06 janeiro 2013
Encantada
Um céu inteiro azul pra inventar,
Viver nos contornos das nuvens de algodão
Voar, flutuar, viver...
Captar a melodia das coisas
Serenar...
Buscar equilíbrio e fontes de energia
Renovar, limpar e preencher...
Cristalizar a alma, direcionar chamas perfumadas
Alimentar sem desperdiçar
Ferir sem doer
Ser, portanto, contudo e no entanto,
Encanto.
Retroceder, anteceder, entardecer
Formar movimento, envolvimento, bilateral
Adormecer o desconforto
Tapar os olhos fugitivos
Temer o inconsciente, mas não calar
A fluidez da voz provoca, invoca e toca
Retira, desvira, e tira a saia encantada
Que o sonho acabou de terminar
Reticências (...)
(.)
17 dezembro 2012
Folhas em branco
Um ano que já virou passado enquanto outro já se aproxima. Fui feliz e infeliz ao mesmo tempo. E, de fato, quem não é? A felicidade ocupa mínimas partes, às vezes, ela não preenche, mas alimenta. Duelo entre ser e estar, batalha diária em tentar afastar as energias negativas e, captar só as positivas. Mas o que seria de nós sem os obstáculos, que nos fazem criar e estudar estratégias, em tudo existe uma razão. É claro que só damos conta disso quando a ventania já passou e o sol voltou a brilhar. Exatamente como iniciei esse ano, algumas dúvidas ainda dominavam, incertezas e obstáculos para serem ultrapassados. Medo e frio na barriga, e agora, passou! O vento levou e varreu o que era. Restou os aprendizados e as boas conquistas, levo comigo tudo o que de bom e ruim vivi, não deixo escapar nada. Os detalhes são sempre os mais importantes, e eu que não sou boba nem nada, guardo tudo na minha agenda. Que dó aposentar mais uma companheira de um ano inteirinho, ali escrevi todos os compromissos, arquivei todos os ingressos de cinema, teatro e festas. Preenchi cada dia com um pouco da minha esperança e reguei muita poesia... Ano novo é símbolo de (re)começar, colher cada fruto plantado na última colheita, deixar os erros para trás e focar em acertar mais dessa vez. A caminhada é longa, são 365 dias de muito para viver. Abro mais uma agenda com folhas em branco, que esperam minhas pincelas.
Feliz ano novo!
(.)
Feliz ano novo!
(.)
12 dezembro 2012
Tanto hoje em cada esquina
Desce as escadas correndo
Anda com pressa por estar atrasada
O sinal não fecha
Tá calor
Tem muita gente na rua
E uma grande tensão nos olhares
Os carros param
A multidão se entope e se esbarra
Todos tentam encontrar saídas nas brechas coletivas
Abrem espaço e se fecham na escuridão de quando se tenta descansar as pálpebras
Ainda está calor
E a tarde ainda permanece sendo mais por conta do horário de verão
E, que verão está se aproximando
Final de ano
E tudo indica que final dos tempos também
Tropeça no meio do caminho e quebra a unha do dedão do pé. Deprimente!
O calor permanece ainda mais
O perfume evapora e sede lugar ao suor
Apressa o passo do atraso
Desvia de tantas informações
Pausa um instante, precisa de um sorvete!
Arruma lugar em suas mãos e volta à sua caminhada
Segue mais feliz refrescando a garganta.
A noite chega...
O calor diminui
Fim dos ensaios da nova peça.
A rua já não está mais dominada de gente
A noite acalma a movimentação constante
Resta, ela,caminhando, sozinha, na volta pra casa aconchegante
Cansada do calor, cansada fisicamente e mentalmente
Esgotada de tanto criar
Mas o amor pela arte prevalece.
Eis que seus passos cruzam os dele às 22 horas da noite
Já era tarde pra tanta conversa
Pegue logo na mão que o dia acaba de re(começar).
(.)
Anda com pressa por estar atrasada
O sinal não fecha
Tá calor
Tem muita gente na rua
E uma grande tensão nos olhares
Os carros param
A multidão se entope e se esbarra
Todos tentam encontrar saídas nas brechas coletivas
Abrem espaço e se fecham na escuridão de quando se tenta descansar as pálpebras
Ainda está calor
E a tarde ainda permanece sendo mais por conta do horário de verão
E, que verão está se aproximando
Final de ano
E tudo indica que final dos tempos também
Tropeça no meio do caminho e quebra a unha do dedão do pé. Deprimente!
O calor permanece ainda mais
O perfume evapora e sede lugar ao suor
Apressa o passo do atraso
Desvia de tantas informações
Pausa um instante, precisa de um sorvete!
Arruma lugar em suas mãos e volta à sua caminhada
Segue mais feliz refrescando a garganta.
A noite chega...
O calor diminui
Fim dos ensaios da nova peça.
A rua já não está mais dominada de gente
A noite acalma a movimentação constante
Resta, ela,caminhando, sozinha, na volta pra casa aconchegante
Cansada do calor, cansada fisicamente e mentalmente
Esgotada de tanto criar
Mas o amor pela arte prevalece.
Eis que seus passos cruzam os dele às 22 horas da noite
Já era tarde pra tanta conversa
Pegue logo na mão que o dia acaba de re(começar).
(.)
02 dezembro 2012
À meia noite
Acabaram-se as insônias constantes, o sono tem feito as pazes comigo. Chega na hora certa, não atrasa se quer um minuto, se mantém bem pontual. Eu, que às vezes, nem tenho esperado a hora certa. Me atiro no sofá, e passa hora, a TV permanece ligada, a luz ainda acesa, e, a roupa do dia se torna um conforto aquecendo o corpo que ainda não teve tempo de esfriar com um bom banho gelado à meia noite. Escrever com sono, apertando os olhos pra não se perder no meio de tantas palavras. Dei um descanso das infinitas madrugadas regadas à poesia. Mas, quem disse que as olheiras pelas noites mal dormidas são piores do que o mal humor do silêncio de uma noite inteira dormida, e sem dar vida aquela quem me deu a minha vida ... Poesia. Prefiro perder noites inteiras de sono, do que perder uma madrugada sem escrever.
(.)
(.)
29 novembro 2012
Embebedado de amor ❤
Beba o amor
Suspire aquele quem ama enquanto bebe pequenos goles
Não vire tudo de uma vez,
O amor foi feito para ser degustado por parte
Não seja ansioso e não queria adiantar sua ressaca
Afinal, toda ressaca, mesmo que a de amor, não é lá muito agradável...
Não misture a dose de amor com a de vodka
Não adianta que não combina
O amor foi feito para ser tomado na sua mais pura inocência
Fique calmo que ele também irá te deixar louco, porém será aos poucos
O amor não tem dose dupla e muito menos dose tripla
Acostume-se em degustar um por vez
Esqueça essas bebidas caras e essas muito baratas
Aprecie qualidade.
E no final da noite pode ter certeza que você estará...
Embebedado de amor ❤
(.)
(.)
25 novembro 2012
Enquanto
E quando o desabafo gera dor
enquanto o peito produz calor
e quando a espera provocada pela ansiedade insiste em permanecer
enquanto o controle resiste à mudança
e quando o suspiro fraco vira tosse
enquanto arranha a garganta
e quando se alinha os pés à seguirem
enquanto se tropeça e fere o dedo mindinho
e quando o vento varre os papéis da mesa
enquanto borra a tinta fresca
e quando se sente saudade das palavras não ditas
enquanto rabisca as paredes do quarto
e quando a sobra insiste em ser migalhas
enquanto o pão dormido descansa na geladeira
e quando, enquanto, portanto, no entanto...
Apago a luz.
(.)
enquanto o peito produz calor
e quando a espera provocada pela ansiedade insiste em permanecer
enquanto o controle resiste à mudança
e quando o suspiro fraco vira tosse
enquanto arranha a garganta
e quando se alinha os pés à seguirem
enquanto se tropeça e fere o dedo mindinho
e quando o vento varre os papéis da mesa
enquanto borra a tinta fresca
e quando se sente saudade das palavras não ditas
enquanto rabisca as paredes do quarto
e quando a sobra insiste em ser migalhas
enquanto o pão dormido descansa na geladeira
e quando, enquanto, portanto, no entanto...
Apago a luz.
(.)
20 novembro 2012
Um dia
Nasce o dia em tons pálidos, a noite mal dormida, sede lugar à preguiça da manhã. Começo a ler um livro, releio a mesma frase trinta vezes, e, desisto de continuar. Sento a mesa do café da manhã e, sinto preguiça de comer. Volto ao sofá, me escondo nas cobertas, viro de um lado para o outro, pauso a inquietação, desisto. Volto para a minha cama, fecho as cortinas e abafo os sons do mundo com o meu travesseiro. Não basta, não tenho sono pra dormir tanto assim. Levanto o corpo pesado, sigo até a varanda e, peço ao vento que traga de volta a minha leveza. Ele responde, ensinando o meu corpo voar.
(.)
(.)
15 novembro 2012
Brinquedo estático
Lambe a ferida pra sarar a dor e acalmar o sangue que insiste em escorrer pela pele de cor pálida. Bebe o vinho como se bebesse o próprio sangue com sede de sentir. Aperta e exprime, atormenta o que já dói, naturalmente. Deseja mais da dor que sobrevive extasiada. Escarna o corpo frio mergulhado à uma xícara de chá. Descasca a pele sofrida e envelhecida. Descobre mais de si, o que estava escondido, por trás das falsas aparências. Reconhece o que é na essência. Deixa o que criou com os artifícios da tecnologia, e, se permite ser real. Desenferruja o corpo estático, desentorta o olhar e o sorriso desenhado, do qual não conseguia se livrar. Renasce na carne fresca, e deixa de lado o artificial, que alguém desejou criar. Vira dona de si e das suas funções. Não precisa mais esperar quem queira brincar e movimentar seus braços e depois jogar num canto qualquer, torta e sem cabeça. Não é mais um brinquedo de plástico e superficial.
(.)
(.)
12 novembro 2012
Falsas promessas
Falsas promessas inquietam mais do que as verdades ditas
Bagunça o lençol e revira o travesseiro tentando achar uma posição confortável
Vira de lá pra cá, se muda pro outro lado da cama, desvira e volta a mesma posição
Tentativas frustadas.
Engole o choro e cospe a lágrima só pra não sentir raiva de chorar em vão.
Rasga cartas e fotos enfeitadas e perfumadas de muito amor que ali viveu...
Acabou.
O fim que não se espera acaba de chegar
Inventa falsas ilusões e bloqueia o desespero de viver só, novamente.
Conhece de novo o que um dia não dividiu do pouco de si
Reconhece sua imagem sem a sombra daquele que vivia por trás seguindo rastros
Abraça uma liberdade libertadora e busca aventurar-se em cima de montanhas
Pula e cai, voa e sobrevive.
Alimenta o medo de esperanças e segue sem destino programado.
Na bagagem o essencial pra motivar a alma
Incensos violetas e cristais.
Medita sobre a influência das suas energias lapidadas e da fumaça perfumada.
Anda pela estrada de asfalto quente e sente falta da sua sombra
Descansa da vontade de ser sozinha e espera aquele passar
Oferecendo uma carona na sua vida.
(.)
Bagunça o lençol e revira o travesseiro tentando achar uma posição confortável
Vira de lá pra cá, se muda pro outro lado da cama, desvira e volta a mesma posição
Tentativas frustadas.
Engole o choro e cospe a lágrima só pra não sentir raiva de chorar em vão.
Rasga cartas e fotos enfeitadas e perfumadas de muito amor que ali viveu...
Acabou.
O fim que não se espera acaba de chegar
Inventa falsas ilusões e bloqueia o desespero de viver só, novamente.
Conhece de novo o que um dia não dividiu do pouco de si
Reconhece sua imagem sem a sombra daquele que vivia por trás seguindo rastros
Abraça uma liberdade libertadora e busca aventurar-se em cima de montanhas
Pula e cai, voa e sobrevive.
Alimenta o medo de esperanças e segue sem destino programado.
Na bagagem o essencial pra motivar a alma
Incensos violetas e cristais.
Medita sobre a influência das suas energias lapidadas e da fumaça perfumada.
Anda pela estrada de asfalto quente e sente falta da sua sombra
Descansa da vontade de ser sozinha e espera aquele passar
Oferecendo uma carona na sua vida.
(.)
11 novembro 2012
Minha verdade
Cansaço bom é aquele que se produz dominando o corpo e a mente depois de um longo e proveitoso dia de trabalho. Ocupar e preencher cada segundo do dia. Programar sem rotinar. Acho rotina clichê. Sou do tipo que muda de caminho, atravessa ruas e troca de calçada só pelo desejo de fazer diferente. Como é bom mudar e ver essa transformação percorrer corpo e mente. É interessante ver nascer novos sinais, perceber novas rugas ( as quais ainda não tenho, na verdade, só uma linha forte de expressão que insiste em ficar na minha testa) acostumei. Tenho acostumado com tudo, feito menos questionamentos em poucos casos. Estou focada em ser exatamente o que a vida me proporciona. Nem mais, nem menos. Talvez um pouco mais, afinal, é sempre bom querer ser um pouco mais e melhorar a cada dia. Tô na busca de mim mesma e das minhas verdades. Falsas verdades que construo a cada dia. Quem lida e vive com e para a arte sabe que a mentira é sua essência de verdade. Dormir, que amanhã começo de novo, levantando pelo outro lado da cama.
(.)
(.)
06 novembro 2012
Eu + Poesia
Como retomar o que já estava escrito
O aparelho acabou a bateria e fez questão de não salvar o turbilhão de palavras poetizadas
Eu lembro que tinha o vestido vermelho no meio
E o dia que acabaria na noite sentada na mesa de um bar.
Pensando bem, eu estava escrevendo sobre o meu dia,
Nem sempre costumo falar tão abertamente assim
Sempre crio além, pinto mais cores e capto os diversos detalhes peculiares, na tentativa de fazer minha ausência ganhar vida.
Eu sou a invenção calculada de tudo o que escrevo,
Queria ser exatamente o que eu sou quando a poesia toma o meu lugar
Eu cedo lugar à ela quando nada mais me preenche.
A solidão da madrugada misturada a uma dose de melancolia propicia o nosso encontro: Eu + Poesia = Vida.
Mas voltando ao vestido vermelho,
Ele foi escolhido pelo foco de luz que nascia dentro do meu quarto junto ao nascer do sol
Na verdade, perdi o fio da meada, esqueci o que queria dizer ao falar do vestido vermelho que roubou a cena de hoje.
Volto a disfarçar o que esqueci só pra não perder o gosto de fazer amor com a poesia.
(.)
O aparelho acabou a bateria e fez questão de não salvar o turbilhão de palavras poetizadas
Eu lembro que tinha o vestido vermelho no meio
E o dia que acabaria na noite sentada na mesa de um bar.
Pensando bem, eu estava escrevendo sobre o meu dia,
Nem sempre costumo falar tão abertamente assim
Sempre crio além, pinto mais cores e capto os diversos detalhes peculiares, na tentativa de fazer minha ausência ganhar vida.
Eu sou a invenção calculada de tudo o que escrevo,
Queria ser exatamente o que eu sou quando a poesia toma o meu lugar
Eu cedo lugar à ela quando nada mais me preenche.
A solidão da madrugada misturada a uma dose de melancolia propicia o nosso encontro: Eu + Poesia = Vida.
Mas voltando ao vestido vermelho,
Ele foi escolhido pelo foco de luz que nascia dentro do meu quarto junto ao nascer do sol
Na verdade, perdi o fio da meada, esqueci o que queria dizer ao falar do vestido vermelho que roubou a cena de hoje.
Volto a disfarçar o que esqueci só pra não perder o gosto de fazer amor com a poesia.
(.)
05 novembro 2012
Orgasmo da Poesia
Pela simples vontade de atingir o orgasmo da poesia
Viver situações perigosas
Sentir o desconhecido
Perder o controle
Ir além do já vivido.
É preciso renovar a cada dia
A inspiração acontece com as mudanças e as novas experiências
Medo de ser e de não ser o que é não existe no poeta
Ele é personagem, dá vida à poesia emprestando um pouco de si
Busca encontros e desencontros
Permite conhecer e mergulhar no escuro dos pensamentos
Faz nascer luz.
Faz a poeisa gritar um orgamo que não grita na sua efemeridade.
(.)
Viver situações perigosas
Sentir o desconhecido
Perder o controle
Ir além do já vivido.
É preciso renovar a cada dia
A inspiração acontece com as mudanças e as novas experiências
Medo de ser e de não ser o que é não existe no poeta
Ele é personagem, dá vida à poesia emprestando um pouco de si
Busca encontros e desencontros
Permite conhecer e mergulhar no escuro dos pensamentos
Faz nascer luz.
Faz a poeisa gritar um orgamo que não grita na sua efemeridade.
(.)
02 novembro 2012
Detalhes
Sinto saudade de pequenos detalhes que meus olhos insistem em admirar...
Me atraso enquanto olho as formigas atravessarem a rua, tento fazer os carros esperarem,
Mas a pressa não pode esperar. As pessoas também não.
Gosto de ver além das cores, muito mais que todo o branco das nuvens, eu enxergo cinza, azul e amarelo.
Os pequenos detalhes formam o todo do ser... Humano ou objeto.
Sinto falta de todo detalhe que já enxerguei/admirei
Fuço e rastreio
Fixo e permaneço
Não tenho pressa quando a simplicidade esquecida ganha forma
E eu gosto de fazê-lá ganhar vida.
O olhar atento enxerga muito mais do que se pode ver... O mínimo está na preguiça de quem está sempre com pressa de não perder a hora.
A vida precisa ser vista em diferentes ângulos, todos os dias é necessário olhar o azul do céu,
E se olhar atento verá que além do simples azul, há mais cores.
Experimente mais os detalhes da vida
Em pequenas e singelas coisas há muito mais do que se pode ver quando se olha apenas uma vez... Com preguiça.
(.)
Me atraso enquanto olho as formigas atravessarem a rua, tento fazer os carros esperarem,
Mas a pressa não pode esperar. As pessoas também não.
Gosto de ver além das cores, muito mais que todo o branco das nuvens, eu enxergo cinza, azul e amarelo.
Os pequenos detalhes formam o todo do ser... Humano ou objeto.
Sinto falta de todo detalhe que já enxerguei/admirei
Fuço e rastreio
Fixo e permaneço
Não tenho pressa quando a simplicidade esquecida ganha forma
E eu gosto de fazê-lá ganhar vida.
O olhar atento enxerga muito mais do que se pode ver... O mínimo está na preguiça de quem está sempre com pressa de não perder a hora.
A vida precisa ser vista em diferentes ângulos, todos os dias é necessário olhar o azul do céu,
E se olhar atento verá que além do simples azul, há mais cores.
Experimente mais os detalhes da vida
Em pequenas e singelas coisas há muito mais do que se pode ver quando se olha apenas uma vez... Com preguiça.
(.)
30 outubro 2012
Encontro
Estava de pé, sozinha no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentido uma dor pela falta de você. Caminhava com os pés de bailarina recente, queria impressionar, te impressionar... Não sabia, de fato, quando iria te encontrar, mas já andava pelas ruas atenta, ensaiava sorrisos e olhares. Talvez, no dia, nada daquilo programado realmente acontecesse, mas precaver era a sua segurança. Em pensamento já tinha escolhido a música que iria tocar, o vestido azul que pensava em usar. Difícil é saber como marcar o tão esperado encontro em sua agenda. Até que, vinda da profundeza de seu ser, num dia qualquer, um pouco nublado, com um vento constante, o vestido azul no armário sedia lugar à calça jeans desbotada, pela mudança de tempo. Ela avistou, e como quem tivesse engolido as próprias palavras, engasgou de sufocar, surpresa por ainda ser cedo, afinal, ela queria preparar, se preparar melhor, mas era o dia. Não tinha como escapar e perder... Se mudasse a direção, talvez, não pudesse voltar atrás. Encarar, mesmo sem o vestido azul da sorte, com a calça jeans de guerra, era o grande dia. O encontro, finalmente aconteceu. Os olhares se cruzaram imediatamente, encheram- se de susto e alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e vê que por adimiração a boca fica entreaberta. Assim, em um dia qualquer, sua distração cedeu lugar para Ele acabar de vez com a sua ansiedade.
(.)
(.)
29 outubro 2012
À dois
Sinta-se à vontade pra bangunçar essa calmaria
Entre pela porta de frente e, se quiser traga suas malas
Eu fiz chá e comprei sorvete
O brownie que você tanto gostou está te esperando na geladeira
Apague o cigarro, ou melhor, jogue fora
Você não combina com essa fumaça que te envolve
Não ria da minha rotina estampada pela casa
É que eu tenho mania de escrever
Acostume-se com os tantos recados em folhas coloridas
Minha alimentação eu colei na porta da geladeira, não se preocupe,
Você não precisa beber os milhares de sucos que faço durante a semana
Permita-se ser o que de fato você é,
E por favor não reclame da minha ausência
Eu volto, e enquanto isso mexa nas minhas coisas
Deite e durma na minha cama
Espalhe você por toda a casa
É que quando eu chegar quero sentir sua presença por inteiro.
(.)❤❤💜😍
Entre pela porta de frente e, se quiser traga suas malas
Eu fiz chá e comprei sorvete
O brownie que você tanto gostou está te esperando na geladeira
Apague o cigarro, ou melhor, jogue fora
Você não combina com essa fumaça que te envolve
Não ria da minha rotina estampada pela casa
É que eu tenho mania de escrever
Acostume-se com os tantos recados em folhas coloridas
Minha alimentação eu colei na porta da geladeira, não se preocupe,
Você não precisa beber os milhares de sucos que faço durante a semana
Permita-se ser o que de fato você é,
E por favor não reclame da minha ausência
Eu volto, e enquanto isso mexa nas minhas coisas
Deite e durma na minha cama
Espalhe você por toda a casa
É que quando eu chegar quero sentir sua presença por inteiro.
(.)❤❤💜😍
26 outubro 2012
Cacos
Como pode uma porta inteira de vidro vir abaixo, desejar o chão e se desfazer, simplesmente... Sobrou à mim varrer os pedaços de cacos pontudos. Sentei, calmamente, na sala de estar, e começei a catar tentando não sentir raiva. Se não bastasse o sofrimento do chão, que sentia dor pela queda bruta, meus dedos começaram a sangrar. Pingos de sangue entre cacos, reflexos vazios e despedaçados. Desarmonia no aconchego da sala colorida. Desordem e escuridão. Vazio de silêncio sem voz. Corpo nu embriagado de tantas feridas, cansa e espera, deita sobre as sobras do que um dia foi... uma porta. Se acomoda e deixa os pedaços de vidros riscarem e entrarem fazendo doer. Eu tento não sentir, mas, às vezes, o sofrimento é a própria escolha... Então, não adianta reclamar.
(.)
(.)
24 outubro 2012
Deixando o mundo ser
Desenhar no mapa o destino da próxima viagem
Arrumar a mala tantas vezes ao longo do ano
Conhecer, aventurar-se...
Explorar os mínimos detalhes da história
Sentir o vento bater guiando novas direções
Pintar a cara
Tirar a roupa
Saborear línguas
Deixar o coração bater no mundo, simplesmente.
(.)
Arrumar a mala tantas vezes ao longo do ano
Conhecer, aventurar-se...
Explorar os mínimos detalhes da história
Sentir o vento bater guiando novas direções
Abraçar o mundo.
Viver de culturas misturadas a miscigenaçãoPintar a cara
Tirar a roupa
Saborear línguas
Deixar o coração bater no mundo, simplesmente.
(.)
Mensagem anônima
Recebi uma carta/email anônimo. Achei até que fosse alguma brincadeira de algum amigo (a) , mas quando começei a ler vi que era coisa séria. Um texto incrivelmente bem escrito, palavras muito bem colocadas. Senti fazer parte daquele sentimento um pouco platônico. Mergulhei fundo e confesso que me achei entre algumas vírgulas, quem é você? Conhece tanto o que me imagina ser pelo o que lê nesse humilde blog. Conheço você de alguma forma? Você faz parte do ir e vir dos meus dias? Ultimamente não tenho reparado em quem me olha, tenho andado muito perdida ocupando o canto da calçada. A voz que escuto é da música que berra nos meus ouvidos... Um rock clássico. Voltei a escutar a minha banda favorita, não sei se você conhece. Desculpe falar com tanta intimidade, mas gostei de ler você... E eu aprecio de verdade homens que escrevem. Se eles têm tanto cuidado com as palavras, imagine o carinho que teriam comigo... Mas voltando à você, peço que da próxima vez se identifique, porque, enquanto as mensagens forem anônima eu me dou o direito de achar que é quem eu quero que seja. E, talvez, você ainda nem tenha passado pela minha cabeça. Seja mais direto, que eu gostei da sua escrita ... E esse é um bom começo.
(.)
(.)
23 outubro 2012
Suspiro você
E então você chega de mansinho e deixa mais uma dentre
tantas as pétalas que você já deixou pela manhã... Você diz que uma flor
completa não tem graça se for dada pra morrer, eu rio das suas teorias
concordando com tudo que sai da sua boca só por ser você. Guardo mais uma
pétala dentro do vidro que fica na cabeceira. Quando olho pra ele me lembro de
você e de cada momento em que ganhei cada pétala que dorme dentro dele. Como está
cheio, fico tentando imaginar quantas flores eu conseguiria construir juntando
cada singela pétala. São tantas que você já me deu... E todas continuam ali. Misturadas
com as antigas e as novas que acabaram de chegar. O presente mais criativo que
você já pensou, concordo com você. Lembra da primeira que você me deu? No nosso
primeiro encontro ela apareceu entre nós e você já tomou para si. Depois ela
surgiu dentro do vidro como presente de segundo encontro. E aos poucos... Todos
os dias... Eu ganho mais uma. O vidro
foi ganhando cor conforme fomos construindo nossa história. Tenho tanto orgulho
do nosso amor. Tenho tanto orgulho de você... Suspiro sua chegada, trazendo em
suas mãos mais uma pétala e um poema... Porque homens que escrevem bem têm um
charme diferente.
(.)
21 outubro 2012
Esperança concreta e verde
Descabelada. Durante todo o dia de hoje estive assim... Cabelo preso pra aliviar o suor da nuca. Banho no cachorro = Casa toda molhada! Diversão e um pouco de preguiça de secar a bagunça e escovar o pelo branco da minha Penélope. Domingo é um bom dia de não fazer nada. Ficar literalmente jogada ao sofá, com um saco de pipocas em cima da barriga. Mas, ultimamente, não tenho conseguido ficar assim... Ansiedade e e uma dose de agitação. Faço mil coisas ao mesmo tempo, tento dar conta de cada detalhe, e arrumar meu perfeccionismo. Tem dia que cansa essa vontade louca de querer tudo no seu devido lugar. Tô precisando me descabelar mais. E hoje enquanto tentava arrumar daqui e, melhorar de lá, recebi uma boa visita. Esperança, aquele inseto verde um pouco esquisito. Ela chegou de repente e pousou logo sobre mim. Estendi o dedo e sua leveza caminhou sobre minha mão contornando cada linha. Acalmei e parei de fazer tudo que me rodeava. Minha atenção se voltou exclusivamente para o inseto verde, de pernas altas. Doce esperança a sua chegada. Encabulei com tanta delicadeza.
(.)
(.)
19 outubro 2012
Adiantar
Ultimamente tenho sido muito breve, principalmente com as palavras,
Tenho tido preguiça de ficar em casa, e, principalmente de pensar
A rua, as pessoas, o trânsito, o barulho, o caos e a bebida preenchem meu dia
E me fazem ficar longe do meu refúgio íntimo onde se abriga... Em casa.
Tô afim de adiantar tudo que me convém, cansei das fantasias que permanecem anos em pensamentos.
Tô remechendo o que não conheço, e descobrindo minha identidade... Atual.
Apressar é a palavra do momento...
E enquanto eu corro apressando a minha vida, com pressa...
Se adianta e apresse a tua chegada,
que eu tô com pressa de você.
(.)
Tenho tido preguiça de ficar em casa, e, principalmente de pensar
A rua, as pessoas, o trânsito, o barulho, o caos e a bebida preenchem meu dia
E me fazem ficar longe do meu refúgio íntimo onde se abriga... Em casa.
Tô afim de adiantar tudo que me convém, cansei das fantasias que permanecem anos em pensamentos.
Tô remechendo o que não conheço, e descobrindo minha identidade... Atual.
Apressar é a palavra do momento...
E enquanto eu corro apressando a minha vida, com pressa...
Se adianta e apresse a tua chegada,
que eu tô com pressa de você.
(.)
16 outubro 2012
Fluir
Quando as palavras insistem em calar e bloquear a inspiração significa que está na hora de sossegar a mente. Silenciar os ruídos do mundo, desligar e distanciar o stress. Descansar de diálogos e de informações. Apagar a luz e andar descalça, de pijama sobre a pele morna. O cabelo revolto bebendo vinho numa taça muito maior que a mão. Desvestir o corpo e a a alma... Libertar. Essa ansiedade ainda me mata.
(.)
(.)
12 outubro 2012
Outrarte
Acordei ontem admirando o dia nascer, fazia tempo que não trocava o sono por uma noite de arte. Passei a noite sentada e desenhando, misturando cor e gastando grafite. Sensação boa de ver o dia nascer, acompanhar o crepúsculo do céu e sua metamorfose de cores. Tomar café da manhã às 6 horas definitivamente não fazia parte da minha rotina, pelo menos não mais. Virei noturna quando a arte entrou de vez em mim. E olha que eu sempre fui de acordar cedo e dormir também, sempre me senti bem e mais disposta. E foi exatamente o que senti ontem, mesmo não acordando de fato cedo. Tô afim de voltar e resgatar um pouco de mim no passado, fazer uma mistura do que sou, com o que fui e o que ainda serei. Complicado entender que somos tão diferentes de nós mesmos em cada fase da vida. A essência, é claro, não se perde. Mas como mudamos pensamentos, atitudes, pontos de vistas. Esse é o grande lema, amadurecer... Eu ainda sou juventude adulta, mas ainda sinto a menina falar alto, e não canso de pedir conselhos à ela. Afinal, criança é sincera e pura. E, infelizmente, essa vida caótica nos faz perder um pouco da pureza da infância. Difícil é não deixar as impurezas do mundo ganharem forma dentro da gente. Por isso mantenho minha menina por perto. E voltando ao meu dia, nunca me senti tão bem e realizada, é tão bom quando o próprio dia já começa sorrindo de dentro pra fora e melhor ainda é quando ele nos atinge, envolve e estica a nossa boca com a intenção de arregalar os nossos dentes. Agora vou dormir pra compensar a noite com um bom dia de sono. O último a sair, apaga a luz.
(.)
(.)
10 outubro 2012
Na estrada
Anda sem rumo, nos trilhos do caminho do trem
Anda pra correr cansada
Disfarça e,
Corre tentando andar mais rápido.
As botas gastas levantam a poeira por onde passa
Deixa rastros de pegadas firmes
Cicatriza o asfalto com sua poesia tatuada.
Corre pra andar descansada
Admira na calma os riscos azuis do céu
Corre tranquila sorrindo com a alma
Anda depressa com pressa de correr
Acalma os pés tocando a estrada
Deita na rua de chão de pedra e,
Espera a noite passar
Pra amanhã continuar sua caminhada...
(.)
Anda pra correr cansada
Disfarça e,
Corre tentando andar mais rápido.
As botas gastas levantam a poeira por onde passa
Deixa rastros de pegadas firmes
Cicatriza o asfalto com sua poesia tatuada.
Corre pra andar descansada
Admira na calma os riscos azuis do céu
Corre tranquila sorrindo com a alma
Anda depressa com pressa de correr
Acalma os pés tocando a estrada
Deita na rua de chão de pedra e,
Espera a noite passar
Pra amanhã continuar sua caminhada...
(.)
07 outubro 2012
No metrô
Volta pra casa. Domingo. Noite. Depois da peça. Metrô espera, ela corre. Observa tantos olhares perdidos, fugidos. Ninguém se vê, ninguém se olha. Olhar no olho intimida, desviar o olhar é a melhor fuga. Ela olha, não tem medo da rejeição, e tão pouco da intimidação. Joga com o outro, e mesmo quando esse outro não retribui, escolhe outro dentre vários. Gosta de observar, tem olhar atento, entende? Muitos não. Muitos a ignoram e se desconcertam na tentativa de fugir, mergulham dentro de si e a esquecem ali. Ela procura a quem mais esteja disponível, longe dos celulares conectados à internet e longe das músicas gritadas ao ouvido. Ninguém. Todos estão ocupados demais se entretendo com alguma tecnologia. Ela prefere os livros. Ainda não se acostumou com essa gama de informações. Quer estar em um só lugar por completo. Não se dividindo entre o virtual e o real. Próxima estação: sua casa.
(.)
(.)
04 outubro 2012
Taurina leoa pisciana
Noite propícia para o encontro delas. Mulheres noturnas que se alimentam da madrugada. Amigas irmãs fieis companheiras. Três. Distintas e semelhantes. Elas e a lua iluminando a rua deserta que viviam. Se escondiam na tentativa de gritar e ninguém ouvir. Passado presente futuro. Elas atropelavam na ânsia de viver, eram jovens. Mais pra jovens adultas... Passaram da casa dos 20. A cada ano se distanciam mais da juventude recente, e aproximam a vida adulta presente. São felizes em suas gargalhadas escandalosas e mais contidas. Basta o sorriso de uma para as outras arregalarem os dentes. São meninas nos sonhos e mulheres nas conquistas. Uma foi pro lado da química, a outra pra psicologia e eu na minha arte. Ambas buscando o que de melhor podem construir, sempre juntas, muitas vezes só em sintonia. Mas basta, é só querer e pensar. E pensamento é coisa forte. Vejo um futuro com todas as formas possíveis, sempre juntas... Aqui, ali ou lá. Sou de vocês e vocês são minhas. O tempo amadureceu e a vida concretizou. Tava escrito, nosso encontro foi programado e planejado. E nas noites de lua cheia elas saem, a taurina, a leoa e a pisciana... Para alimentar a saudade e saciar a solidão.
(.)
03 outubro 2012
Sinto
Sinto falta quando você não escreve
Sinto falta de chegar e não te encontrar perdido na sala, atirado no sofá, coberto por seus livros
Sinto falta de não ler um verso seu antes de dormir
Sinto falta de te esperar todas as noites acordadas
Sinto falta de não dormir
Sinto falta de não ter sono
Sinto falta quando não sentia falta sua
Sinto falta da sua voz grave
Sinto falta de te olhar e de contornar suas tatuagens
Sinto falta da sua solidão enquanto escrevia
Sinto falta de ser sua inspiração diária
Sinto falta pelo simples fato de sentir saudades
Sinto falta. Sinto muito... Meu poeta.
(.)
Sinto falta de chegar e não te encontrar perdido na sala, atirado no sofá, coberto por seus livros
Sinto falta de não ler um verso seu antes de dormir
Sinto falta de te esperar todas as noites acordadas
Sinto falta de não dormir
Sinto falta de não ter sono
Sinto falta quando não sentia falta sua
Sinto falta da sua voz grave
Sinto falta de te olhar e de contornar suas tatuagens
Sinto falta da sua solidão enquanto escrevia
Sinto falta de ser sua inspiração diária
Sinto falta pelo simples fato de sentir saudades
Sinto falta. Sinto muito... Meu poeta.
(.)
Simbiose
Mãos sujas de tintas que escorrem pela roupa, atinge os cabelos e se desenha no corpo de pele pálida e clara. O papel ganha cor, a artista ganha vida. E ambos deslizam,suavemente, na poesia calada, que grita quando se sente. Mistura proza, tom e arte, acompanhada de uma xícara de café. As noites mal dormidas são preenchidas pelo silêncio quebrado ao riscar do lápis. O pincel acalma o papel ferido pelo grafite, a tinta cura e seca. Simbiose perfeita...
(.)
(.)
30 setembro 2012
Luz fraca que pisca e apaga
Enquanto as luzes se apagam ela procura confortar o corpo e terminar de escrever. A noite avisa que foi feita pra dormir. Briga e brinca ao apagar e acender. Ela pede calma... Diz já estar preparada, com a cama arrumada, ou melhor desarrumada, só na espera de apagar. Mas acende e pisca a luz fraca do abajur de cabeceira, e desenha na parede engraçadas projecões. Ela ri e desconcentra a mente que já estava pronta pra sonhar. Acorda antes mesmo de adormecer. A luz pisca e apaga e finalmente queima, de vez, mais uma vez, de tanto alimentar os olhos famintos de insônia. A lanterna já não aguenta mais servir de reserva, e clama descanso e novas bateriais. Fraca luz, que apaga e acende e, pisca mais uma vez. Apaga... E a noite avisa que foi feita pra dormir.
(.)
(.)
29 setembro 2012
Dobradiça gravada com o seu nome
Hoje passei pela portaria do meu prédio e surpresa eu tive ao olhar a dobradiça da porta e não encontrar seu nome. Pois é, existe uma marca com o seu sobrenome e ela estava tão perto de mim. Todos os dias ao sair e ao chegar abria a porta e, me lembrava de você. Era involuntário não passar e não olhar. Tinha o prazer de conferir sua presença distante que por anos se manteve ali. Até mesmo quando já não existia o nós. Eu nunca te contei porque achei bobagem, sempre me achei boba por esperar encontrar você bem ali no meu hall. Senti-me protegida pela sua ausência, usei desse refúgio para te encontrar sempre que sentisse saudade. Boba. Tola. E hoje ao entrar, te procurei... Mas não achei seu simples nome. E senti que te perdi faz tempo. Anos atrás. Usei dessa ilusão, de ter sua presença todos os dias, e esqueci que você foi embora faz tempo... Agora você se foi por completo, sumiu da minha dobradiça gravada com o seu nome.
(.)
(.)
27 setembro 2012
Insônia
Incapaz de alimentar a própria fome
Horas encostada ao fogão
E em vão... O arroz queimou.
Atira a panela
O grito vira tosse
O ódio gera dor.
O espaço era pequeno demais para acomodar ela e suas desilusões
Ela era grande e por isso explodia.
Quase não cabia dentro de sua sobriedade
E mesmo assim bebia ao acaso que se permitia.
O som ensurdecia e envolvia a fumaça perfumada de silêncio e incenso.
Seu pretexto consolador era o cansaço aliado a sua cama
Bagunçava o lençol num desmaio sem sono...
...Era insônia.
(.)
Horas encostada ao fogão
E em vão... O arroz queimou.
Atira a panela
O grito vira tosse
O ódio gera dor.
O espaço era pequeno demais para acomodar ela e suas desilusões
Ela era grande e por isso explodia.
Quase não cabia dentro de sua sobriedade
E mesmo assim bebia ao acaso que se permitia.
O som ensurdecia e envolvia a fumaça perfumada de silêncio e incenso.
Seu pretexto consolador era o cansaço aliado a sua cama
Bagunçava o lençol num desmaio sem sono...
...Era insônia.
(.)
Sossego e desabafo
Permanece e domina
Alimenta e digere
Flui, deixa fluir sem compromisso,
O corpo estático compôs fluidez
Movimenta e envolve
Balança e entorpece
Pazeia e cante
Encante
Engole
Cuspa a culpa
Argumente e olhe
Adormeça e desfrute
Verbalize sentimentos
Poete e transmita
Comece e termina
Sossego e desabafo.
(.)
Alimenta e digere
Flui, deixa fluir sem compromisso,
O corpo estático compôs fluidez
Movimenta e envolve
Balança e entorpece
Pazeia e cante
Encante
Engole
Cuspa a culpa
Argumente e olhe
Adormeça e desfrute
Verbalize sentimentos
Poete e transmita
Comece e termina
Sossego e desabafo.
(.)
24 setembro 2012
A casa é sua
Resolvi te escrever bem rapidinho, é que eu tô com
pressa, ainda tenho que sair e ganhar a vida, depois fazer compras (é, a minha
geladeira continua vazia desde que você se foi...) ainda tenho que pintar o meu
cabelo, é, ainda tô nessa de luzes californianas. Eu sei que você gosta, até
elogiou o meu cabelo antes de ir embora. Eu lembro como se fosse hoje, eu sei
que foi ontem, mas é que pra mim parece eternidade. Eu peguei suas roupas na
lavanderia, quer que eu guarde na sua parte do armário? Tá vazia, não se
preocupe que ainda não tomei pra mim. Gosto do aperto que se tornou meu armário
quando te recebi. Até hoje não encontrei tudo, mas se já encontrei você, me
basta. Ah, os seus livros, alguém do nome engraçado veio buscar. Quem é ele? Nunca
conheci seus amigos, você sempre se escondeu dentro de você, e nunca conheci
quem de fato te conhece. Acho que sou a única que conversa com você, alguém
mais? Também eu não sei, quando você sai para seus ensaios, eu não sei quem
você encontra. Nem conheci tua família. Você tem família? Desculpa, eu sei que
você não gosto de falar, mas é que eu não sei aonde achar você. Te procurei
aonde senti seus passos, fui ali no bar da esquina, na livraria e
no café. E nada! Andei até por onde não conheço na tentativa de achar você
perdido, perdido de mim e de tudo por eu não conhecer sua verdadeira morada. Eu
sei que quando te abriguei não quis saber de nada, respeitei seu silêncio
acreditando que um dia você fosse se abrir. Em vão! Aliás, aonde você trabalha? É que eu nunca entendi esses seus ensaios se nunca, de fato, assisti suas peças.
Você é ator? Nunca te vi por ai atuando... que seja. Eu não quero falar de nada que
não conheço, mas de você que conheci. Tudo bem, que conhecer não te conheço,
afinal tenho tantas perguntas. Mas eu conheci o que você quis se mostrar. Incompleto,
mas perfeito para mim. Conheci seus gostos e moldei minha vida na tentativa de
te agradar. Agradei? Até o sofá eu mudei por sua causa, a cor era alegre demais
pra você. A cortina de voal eu joguei entulhada em algum canto. Abri espaços
para você se insinuar enquanto dizia ensaiar sei lá o quê. Minha escrivaninha
ficou tomada pelos seus tantos livros. Nunca mais tive espaço na minha calmaria.
Eu gostei dessa desordem que você provocou na minha vida, volta? Eu sinto falta
das suas meias jogadas pela cama, e de sua toalha molhada em cima de mim. Até
do álcool entupindo a minha geladeira eu sinto falta, acredita? Eu que sempre
reclamei da sua boemia. Mudei. Mudei com a falta que você se fez presente. Ainda
sinto você do outro lado da cama, roubando meu edredom. É, eu disse que ia ser
breve, mas quando se fala de nós as palavras correm até mim. Vou deixar essa
carta embaixo do tapete da entrada junto com as chaves que eu te dei. Se quiser
entrar, a casa é sua.
(.)
21 setembro 2012
Fim de tarde sem lilás
Estava pronta pra sair quando a chuva caiu. Era a chuva
acalmando os dias ensolarados e esfriando o asfalto quente. Céu nublado em
sintonia com a cor do asfalto cinza azul pálido. Opostos com o mesmo tom,
distantes pela gravidade bruta. O asfalto dançava conforme a chuva, que caia e
pintava harmonia. Seu tom pálido ganhava cor à medida que chuva e asfalto
faziam amor. A chuva acalmou demonstrando que também sabe descolorir. Esfriou o dia,
peguei o meu casaco e fui encarar o fim de tarde sem lilás...
(.)
Consumista
Hoje eu tô a fim de consumir. Enchi a carteira e sai à
procura. Pensei em tudo o que tem me faltado ultimamente, lembrei que sentia
falta de sorrisos. Ai, bem na minha frente, uma lojinha de rua estava em
liquidação. SALE! SALE! SALE! Entrei toda contente, e na primeira prateleira já
me deparei com sorrisos. Tinham de alegrias, tristezas, sorrisos/gargalhadas,
enfim... Todas as formas de sorrir. Levei vários, enchi a sacola. Virei à outra
esquina e mais SALE! SALE! SALE! Pensei em que mais eu estava precisando. Abraços!
Sentia falta de abraços... Comprei várias formas de abraçar. Fiquei feliz. Mais
adiante um menino de rua pedia esmolas. Moça! Eu sinto sede de água, mas principalmente sede de carinho. Olhei
as minhas sacolas e as estendi. Pegue! Leve a minha água e meus sorrisos com
muitos abraços. Seja feliz! Quando virei à esquina me senti completa. Completamente
preenchida por doar o mais importante e o mais simples, que por menor e mais
barato que pareça, é o mais rico remédio para a grande felicidade.
(.)
16 setembro 2012
Poetar
A inspiração falou alto durante o dia. Seu compromisso era
com a poesia. Com a arte de criar imagens, de sugerir emoções. Queria ser
tocada, sensibilizada. A poetisa era movida a emoções. O dia sugeriu um
encontro com sua arte mais íntima, tocou cada objeto, cada ser. A vida ganhou
tons suaves e peculiares. O olhar atento fotografou os detalhes, as formas e o
movimento. Tudo calmo como deveria ser. Era um dia propício para captar segredos e
mistérios. As palavras dançavam ritmadas e envolviam a existência. Era fácil o
encontro, as palavras se reuniam na tentativa de exprimir o sentir. Uma
sintonia perfeita. Ela não fazia esforços para conseguir expressar e as
palavras não corriam soltas pelas suas
mãos. Tudo estava como deveria ser. A poetisa acalmou o peito e sorriu feliz
por mais um dia de grandes inspirações.
(.)
Fim.
Uma dose de licor para queimar a garganta e esconder
verdades que ele queria dizer. Socava a parede e sentia dor até sangra para não
dar na cara dela. Ele mudou. Mudou com o tempo, os dias, a rotina. Sentiu-se
incapaz de ser o que um dia havia sido. Era jovem. Jovem demais para saber que
o casamento acaba com o amor. Conviver ele não conseguiu. Não conseguiu
conviver com ela. Ela possuía sua liberdade e não abria mão de ser livre. Ela que
sempre fora menina doce, perdera sua doçura com palavras azedas. Tinha ódio de
dizer e odiava sujar a boca com palavras imundas. Mas ele era arrogante demais.
Esquecera as palavras bem ditas. Ele cansou de ler seus versos, achou aquilo perda de tempo demais.
Eles não sabiam mais o que era conversar. Sentavam-se cada um de um lado. O sofá
que antes era grande para acomodar os corpos entrelaçados, tornou-se pequeno na
tentativa de criar barreiras para evitar qualquer contato. Tudo se perdeu. Os sorrisos
pela chegada, os pequenos gestos, o coração acelerado, a respiração ofegante. Tudo
não passava de bobagens. Ela, um dia, abriu a porta e não voltou mais.
(.)
Como deve ser
E desde então nenhum dia escapou da lembrança daquele fim. Sua
sede era tanta, era sede de poesia. Mas agora não sabia o que fazer com tantas
palavras rabiscadas em velhos cadernos. Deixou-se transparecer demais e revelou
seus mistérios. Agora sofria por ver desconhecidos invadirem seu sossego. Seus segredos
eram notícias. Tapava os ouvidos na tentativa de abafar os sons, não queria
ouvir os dizeres, ditos em bocas sujas de vulgaridade. Estava indefesa. Temia quem
se aproximava. Seu conforto era uma velha casa empoeirada, herança da família. E
seu divertimento era ver as gotas de água que escorriam pelos velhos papéis que
abrigavam seus versos. Borrava o passado, mas não o apagava. Chora, mas
permanece. Desenvolve no silêncio e no escuro, onde a referência é só palavra. Suas
palavras unidas que formam sua essência. E mesmo sem a vontade de escrever,
seus movimentos são poetizados. Nada em vão. Apenas leve, como deve ser.
(.)
15 setembro 2012
In. Love
Ultimamente tenho tido preguiça de me apaixonar,
Olhar o outro se tornou normal quando não há expectativas
A agitação dos dias tem bloqueado os sonhos, e são neles que eu te vejo,
Você ainda é fantasia.
Minha criação imperfeita, pois há você atribui defeitos,
Defeitos estes que valaerão a pena corrigir, tô afim de te ensinar e aprender.
Vou deixar essa preguiça de lado e começar olhar a minha volta,
Quem sabe você não sumiu dos meus sonhos para aparecer na minha realidade?
(.)
In love
Olhar o outro se tornou normal quando não há expectativas
A agitação dos dias tem bloqueado os sonhos, e são neles que eu te vejo,
Você ainda é fantasia.
Minha criação imperfeita, pois há você atribui defeitos,
Defeitos estes que valaerão a pena corrigir, tô afim de te ensinar e aprender.
Vou deixar essa preguiça de lado e começar olhar a minha volta,
Quem sabe você não sumiu dos meus sonhos para aparecer na minha realidade?
(.)
In love
05 setembro 2012
Dias Felizes
Com o riso frouxo e a gargalhada no canto da boca.
Gargalhava alto e seu escândalo transmitia felicidade. Era uma nova fase para a
acomodação bater asas e trazer a agitação nos dias. Amadurecera com o passado tão
presente e fizera nascer uma nova esperança. Cuidar de si, ela queria cuidar
mais de si. Aproveitar as deixas que a vida começara a mostrar abrindo portas,
novas portas que ela, talvez por medo, não quis abrir. Agora ela era mais forte,
sentia seu coração bater no mundo e sua presença ganhar forma. Não precisava
mais inventar alguém que ela gostaria de ser, o que ela se transformara
bastava. A dualidade em que ela vivia com ela mesma somava-se a liberdade, e
sua prisão dentro de si fora libertada. A risada leve era de alívio. Alívio,
enfim, de se permitir deixar ser... Suspiros!
(.)
27 agosto 2012
Bossa minha
Depois de um banho a saudade do que foi deixado para trás.
Vontade de guardar a água que escorria e lavava o suor do dia. Bons tempos de
menina descobrindo a vida. Sem medo de nada, com a vida toda planejada. Menina
sonha. E os sonhos muitas vezes mofam na memória. Aonde será que me perdi
deles? Essa vida tão agitada não abre espaço para sonhar. Falo de sonhar
acordada. Tem coisa melhor? Sonhar com o que temos vontade, distante ou não,
sonhar por sonhar. Custa nada.Eu sonho. Talvez eu sonhe em ser aquilo que
escrevo. Aquilo que sai de mim e se desenha no papel. Mas certeza eu tenho que
escrever é terapia. Ler aquilo que se escreve é o melhor remédio. Eu já
encontrei a melhor forma de fazer análise. Tô numa bossa tão minha. Quero saber
de ninguém do meu lado. Ultimamente tenho me completado bastante. E quando a
falta e a carência batem na porta, elas trazem chocolate. Posso até estar sendo
egoísta. Mas egoísmo por mim mesma não faz mal. Tô só feliz comigo. Fase boa
para produzir, focar, planejar e fazer acontecer. E aqueles sonhos de menina ainda
não deixei para trás. Tirei só o mofo e dei uma olhadinha pra não esquecer. Agora
vivo outros, mais consistentes, fantasiar não tem problema, mas viver na
fantasia é preocupante. E quando eu era menina eu vivia numa fantasia só minha.
Criei um mundinho especialmente meu. Com o passar dos anos e a maturidade tive
que abrir mão de cuidar de lá e cá ao mesmo tempo. Tranquei o mundo de lá, e
resolvi ficar só aqui. Mas que falta eu tenho, e confesso que às vezes meu
refúgio se torna lá. É, eu dou minhas escapadinhas. Fecho os olhos. Deito no
chão. Quando acordo estou sozinha. Pequena e vulnerável diante da imensidão que
antes me tomara. Estou leve. Entrei nos meus sonhos de menina e resgatei você.
Quem eu sempre esperei chegar com sua bolsa de poesias e seu caderno de piadas
pra gente se ocupar ao longo da madrugada. Você que sempre chegou acompanhado
de violetas. Deixar escapar esses sonhos
não deve ser o mais sensato. Faço um afago leve,enquanto você sorri da minha
falta de jeito.
(.)
05 agosto 2012
Relações líquidas
Arrumar o cabelo, escolher a roupa especial. Vestido? Saia? Calça?
O sapato... Scarpin? Peep toes? Sapatilha? A make mais suave com tons puxados
para o marrom? Ou o olho Black, marcado sem fim? O batom virou moda. Mas o
vermelho combina com essa roupa? E a bolsa precisa combinar com o sapato? Perguntas sem fim, mas que fazem parte de
algumas horas antes da balada. Mulheres querem sempre estar bonitas, com a
melhor roupa, o cabelo mais brilhoso, o sapato ideal, a maquiagem perfeita. A
noite possui concorrência e você acaba precisando fazer parte do padrão de
beleza, com a roupa da moda. A caça estimula os olhares e você precisa estar em
sintonia com o ambiente. Chamar a atenção, às vezes não é fácil, e por isso
requer competência. Dançar mexendo suavemente nos cabelos, olhar
distraidamente. Quando você observa as pessoas a sua volta percebe o jogo que
acontece nas baladas. Os homens não cansam de inventar cantadas e de mentir descaradamente,
quantas para eles não “eram as mais bonitas da noite”? ou, para quantas eles
não falaram ... Estou apaixonado por você? E mesmo com tantos jogos, tantas
trocas de olhares e elogios sem fim, a noite é vazia. Nunca houve tanta
liberdade na escolhas de parceiros. A concentração no movimento da busca perde
o foco do objeto desejado. Daí a popularidade dos pontos de encontros. As
pessoas saem para evitar o tédio e o conflito da vida em comum podem se tornar
opções que se configuram como uma saída que promete uma relação com um nível de
comprometimento mais fácil de ser rompido. Duram muitas vezes apenas uma noite.
Sem direito de trocar telefones e muitas vezes sem mencionar nomes. É como
procurar um abrigo sem vontade de ocupá-lo por inteiro.Afinal, por que os
corpos, os encontros , as conversas e os amores escorrem pelos dedos e se
esvaem sem retorno como água? As relações se tornaram líquidas e passam
rapidamente sem que sintamos o seu gosto. O ter prevalece ao sentir, e a
solidão se torna um sentimento quase comum num mundo onde a comunicação é tão
fácil (virtualmente) e tão difícil (realidade).
(.)
12 julho 2012
Sossego
Luz baixa, redes e chá.
A sala estava aconchegante pelo vazio e pela pouca luz que
se podia ver
A energia dominava e preenchia; o ar tinha gosto de erva
doce, camomila, canela...
Era simples, leve, suave. Podia tocar, sentir e provar.
Foi uma tarde silenciosa do caos da cidade, do falatório das
ruas. O olhar repousou de tanta informação dos dias.
Desejei estar ali mais um pouco, por mais algumas horas. Mas
a realidade sempre te puxa para perto, e avisa que o sossego não deve durar por
muito tempo.
Quando se sossega demais fica difícil de retomar a agitação,
a rotina clichê.Pena! Que pena o mundo estar tão tumultuado.
Tumultuado de gente, de informação, de prédios, carros,
fumaça, poluição. Dói. É difícil encontrar aonde sossegar e como silenciar.
E silenciar é preciso.
Às vezes é preciso silêncio. Por favor?Obrigado!
(.)
16 junho 2012
suspiros
Se eu pudesse guardar numa caixinha, eu guardaria as emoções
vividas. Sabe aqueles momentos especiais em que vivemos emoções intensas? Eu guardaria
cada um. As emoções vividas nunca são as mesmas. Apaixonar-se uma, duas, três...
E tantas vezes nunca é igual. Por mais que o sentimento seja o mesmo “o de
estar apaixonado”, o do frio na barriga, as borboletas no estômago, sempre
existe alguma diferença... Conhecemos através de cada experiência uma nova
emoção, um novo sentimento que estava guardado doidinho para nascer. Ah as
emoções! Eu experimento tantas quando escrevo. Se eu pudesse eu guardaria todas
dentro da minha caixinha pra reviver sempre que a saudade apertasse.
(.)
12 junho 2012
Pseudônimo
Alice apareceu de novo.
Dessa vez Alice estava bêbada, embriagada de tanta dor.
Ferida dos pés a cabeça, Alice gritava.
Queria libertar as angustias que possuía.
Alice andava roubando minhas noites
Entrava em meus sonhos tornando-os pesadelos.
Alice era eu enquanto eu dormia
A sua dor virou a minha;
As suas angustias viraram as minhas
Eu gritava.
Alice me roubou de mim.
(.)
22 maio 2012
Alice
Alice veio até aqui confrontar o silêncio escondido em baixo
das cobertas.
Puxou o cobertor na tentativa de libertar o corpo, ainda
adormecido, envolvido por uma preguiça constante.
Olhou fixamente como quem quisesse entender... Conhecer.
Sentiu um aperto no peito ao perceber que era humana demais
e, portanto impotente para controlar a sublimação que envolvia a alma.
Alice quis libertar a dor colhendo as lágrimas de tristeza,
abraçou.
Abraçou-me na tentativa de sugar os males provocados pelo
mundo em feridas expostas na pele.
Desejou ser eu. Quis entrar em mim.
Alice era eu?
Alice vive em mim?
(.)
20 maio 2012
Obra de Arte
A artista que virou sua própria obra esquecera-se de si
Borrou os olhos de sangue com lentes de contato
Bagunçou o cabelo até tornar-se desgrenhado
Vagou.
Deixou de lado tudo aquilo construído
Quis ser a arte
Intocável.
Distante de todos que só podiam apreciar.
As obras de artes são feitas para serem apenas apreciadas
O toque tira a sua riqueza e divindade.
A artista nasceu de sua arte
E hoje descobriu que sair dela mesma é NASCER (de novo) numa
nova obra.
(.)
19 maio 2012
09 maio 2012
sede
Hoje foi dia de alimentar a alma
Convidei-me a passear.
Preciso tanto desses momentos íntimos
Preciso tanto de mim e dessa voz que fala quando só tenho a
minha companhia.
Andei por tantas ruas
Visitei tantos lugares. Fui além
Parei numa feirinha oriental, presenteie-me.
Adoro bijus e objetos orientais.
Vaguei sem pensar
Andei pelos caminhos que conheço pela intuição
Não tive medo da escuridão e nem dos becos que passei
Deixei meus pensamentos como borrões em cada esquina
Fiz-me presente na própria ausência que eu senti.
E por um momento o silêncio tomou conta das esquinas
Ouvi apenas a minha voz que parecia falar alto,
E no final da minha caminhada senti sede
Pensei na sede que tenho sentido ultimamente
Na vontade de ser mais.
Olhei a minha volta e vi um mendigo
Ele parecia tão seguro de si
E ao mesmo tempo a minha escuridão foi tomada pelas luzes de
um bar
O meu silêncio havia sido quebrado pelas vozes alheias
Mas a minha atenção fixou-se ao mendigo, ao silêncio que ele
possuía,
E entendi que por mais que a minha sede fosse grande,
Era sede de água.
(.)
30 abril 2012
Esta noite
Se entendes o seu amor
Ajude-me a entender
Por ti eu dei tudo
Arrisquei sem pensar
Hesitei.
Parei pra pensar
Percebi que os ventos são constantes quando estou com você
A ventania uniu o que eu um dia chamei de nós.
Olhei-me a mim, e vi em mim seus olhos
Seu devorar dominou meu corpo
Entendi sua pretensão em me querer
A vulgaridade da sua voz consumia o meu redor
Desejei ser mais do que você queria
Aumentei o meu ao redor no todo que eu pude construir
Mas você destruiu minha arquitetura
Afogou meus sonhos no seu mar
Sua grandeza te predominou
Fez de mim um diminutivo do que você era
A minha imperfeição você quis moldar
Quis esculpir a perfeita delicadeza
Não percebeu minha brutalidade
A mulher noturna que se alimenta de escuridão
Escapei de você
E ao mesmo tempo de mim.
Olhei-me com os olhos teus e vi você dentro de mim
Acabou com tua vida e mesmo assim
Decidiu levar a minha.
E há um tempo eu esperei
E há um tempo que eu vinha esperando
Você entender/a mim
Olha-me de novo
E mais atento. (.)
Ajude-me a entender
Por ti eu dei tudo
Arrisquei sem pensar
Hesitei.
Parei pra pensar
Percebi que os ventos são constantes quando estou com você
A ventania uniu o que eu um dia chamei de nós.
Olhei-me a mim, e vi em mim seus olhos
Seu devorar dominou meu corpo
Entendi sua pretensão em me querer
A vulgaridade da sua voz consumia o meu redor
Desejei ser mais do que você queria
Aumentei o meu ao redor no todo que eu pude construir
Mas você destruiu minha arquitetura
Afogou meus sonhos no seu mar
Sua grandeza te predominou
Fez de mim um diminutivo do que você era
A minha imperfeição você quis moldar
Quis esculpir a perfeita delicadeza
Não percebeu minha brutalidade
A mulher noturna que se alimenta de escuridão
Escapei de você
E ao mesmo tempo de mim.
Olhei-me com os olhos teus e vi você dentro de mim
Acabou com tua vida e mesmo assim
Decidiu levar a minha.
E há um tempo eu esperei
E há um tempo que eu vinha esperando
Você entender/a mim
Olha-me de novo
E mais atento. (.)
29 abril 2012
E por falar em batom cor de rosa...
Ainda menina, talvez eu seja apenas uma menina...
Não por medo de crescer.
A mulher que existe ainda usa as sapatilhas de ballet,
Deixa de lado o salto agulha e deseja só dançar.
Troca o vestido preto pela saia rodada e deseja sonhar.
A mulher-menina, a menina-mulher... Eu!
A mulher-menina, a menina-mulher... Eu!
Apenas eu,
E um frio na barriga pela chegada da primavera.
(.)
28 abril 2012
Desconhecida
Tranquei a porta e fui conhecer o desconhecido
A minha realidade conhecida eu deixei para trás.
Mudei.
Transformei o que eu fui no que sou presente
Calei as palavras mal ditas
Silenciei o medo que acovardava.
Fui.
Bati a porta.
Joguei a chave fora num poço sem fim
Corri longe
Cheguei ao mais longe que pude ir.
Distanciei a aproximação de mim
Esqueci do meu nome.
Tomei outro rumo ao virar à esquerda
A direita que me pertencia eu apaguei.
Soltei as lágrimas, as tantas que guardei
Por fim, a porta estava trancada
Eu mesma a tranquei
Eu volto a minha realidade ao olhar no buraco da fechadura.
(.)
23 abril 2012
Quebra-Cabeça
Dias corridos
Horas bem aproveitadas
Ousei.
Encaixei mais uma arte em minha vida
Além da poesia, pintura, teatro e cenografia
A dança ganhou destaque.
Completei mais uma parte do que me faltava.
Ainda possuo espaços vazios, mas a graça é encaixar.
Às vezes dá errado, mas quando acerto algo se transforma.
Eu me transformo, e é assim a cada dia.
O meu quebra cabeça aos pouquinhos vai ganhando novas peças,
E confesso não ter pressa de concluir, de me concluir.
Devagar e a cada dia eu acrescento uma nova peça/em mim.
(.)
08 abril 2012
Espera
Fluir. Deixar fluir. Ir devagar. Em passos cautelosos eu deixo
a sede para trás. Imaginação. Imaginar a cena mais bonita. Morro de desejar.
Esbarrar. Cuidado. A bolsa no chão. Pertences jogados. Você. Eu. Abaixados.
Olhar. Meu. Seu. Conhecer. Possível? Rezo ao papai do céu.
(.)
03 abril 2012
Romeu no meu closet
Acordei mais tarde, permiti ao meu corpo um maior descanso
Espreguicei num bocejo que hoje durou mais do que de costume
Fiquei deitada por estar.
Apreciei a manhã jogada à minha cama
Enrolada aos lençóis
Abraçada pelos travesseiros
Que preguiça!
Sentei a mesa. Tomei café da manhã que por dias havia
esquecido
Torrei o pão e passei requeijão
Comi salada de frutas, e,
Que delícia ver
chocolates pela manhã.
Deitei novamente,
mas agora no sofá
Liguei a TV e
advinha: Romeu + Julieta.
“O que é que há,
pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria
igualmente bem.”
Que frase doce,
ainda pela manhã.
Entrei no closet,
revirei minhas roupas
Que preguiça de escolher
Que preguiça de
arrumar.
Deitei ali. Entre o
que visto e o que sou.
Confundi.
Hoje estou confusa.
Que preguiça de
levantar.
Olhei a cama ainda
desarrumada e,
Os livros jogados
que ainda não li
Preferi fechar as
portas do meu closet e adiantar a noite.
Dormi.
Sonhei com você que
ainda não conheço, mas sei que está por perto
Hoje desejei logo o
meu Romeu, mesmo não querendo ser a Julieta.
(.)
25 março 2012
Casa cheia
Primeiro acordar. O sol invadiu a janela, penetrou pela cortina de voil. Acordei. A casa estava cheia. O silêncio subiu pelas paredes e foi repousar no teto, agarrou-se ao lustre novo que comprei. A arrumação foi desfeita, a mesa de centro acolheu novos pés. A cozinha ganhou sabor. Eu estava entre muitos, deixei o só do hoje para trás. Recebi minhas flores prediletas. Mimos e abraços sem fins. O dia acabou. Restei aqui. O silêncio desceu do teto e veio encostar-se a mim. Hora de dormir. Amanhã preciso acordar e arrumar a bagunça que foi feita aqui.
Segundo dormir.
(.)
(.)
24 março 2012
Direito de descansar
Madrugada chuvosa acompanhada de uma insônia que não me
deixa dormir.
Eu, poetizando.
Minha voz hoje está curta, preferiu calar.
As letras estão soltas, não chegam até mim.
Em desfecho, sou mistério.
Toda noite mal-dormida vira o caos do amanhã que hoje estou
A vida questiona,
O corpo fraqueja. Mais uma queda
E o instinto ameaça: pode ser fatal.
Os pés cansados tocam o chão, o apoio da vida.
O chão parece acolhedor, sinto vontade de ficar.
Estou no limite, o chão é o limite, não? Na queda, do chão
não se passa.
Estar no chão é assustador.
Preciso de asas, dei-me as minhas asas.
Meus pés falharam, e eles têm o direito de descansar.
(.)
21 março 2012
Ausência
Falar e não dizer nada.
Ultimamente estou com preguiça de mim.
Estar presente todos os dias cansa
Ser presente e nem sempre.
Às vezes voo para outros mundos
Mas nem sempre eu sei onde estou.
Por vezes me encontrei perdida não conseguindo voltar
O caminho de volta nem sempre é o mesmo da ida
Por isso me perco quando me torno ausente.
E hoje eu queria ser essa ausência minha.
Posso?
(.)
15 março 2012
Tapetes
Comprei tapetes, aqueles coloridos, que vendem em feirinhas.
Coloquei alguns no meu quarto, e o pisou que já estava gasto
ganhou uma nova cor
Adoro enfeitar minha casa, preencher cada cantinho com um
pouquinho do que sou.
Mas voltando aos tapetes,
Tenho uma tara por eles.
Acho que é uma forma de pintar o chão
E pisar em tintas frescas,
Sinto-me flutuar.
Brinco de escorregar, volto a ser criança.
Tenho uma linda cadelinha que os adora
Dorme, se esfrega e brinca.
Os tapetes guardam as nossas lembranças
Neles há sempre um pouquinho de cada lugar que já conhecemos
Sei que por eles não guardo sujeiras comigo
E às vezes quando tento desviar
São eles que se enroscam aos meus pés.
Em meus passos, novos ou não
Eles fizeram parte pelo simples fato de estarem a minha
disposição,
Em meu chão.
(.)
10 março 2012
Encontro com ela mesma
Caminha pelas ruas da cidade
Entra em diferentes dimensões
Ela, caminha na ponta dos pés
Encanta-se com as pinturas espalhadas pelas ruas
Vê em cada rosto a perfeição calculada,
A diferença existente em cada ser.
Suspira sorridente.
Senta em um lindo banco de praça
E lê “Para fofocar”,
Ela, que está sozinha, sorri.
Começa um diálogo com ela mesma e,
Fofoca com a sua outra metade.
Ela, não está mais sozinha
Suspira aliviada.
Seu outro lado apareceu para lhe fazer companhia
Contar os segredos que ela, do outro lado, ainda não sabe.
(.)
08 março 2012
desconhecida de mim
O mundo parou, o será que eu parei?
Por um momento acho que sim.
Parei em alguns momentos e agora não consigo avançar
Acordar se tornou um tormento quando nada se tem a sentir
Falta à sensibilidade colada, de mãos dadas, sinto falta até
doer
Dói.
Esmagada, assim estou.
Olhar e nada ver,
Querer gritar, mas a voz não sair
Desespero.
Girar no mesmo eixo
Andar parada
Correr com as pernas amarradas
Quem me roubou de mim?
Acorda.
Alguém me acorde.
Por favor, dê-me um susto.
07 março 2012
Amor à primeira vista
Tudo começa com um olhar
O amor à primeira vista é uma constante de todos os dias.
(.)
06 março 2012
Ludus
Quero por inteiro. E hoje já não aceito uma parte
Rasgue as cartas velhas
Colha as lágrimas gastas e as jogue no lixo
Entro aqui. Mas não quero ver lembranças
Tire o pó acumulado
Abra as janelas
Lave os lençóis, os novos que eu comprei
Esqueça sua outra vida se quer viver uma nova
Não deixe nada entre nós
Te querer não é fácil
Não me decepcione
Não quero suas sobras
Muito menos as migalhas em cima da mesa
Deixo claro.
Eu só vou com você, se for para ficar.
(.)
05 março 2012
Colorir
Colore o dia com tons suaves
Espalhe a cor e pinte cada existência
Deixe fluir
Deixe colorir
A vida em preto e branco nem sempre é a mais bonita
Mas às vezes é preciso descolorir para olhar mais profundo
Ter ausência de cor é ser destaque nesse mundo colorido
Colore
Descolore
Deixe preencher os espaços vazios
Alimente a alma com pinceladas de cor
Deixe pulsar
Ser um breve pulsar de um silêncio antigo que alcança o tom.
(.)
02 março 2012
Meditar
Interiorizar-se
Conectar a mente ao silêncio da vida, ir além
Desligar o som da voz; desligar os ruídos do mundo
Silenciar o corpo e quase adormecer.
(.)
27 fevereiro 2012
Suar a vida
Escorre suor do corpo vivo
Limpe os males da existência
Excrete os desejos íntimos
Desmanche a pele em suor
Secrete o trabalho árduo
Derrame suor.
Transpire suas vontades íntimas
Viva uma vida mais modéstia
Deixe os perfumes
Desconforte-se em suar a vida
Suar por si mesmo é libertador
Eu, suando, sou eu de verdade.
(.)
(.)
24 fevereiro 2012
Visceral
Falo de você que dividiu a casa, a cama e os lençóis
Falo a linguagem dos gatos em demonstração a minha defesa
Aos seus ataques apresento minhas garras vermelhas
Vou miar sua noite e soltar um “hisss”.
11 fevereiro 2012
Boas vindas da Lua
Ir dormir... é, eu estava indo dormir.Mas primeiro fui abrir a janela do meu quarto e ao olhar pro céu vi a lua. Linda como sempre, mas naquele momento diferente. Era a lua envolvida pelas nuvens e um brilho radiante. Era mais. Uma pintura enquadrada à minha janela. Me emocionei. Esse ano é o ano da lua, e de alguma forma senti as boas vindas. Ascendi um incenso de recepção. Adormeci. E quando acordei desse sono leve, ainda era noite. Fui olhar a janela. E a lua se escondeu atrás das nuvens. O incenso virou pó. Fechei as cortinas e fui dormir.
(.)
(.)
10 fevereiro 2012
Segredar
Sussurrar a brisa que passa
Dizer em voz baixa... Segredar
Sussurrou-me ao ouvido
Um nada a dizer
Que talvez tudo tenha dito.
09 fevereiro 2012
Dentro da minha caixinha
Escondida dentro de uma caixinha o dia passa devagar. Lilás é
a cor da caixinha que estou. Tranquei o tempo para esconder os medos. Abafei
lembranças dentro da minha caixinha e reservei espaços para o que só me faz
feliz. Há algumas frestas por onde a luz entra de mansinho e colore o escuro
dos pensamentos. Talvez eu já fosse livre das minhas coisas. Não me importo em
perder, dar... Doar. Mas aqui dentro eu guardo o que ninguém pode ver. É
sentimento poetizado que se colore quando encontra um papel. Escrever é minha
arte. Procuro refinar as emoções e assim vou decorando a minha caixinha. Limpo e
renovo sempre a minha poesia. O segredo é que me escondo dentro dessa caixinha
e a verdade ainda não encontrei.
(.)
30 janeiro 2012
Descortinar
Avistar e descobrir o longe enquadrado a minha a janela
Revelar ao olhar o prazer da descoberta
Descortinar o palco nu é conhecer
Despertar a subjetividade para alimentar a alma.
Apegar-se a realidade que descortina
É ser a própria essência
O translúcido que permite a luz navegar.
Do magenta e do azul
Transformei-me em violeta.
Puxar a cortina do pensamento e deixar a esperança entrar
Descortinar o véu
Desbravar o céu
Ousar voar
Enfeitar a janela com violetas e deixar irradiar.
(.)
26 janeiro 2012
Deixa levar
Deixa passar essa ventania
Deixa levar essa poeira que acumulou entre nós
Fiquemos a sós.
Vamos retomar o que
ainda não começou
Reescrever essa linda história
Rabiscar os erros e apagar na memória
Viver entre nós
Entrelaçados pela vida que nos uniu.
Quero amarrar meu eu em você
Presentear-te com o meu coração
E Em troca quero seu olhar misturado ao seu sorriso
E um beijo para eu nunca esquecer.
(.)
20 janeiro 2012
Incógnita
És à noite aqui me acolhendo
Abraça forte a esmagar
Em volta a brisa suave a acompanhar
A luz do abajur ilumina um meio rosto
Que o outro pertencer à escuridão...
Em sombra posso me ver.
Ser incógnita instiga saber procurar
Desvendar os mistérios que flutuam a minha sombra
Sou maior do que posso ver.
Estou a resolver a equação que paira a vida
Em desconhecido...
Fico aqui a esperar
É manhã!
(.)
18 janeiro 2012
Violeta
Vivendo de grão em grão e construindo minha poesia
Perfumando o universo com as palavras mais bonitas
Regando a violeta para florescer
Ascendendo incensos para renascer
.
Na leveza da flor introvertida eu encontrei meu refúgio
Aprendi a captar o meu próprio segredo
E a dizer levezas que ninguém poderá dizer
.
Tatuei a poesia e agora tatuarei você.
(.)
27 dezembro 2011
Sentindo o sentido que é só meu...
O que se perde enquanto os olhos piscam?
A evidência do significado único
A ilusão e algo que me dê à sensação de estar viva
Um esqueleto que vive e pinta
A escolha de ser artista
O poder da arte e nada mais
O estar no palco e ir ao teatro
A era da hipertransparência
A descrição guardada, e lançada a pó por outros indiscretos
O amor passível de ser combinado
O real esquecido
A ausência da verdade
O quarto novo decorado a pisca piscas
A cadeira virada
E o equilíbrio que acabou e virou
Você 9/5 Eu 9/5
A incerteza que trouxe inspiração
A semana sem chocolates
A intensidade de estar feliz
A mistura liquidificada
O momento de descoberta
A sala 5
A dinâmica
As cartas de um poema de amor que ainda não escrevi
A sala 2 e o amor que não tem fim
A segunda para se fragmentar
Os barquinhos a navegar
A necessidade de amar
Mas o que é o amor?
A casa vazia sem o ballet
O cabelo pintado com luzes do dia
O quebra mar
Os dias de ensaio
As listas
As previsões diárias
A cobrança de algo que eu dispus a jogar no universo
Os versos executados
A noite em Paris
Os sonhos para vestir
A liberdade em cachoeiras
O piquenique do amanhecer
O final que antes era início
Abriu e agora fechou as portas
Do que antes desconhecido
O destino eu moldei.
FIM, 2011!
(.)
17 dezembro 2011
Na preguiça
A fuga da liberdade raptou a última gota de esperança
Arrumei pra desarrumar, e por fim, valeu de nada.
O que cansa é pensar e repensar e nada ter
Ver labirintos e não saber escolher caminhos a seguir
A dúvida de sempre, aquela de toda hora
A preguiça de querer contamina as desilusões
E as vontades congelam na demora.
.
A rotina bagunçada virou o prazer de caminhar
Na corda bamba prestes a cair é que sinto o perigo
Devoro o medo a possuir e saio um pouco das metodologias
Rasgo a agenda que carrego na bolsa e espalho meu dia a dia
Deixo de lado as reticências a fim de colocar pontos finais
Re (começo), (re) começar...
Alcançar.
.
Preguiça de querer,
E por hoje esconder nas cobertas.
(.)
12 dezembro 2011
Variando
Quando não há limites entre o céu e o chão eu corro solta
Solto as fraquezas envolvidas por angústias pelo desejo de libertar
Liberto as palavras escondidos pelo medo do não dizer
Digo em berros altos e ritmados a palidez da voz calma
Acalmo a inquietude desse pobre coração que deseja um, dentre tantos, você.
Atira no escuro o corpo despido e embaralha os ponteiros que giram
Gira na contra mão da linha do destino
Destina a alma que se mistura em tintas frescas a derramar
Derrama nas telas pálidas que já famintas de cores a devorar
Devora a face que de sede deseja algo que cure a fome de viver.
(.)
08 dezembro 2011
Dormi
Acorde , Acorde, Acorde
Ele gritava.
É possível/ permitido um dia não querer acordar?
A fantasia e os sonhos misturados a vontade fazem a gente delirar
Delírio este que se perde e que se encontra em noites de pensamentos
Pensamentos estes que são fantasias
Fantasias estas que nos levam a magia
A vida podia ser sempre leve como a poesia.
(.)
20 novembro 2011
18 novembro 2011
tatuagem
Toco na feriada que criei e sinto a cicatriz em minha pele
Tatuei a poesia, a fiz sangrar e viver eternamente em mim
Meu sangue se misturou e escorreu pelas letras que acompanham o seu, e o meu coração
Somos nós, a sós
Pertenço a você e você ao meu pertencer
-Uma só-
Do meu útero dei-lhe a vida, a você POESIA!
(.)
(.)
14 novembro 2011
Elas
Era o dia delas...
Pelas ruas espalhavam suas graças de tanto rir
Era o dia em que um dia o cinema se tornou a parte do todo que fez a parte
Era a fofoca misturada com tantas histórias, um verdadeiro baú de memórias.
Era a Gabi e a Thaíssa
Era a Thaíssa e a Gabi
Era eu e você
Éramos nós
Era eu, ela, e você...
Era a confusão da semelhança, a afinidade e infinidade
Eram as ruas de botafogo, o cinema, a livraria, as fotos, a tijuca e o mousse de chocolate
Era a parte do que somos pelo o que antes construímos
Era o ontem, o hoje e o agora
É amanhã, depois e o talvez...
É sempre
É surpreendentemente.
É o livro das nossos vidas, as nossas rimas
É a contaminação da alegria
É a energia explosiva
É a vida que interessa e a gente apressa
É o mergulho
É a escolha
É querer muito e não querer nada
É quando tudo e nada ter.
É a sintonia que se completa pela falta que a outra possui
É a memória que cada uma guarda em lembranças engavetadas.
Era o destino certo
É o encontro previsto
Era eu
Era você
Sou eu
É você.
Era o passado da infância
É o presente que canta
E o futuro que vai ser.
São os planos e as conquistas
É a sua vida e é a minha
É a nossa possibilidade calculada em poesia...
É a previsão que sempre se concretizou... eternamente!
Ela, a você.
( Para uma amiga muito especial )
12 novembro 2011
(Eu e você)
falta o riso colado ao canto da boca
e as reticências a infinitar...
descardo seu ponto final.
quero suas vírgulas após suas palavras, e reticências ao que não se sabe dizer...
seus textos falados a berros estridentes talvez eu queira ouvir.
falta o riso colado ao canto da boca
e a sua boa colada a minha
falta o ponto final do beijo e as reticências pela falta do que dizer.
(Eu e você)
(.)
adiante
adiante com a vida
adianto o destino
diante de adiantar,adianto o hoje a ser amanhã, e amanhã o depois, que depois o infinito adiantar.
(.)
26 outubro 2011
O mendigo escritor
Dono das ruas e vestindo trapos gastos o mendigo caminha, a caminhar...
Aproveita os numerosos papéis que são jogados em sua casa e escreve suas lindas histórias, em tons de fantasias, pela falta de sua própria vida.
Sozinho nas manhãs e madrugadas ele fica a observar...
O café que começa o dia
O pão fresco da padaria.
Vê o todo, o dia dos outros e então se preenche.
Escravo do aprisionamento da sua própria solidão ele caminha, a caminhar...
Intimida aqueles que fazem parte de suas tantas histórias rabiscadas em velhos papéis...
Espera um bom dia, que nunca sai de nenhuma boca, pois todas estão ocupadas demais.
Espera um olhar, mas todos os olhos estão preocupados com o si, que não cabe mais ninguém.
Abraço? Esse sim ele sabe que é loucura. Que louco seria capaz de abraçar um mendigo que vive pelas ruas tomadas pelo suor de cada dia?
O que ele queria era um momento como um sujeito, sentir ser amado, ou pelo menos uma lamentação de alguém capaz de enxergar a falta que ele é, e o todo que ele pode ser.
Ele continua suas histórias imaginárias na esperança de um dia poder deixar de ser apenas um objeto das ruas cruas, e entender, fazer entender, fazer conhecer essa falta de algo que ele ainda sente.
O mendigo caminha, a caminhar.
(.)
O pão fresco da padaria.
Vê o todo, o dia dos outros e então se preenche.
Escravo do aprisionamento da sua própria solidão ele caminha, a caminhar...
Intimida aqueles que fazem parte de suas tantas histórias rabiscadas em velhos papéis...
Espera um bom dia, que nunca sai de nenhuma boca, pois todas estão ocupadas demais.
Espera um olhar, mas todos os olhos estão preocupados com o si, que não cabe mais ninguém.
Abraço? Esse sim ele sabe que é loucura. Que louco seria capaz de abraçar um mendigo que vive pelas ruas tomadas pelo suor de cada dia?
O que ele queria era um momento como um sujeito, sentir ser amado, ou pelo menos uma lamentação de alguém capaz de enxergar a falta que ele é, e o todo que ele pode ser.
Ele continua suas histórias imaginárias na esperança de um dia poder deixar de ser apenas um objeto das ruas cruas, e entender, fazer entender, fazer conhecer essa falta de algo que ele ainda sente.
O mendigo caminha, a caminhar.
(.)
21 outubro 2011
Hoje estou assim
De hoje em diante serei o que sou no instante agora.
Quem dera... Quem me dera ser assim...
Tem dias que involuntariamente estamos felizes
Nada de especial, porém um dia especial.
Hoje estive assim... Ainda estou... Eu assim...
Acordar com uma sensação de que o dia está pronto a te abraçar
Permite uma calmaria, uma confiança misturada com uma incerteza
Que a pureza encontra a proeza a caminhar...
Simples sentimentos, às vezes, chegam perto do ouvido e sopram esperança de dias melhores
E assim continuo incerta, mas com a certeza que além de hoje outros dias (felizes.) virão.
(.)
22 setembro 2011
Espelho, espelho meu
Hoje comecei mudando meu quarto...
Abri o armário e o espelho que me vê
Via-me a revelar...
- E essa é ela que não é?
O agir do tempo amadureceu o futuro
Que este presente estou.
Fui acostumada a fingir que nada acontece lá
(Fiz o favor de mentir)
Assim não me sufocam
E eu vivo tudo o que aqui acontece... Dentro e só de mim.
Eu tenho lugares lindos
E muitos ainda não conheço
Mas não tenho pressa, pois não quero tropeçar em meus pés
Deixo-os a caminhar suavemente e sigo o que sei ser a hora certa
O meu destino, às vezes, me convida para um chá...
Recebe-me gentilmente e abraça forte este corpo meu a pertencer.
Não quero o mundo inteiro
E sim uma parte a me encaixar...
Não pretendo ser dona de mim eternamente
A propriedade do meu "eu" às vezes cansa
E o cansaço faz o espelho deixar de conhecer
O que um dia foi para o que hoje é...
Amanhã vou olhar para frente e assim conseguirei me enxergar melhor.
(.)
17 setembro 2011
Licor da meia noite
Nasce madrugada espalhando o calor frio
Eu, aqui, como sempre, de costume
Sirvo-me do licor para aquecer minha noite
Sinto em meus lábios o doce ardente antídoto
O amor que já provei, há tempos atrás
Esquecera eu o sabor
O cheiro e
O calor...?
Estive isolada em minha própria solidão
Pintei o vazio em lindas aquarelas
Para esconder as lágrimas delas
Disfarcei o que sou para esconder o que nem sei bem se sou
Eu quem em mim sente.
Descombinei as cores
Abandonei a falta que eu fiz crescer
Arranhei as portas de madeiras de tantas lamentações
Nem ao menos descontei em minhas poesias
Ainda bem. A sanidade falou mais alto... Em berros curtos que pude ouvir
Preservei a última gota que me acalma... Em berros longos que ninguém pode ouvir
Cá estou eu, aqui, como sempre e de costume
Falando em um tom baixo, ouvindo apenas o toque da caneta no papel
Com meu licor de um lado
E do outro lado o vazio,
... de sempre, que está prestes a mudar!
(.)
(.)
Quero beber o licor de ti (.)
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