

O calor diminui

Fim dos ensaios da nova peça.                                    

A rua já não está mais dominada de gente

A noite acalma a movimentação constante

Resta, ela,caminhando, sozinha, na volta pra casa aconchegante

Cansada do calor, cansada fisicamente e mentalmente

Esgotada de tanto criar

Mas o amor pela arte prevalece.

Eis que seus passos cruzam os dele às 22 horas da noite

Já era tarde pra tanta conversa

Pegue logo na mão que o dia acaba de re(começar).



(.)





02 dezembro 2012

À meia noite

Acabaram-se as insônias constantes, o sono tem feito as pazes comigo. Chega na hora certa, não atrasa se quer um minuto, se mantém bem pontual. Eu, que às vezes, nem tenho esperado a hora certa. Me atiro no sofá, e passa hora, a TV permanece ligada, a luz ainda acesa, e, a roupa do dia se torna um conforto aquecendo o corpo que ainda não teve tempo de esfriar com um bom banho gelado à meia noite. Escrever com sono, apertando os olhos pra não se perder no meio de tantas palavras. Dei um descanso das infinitas madrugadas regadas à poesia. Mas, quem disse que as olheiras pelas noites mal dormidas são piores do que o mal humor do silêncio de uma noite inteira dormida, e sem dar vida aquela quem me deu a minha vida ... Poesia. Prefiro perder noites inteiras de sono, do que perder uma madrugada sem escrever.


(.)