28 maio 2017

pra fofocar

sobre encontros programados e uma falsa ilusão de querer
ser o certo pra alguém é um mero clichê que estamos viciados
essa busca sem freios lota as cadeiras de um bar 
e é tanto papo furado pra terminar num único beijo
depois ... não existe 
cada um do seu lado na eterna espera de mais um 
e quantos mais?! 

geração sem ação de se jogar livremente 
é tanta programação em ser e fazer que perdemos o inesperado 
está tudo calculado em filtros sem limites 
sou eu e você na distância de uma tela 
e o tempo pra dizer que continua 
enquanto nossos olhos só querem enxergar através das imagens 

falta olhares atentos querendo encontrar num banco de praça 
alguém pra fofocar...

(.)
mahaivi





21 maio 2017

sou

sou fome de inverno embriagada de vinho 
sou fumaça silenciosa que passa na escuridão da sua sombra
sou desejo por ser arte em toda parte 
e em várias formas de ser...

sou energia de cores em formas cristalinas 
sou asas pra voar sob seus olhos tigres 
sou leoa da minha floresta e sua guardiã de canções 
sou vento que traz tempestade pro seu sol...

sou janelas e portas pra invadir sua calmaria 
sou presença que insiste em permanecer...

sou poesia pra nascer com o dia 
sou o lilás da noite antes de chegar...

sou você deitada no seu peito
sou a nova versão pra sua vida
sou pipa livre que mora nas montanhas 

sou solta, quero dançar com você.

(.)
mahaivi



01 maio 2017

inventar pra construir as certezas que te levam a descobrir suas verdades caladas e aprisionadas em sonhos silenciosos
é preciso desvendar o véu e deixar fluir a coragem que te liberta de ser sempre e MAIS o modelo exato e mais perto do que lembra você...
somos brinquetos estáticos quando não desafiados por essa vida passageira
precisamos movimentar as articulações e fazer os órgãos pulsarem  a energia necessária pra sermos cada vez mais ativos na busca dos nossos sonhos. E viver ...

(.)
mahaivi

23 abril 2017

sobre embarcar no meu próprio avião 
de asas minhas...
e deixar que os dias me cantem poemas 
sobre essa nova língua que inventei...

(.)
mahaivi

12 abril 2017

farol

me atrevo a dizer que a vida é um encontro às 02h da manhã,
essa hora a madrugada já dominou as ruas e meus olhos piscam
como faróis no meio da calmaria dos seus ...

(.)
mahaivi
Tenho andado distraída
Seguindo passos programador pelas marcas de tintas nos pés ...
Dessa multidão que invade à vida
Às vezes prefiro me recolher
Deixar o silêncio preencher os cantos das paredes do quarto
E só restar ... eu.

Sou vontade de tudo que ainda não me pertence
Sou impulso por mergulhos em mares distantes...

É sobre acordar e alguém te inspirar de mansinho ...

(.)
mahaivi

06 março 2017

about

sobre túneis que cortam a cidade e te levam na escuridão úmida
sobre a menina que escreve à partir das 14h com os olhos inchados e borrados de preto
sobre uma casa invadida de purpurina para lembrar que o carnaval aconteceu ali
sobre a música não parar / berrar nos ouvidos um grito
sobre o que compartilhamos em apenas um dia...
sobre seu penteado bagunçado cair sobre o meu rosto enquanto o sol invade a janela do quarto
sobre seu peito tatuado que fiz de travesseiro nesses últimos dias
sobre esses encontros que duram apenas um dia, mas que valem por três
sobre ir e deixar saudade...

(.)
mahaivi

09 novembro 2016

Angulares

Às vezes não precisamos ir tão longe...
O perto pode dar conta de renovar.
Que tal ir naquela praia "distante" que na verdade é só atravessar a rua ?
Ou deitar sobre uma natureza que você encontra na praça do bairro?
Não é preciso ir tão longe para descobrir a beleza que nos rodeia todos os dias 
Precisamos acostumar o olhar, definitivamente, ENXERGAR o que as esquinas beirando curvas querem refletir nas nossas retinas cansadas...
E deixar os diversos ângulos distorcerem pra imaginação criar o novo a cada dia.

(.)

mahaivi

28 outubro 2016

a(mar)

está quase na hora de ascender o pisca pisca e ceiar junto da mesa farta, 
o ensaio de mais um adeus...
que esse final ainda restante surpreenda pra fazer valer os mergulhos em tantos mares
e que as espumas que correm cobrindo as areias 
me aqueçam da paz que elas trazem das profundezas.

Abrir os braços pra sentir o sol queimar a pele em sal de a(mar).

(.)
mahaivi

05 outubro 2016

vaz io

vazio é um copo cheio de agonia que transborda ansiedade e faz derramar o medo pra escorrer
as lágrimas amarguradas da solidão...
esvazia
lava
enxuga
e guarda...
no fundo do armário e além do alcance das mãos.

(.)
mahaivi

paralelepípedo

ando pelas ruas olhando pro chão ultimamente
descubro tesouros entre os paralelepípedos
junto todos.
tudo.
que faz o olho brilhar ...

(.)
mahaivi



28 setembro 2016

Chuva interior

da ventania que arrancou as janelas dessa falsa tela de proteção, ela, decidiu correr pelos galhos caídos das árvores e resolveu colher as folhas secas para atirar no alto e sentir cair a chuva de um final de outono...
enquanto o mundo acontecia lá fora
a ventania derrubava o dentro pra calar o medo de não arriscar.
eis que a liberdade tomou as rédeas da menina moça
e fez os curturnos estonados e gastos caminharem em outras curvas
pra encontrar uma nova direção!

Viva a chuva interior

(.)
mahaivi

02 setembro 2016

Olhar mais atento pra entender a evolução que acontece interior(mente)
Um degrau de cada vez e dois ao mesmo tempo
É o tempo correndo apressado com o relógio pendurado
E a calmaria noturna sendo silenciada pela meditação
Faces e fases refletem no espelho duplo
A face de quem já amadurece
Pela fase equilibrista de quem atentamente reeduca seu eixo e une mente/corpo sã

(.)
mahaivi

01 maio 2016

avec mói

tomaria um café avec mói querido senhor vinte e cinco?
uma espera ansiosa por um dia de transformação, meu dia...
só desejo continuar seguindo em frente e aceitar os caminhos que devo escolher/conhecer
venho aprendendo que a vida é muito mais que realizar e construir
claro que buscar realizações pessoais/profissionais/materiais faz parte do todo que estamos inseridos e de certa forma o mundo impõe a seguir determinados padrões/ etapas/ rotinas...
mas cada vez mais entendo que desejo viver ao avesso de todos esses clichês
ainda assim tenho minhas buscas pessoais, que de fato, são bem mais pessoais... falo por questões que  são apenas minhas...
talvez seja difícil compartilhar tantas delas,
mas venho me disciplinando a gostar desse mundo caos e procuro entender o todo que me cerca
tudo está ao mesmo tempo aglomerado de tanta informação visual/ gestual/ material
todos os espaços parecem estar preenchidos que às vezes fica difícil enxergar um vazio pra tentar preencher...
e meu desejo é ser arte, de toda parte... pura e simplesmente
é chegada a hora desse encontro tão esperado com meu querido vinte e meio
tomaria um chá ( porque, na verdade, nem gosto de café) avec mói querido senhor vinte e cinco?

hora de brindar/brilhar.

mahaivi

(.)

20 abril 2016

nasce pra nova vida que chega em mãos o maior presente
deixo as palavras escaparem pra quem quiser ouvir a poesia que sai desse corpo arte
mil caminhos para escolher um e desvendar esse labirinto
tudo pulsa em prosa, pele/ pelo
o despertar dos olhos famintos de viver.
renascimento do turbilhão da mente que agora calma deseja desencapar o fio que conduza o olhar e abra esse corpo para os sons do mundo...

mahaivi
(.)

13 abril 2016

Algo em Dão

leve como pluma; branco feito neve
Algo está em Dão que procura entre a  brancura perfumada a soma de dois pra formar:


Algodão.


mahaivi
(.)


18 março 2016

lambe

apaga a luz e deixa a escuridão silenciar as vozes que sussurram em tom abafado no inconsciente
deixe a poesia sair pelas entranhas e veias que pulsam em órgãos os batimentos desse corpo em cor e arte
cospe a saliva seca que impede de engolir
deixe virar tinta fresca pra borrar o branco pálido de timidez
torce as mãos da criação e amasse os papéis...
vira cola em água e lambe.

mahaivi
(.)



17 março 2016

quantos caminhos até chegar na rua certa da curva torta
bater de porta em porta pra encontrar a melhor vista pra assistir a vida passar
tantas coisas que vem e vão, tantas pessoas entram e saem/ voltam e dão ré
cada manhã um novo dia pra entender que ainda há muito em cada esquina pra encontrar
viver ainda tem gente que não compreende que é preciso lutar.

mahaivi
(.)

10 março 2016

estrelas

as mãos temperadas de sabores e um olhar faminto de quem aprecia 
já saquei de cima a baixo; frente e costas; lados... Você 
fica mais, 
uma... dez horas seguidas pra tanta conversa 
ainda tenho tanto/ muito e o mundo pra te contar
sem pressa de esperar o forno assar 
o vinho acabar 
a chuva passar
fica aqui, do lado vizinho, esquerdo, onde o coração bate forte 
tanta sorte encontrar 
em multidões procuras 
o perfume suave 
o sorriso meio canto de boca 
aquele da tatuagem mais bonita 
estrelou...
de mansinho uma chance de recomeçar.

mahaivi
(.)

07 março 2016

borboleta azul

Flutua em asas azuis ametista no sol da manhã de verão
Presença calma de quem ilumina a neblina da cidade
Voa acima dessas cabeças urbanistas concretas.
Cena de um primeiro ato de um dia inteiro pra viver
Leveza em tom azul invade o olhar de quem enxerga através da janela
Essa canção silenciosa.

Voa borboleta entre os prédios, muros e a cidade caos
Do olhar atento que entre mil distrações consegue ver a poesia passar... flutuar... uma borboleta azul.

mahaivi
(.)

03 março 2016

saudade branca

acorda às seis. mesa toalha e café. lençol branco travesseiro macio. cara amassada. sono. uma saudade entrelinhas tortas. você. eu. por. diversos corredor                          es. desencontros em mão dupla. portas distintas. coração voando alto. asas pra perseguir. vontade tola. preguiça atoa. em vão. desse querer sombrio. atordoada dor. no meio da multidão. de tanto querer. vi no canto. encanto. encontro a dois e mais dez. você pôs as mãos na minha cintura. eu gostei. caminho em dois passos. um adeus. no canto da boca. uma saudade branca.

22 fevereiro 2016

Condomínio

Espaços em branco, no meio, entre dois. Um corredor pra dividir as portas silenciosas que através do tímido olho mágico amplia e distorce as proporções de quem passa... Tantos caminhos no meio desses espaços que dividem o lado de cá do lado de lá. Entre saltos rachaduras percorrem as paredes, caminham no chão e abrem espaços pra escoar o volume das vozes vizinhas.

04 outubro 2015

um simples e leve encontro de dois


um e outro por dois que somam a vontade de estar, por simplesmente, um encontro/troca/conversa/papo furado/ riso solto/ gargalhada leve acompanhada da cerveja.
uma mesa entre dois que fingem não se importarem que antes desse instante nunca se viram.
Modernidade louca que um aparelho permite marcar e conhecer tantas pessoas ao mesmo tempo que mesmo sem tempo, tem tempo pra tanta conversa jogada fora...
um e outro andam pelas ruas controlando tudo com seus controles remotos/celulares no meio desse caos/cidade/movimentação.
tempo é a palavra do momento- sem ter tempo de conhecer...

(.)

12 setembro 2015

nascimento

Uma vontade de ir/vir...se jogar sem asas pro medo voar e se espalhar nas nuvens...
Desejo de ficar/tornar permanência a presença de quem ainda começa pelas beiradas o caminhar nesse mundo/globo/gente/caos/cultura/arte/ruas/luzes... e querer no meio de tantas possibilidades um cantinho pra viver/reinventar/criar/fluir/nascer/renascer o turbilhão que pulsa pulso/coração e todos os órgãos/tecido/membranas... desse corpo que abriga uma voz ainda tímida, de gritar por todos cantos/encantos/encontros a arte que por contrações deseja sair/invadir/preencher...

(.)

08 setembro 2015

Torcido

Corre
Contorce
Entorse
Estorce
Retorce

muda de direção.

Entorta
Corta
Comporta
Conforta
Importa

e fica
no caminho curto
o corpo torto

(...)

02 setembro 2015

gratidão

Mais um ciclo que se fecha dessa vida apressada
Muito pra construir com cada pedacinho de tanta gente que passa e fica, vai e volta
Tantos cantos preenchidos e agora uma solidão nos vazios que restaram
Encantos de sorrisos e lágrimas de alegria
.
Dois anos pra não esquecer que a evolução se dá a cada dia nascendo com uma nova manhã
Que o sol invade a janela pra clarear as ideias e despertar os olhos molhados da escuridão da noite
.
A vida apresenta sutilezas
Viver requer levezas
.
Caminhar com os pés descalços pra sentir tudo que possa invadir
Abrir os braços e receber inspirações desse mundo que se mostra... Imensidão
Imersão no eu que fala em forma de poesia pra entender... Dimensão
.
Continuo... Porém mais amadurecida, com muita gratidão.
.
.
.
Mahaivi

(.)

29 dezembro 2014

São os sinos tocando lá fora

São os sinos tocando lá fora...
Sou eu gritando aqui dentro.
Sem poder de escolha, vagando, devagar...
Silenciando os ouvidos, tapando as orelhas, com as mãos suadas de tanta tinta...
Tinta é meu suor, arte é minha vida...
Sou feita da poesia que escolhi e grito arte pra viver feliz...
São os sinos tocando lá fora...
Sou eu vagando, devagar...
Procurando sinais pra tentar ouvir os sinos que tocam lá fora...
               mesmo com as mãos tapando as orelhas.


(.)




14 dezembro 2014

Feliz Novo.

Encontros/ ensaios/ cantorias/ tintas/ madeira/ betume/ papel/ arte/ teatro/poesia/ ...

E o peito pulsando alegria por tanta arte envolvida
Doces encontros na mesa de um bar
O tempo passou mais um pouco, exatos doze meses pra não esquecer,
Que amanhã tem mais pra viver...
Doze folhas em branco pra escrever um pouco mais de tanto viver, de tanta vida e, tanto caminhar
Mais um ciclo de boas lembranças se encerra pra iniciar novas experiências
Adeus ano. Feliz Novo!!!!

26 janeiro 2014

Eu tinha vinte, e me parece ontem

À espera sobre a cama

O baú de meninices saboreado por

lembranças

Alma de domingo em plena preguiça enrolada aos lençóis

Doce afeto em estado bruto

O mundo anda todo com a cara daqueles anos atrás

Eu tinha vinte, e me parece ontem.

Raspas e restos me interessam pra silenciar

E todo esse silêncio foi a fonte das minhas palavras

Retrato em partes

Recortes em pedaços

Esses meus olhos infantis...

Essa minha fragilidade disfarçada em poesia.

Rendo-me aos errantes, sem destino... Nômades.

De quem abraça além da pele... Em órgãos.

Dos improváveis, intermináveis e inconsoláveis

Em desacordo com o tempo, que insiste em permanecer e só

Inevitável.

Intolerante e indolor.

Chuvas de verão me acalmam à pele.



(.)



25 janeiro 2014

Se desprender em forma que soa leveza

Distanciar o corpo da mente que pulsa no ritmo dos ponteiros do relógio os segundos constantes

O impulso toma a vez e atropela.

Espasmos involuntários percorrem e produzem movimentos

Dança à dois... Dança à sós.

Uma xícara tombada escorre o caminho do café

Encontra migalhas endurecidas... Amolece.

Desses encontros de primeira à segunda vista... tanto faz.

Sem regras, sem pressas, nem promessas.

Ir de fluir o olhar. E um sorriso tímido... de canto de boca.

De caminhar com passos curtos em caminhos longos. ENXERGAR mais atento.


(.)


14 janeiro 2014

Até logo

É preciso mais um gole pra esquecer

Te deixei sentado à mesa do bar

Fui embora sem olhar pra trás

Te devendo um adeus sem promessas

Apressei teu pranto dor em soluços de lágrimas

Um dia você entende... Um dia a gente sempre entende...

O tempo cura as feridas e amadurece as cicatrizes

E depois é só viver, com as bochechas coradas da vida...

E, vai que um dia o destino resolva pregar uma peça

E diante de tanta pressa a gente se esbarra por aí...

Até logo!



(.)









04 janeiro 2014

Repouso

Cabe dizer levezas quando tudo que deseja é cuspir...

A saliva não aguenta mais ser engolida e produzida nesse ciclo vicioso de ir e vir.

Basta tantos movimentos calculados em repetições...

Canso de imaginar quando a cena se repete e pausa pra mostrar a certeza fotografada na tela.

Tela é a vida que corre por todos os cantos, atravessa e hipnotiza tantos olhares famintos de informações...

Basta desse tempo agitado que só faz correr.

Posso ir na câmera lenta desse vai e vem constante perturbado esgotado de tanto apressar o passo que só quer pausar pra respirar... Um pouco e, calmamente...





Repouso do sol...

Anoitecer.

(.)

28 dezembro 2013

Te chamar...

É que eu acordei com uma vontade de ter você.

Ouvir sua voz e o sotaque de quem trás na bagagem lembranças de um interior.

Ultimamente tenho relido suas poesias para suspirar um pouco de você...

Talvez você só apareça nos meus sonhos

Talvez a vida seja só sonhar... Vai saber!

Ando distraída com o andar tropeçado na correria

É a vida que leva e joga o corpo na cama, depois de um dia qualquer...

As ruas gritam o caminhar dos pés, dentro de um tênis confortável, com cheiro integrado ao compasso da natureza.

E vou levando, sem você ou com uma parte da sua poesia...

Palavras bem ditas bastam pra silenciar um coração que pulsa sem parar.

E homens que escrevem bem definitivamente têm um charme diferente...

E aqueles que conseguem silenciar nossa alma merecem meu respeito.

Te espero daqui, desse lado carioca de levar a vida...

Mas se demorar vou aí nesse fim que nem sei aonde fica, te chamar pra dançar...



(.)



21 setembro 2013

Fim de Jogo

O telefone tocou e era você, por simplesmente ser sua voz tão presente, firme e charmosa. Um leve sotaque de quem traz na bagagem heranças de um interior. Espiava sua presença distante, meu olhar seguia seus passos tatuados e o tempo que só pertencia à você. Estive ausente de te procurar em tantos outros esbarros perdidos em bares e esquinas. Bebi goles pra engolir as palavras desesperadas que arranhavam a garganta. Percebi que palavras cuspidas já não me interessavam mais. Queria uma dose de poesia em cada espaço que me permiti acolher/ conhecer. E você tão distante dos tantos presentes, já passados e futuros. Iludi minhas fantasias imaginárias oferecendo-as um chá. Dei as cartas na mesa e bati sem querer fazer muito jogo, apenas uma canastra limpa.

(.)

09 setembro 2013

Retalhos


Exatamente 02:13 da manhã na espera do cabelo secar pra me afundar no travesseiro.

Meses sem escrever revelam a agitação corpo/mente em constante movimento sem pausas. Noites mal dormidas e fome daquele pão dormido escondido na geladeira.

Atravessa na pressa o caminho que é curto do ir e vir de todos os dias. A soma dos percursos totaliza horas de estradas e caminhadas no asfalto quente. E, que calor faz nesse Rio...

E no meio de tantos caminhos alguém coloca uma pedra e te faz acreditar que esse obstáculo foi o responsável pela sua trombada... Mas o quem ninguém sabe é que seus próprios pés tropeçaram sozinhos.

E quem vai tirar da cabeça que no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma perda no meio do caminho...

A pedra sempre esteve, e sempre estará lá. Os obstáculos dificilmente não vão aparecer. E por mais que o mundo decida virar contra, minha arte sempre estará a favor.

Estou numa constante descoberta e com pouco tempo pra perder tempo sentindo medo. Palavras cuspidas não me interessam mais...

Procuro um desabafo que sossega em tom de poesia.

E hoje quando eu voltava para casa, na espera do ônibus,uma senhora se aproximou...

Hoje em dia a proximidade ganhou distancia e dois olhos arregalados que fazem o favor de não piscar, só pra não perder o monitoramento do seu próprio  quadrado. Mas a quem precise de um par de óculos pra enxergar mais atento, e perceber que há tanto para ser visto... Tão pequenos detalhes... E olhar pro outro é olhar um pouco mais atento pra si.

Essa senhora chegou perto e pediu uma informação, quando percebi já estava tomando o mesmo ônibus que ela, e sentando ao seu lado. Geralmente costumo dormir nessa volta, mas hoje não me importei em ceder e trocar palavras, por ,simplesmente conversar, com alguém que nem conheço e que tinha problemas de audição. Tive que procurar falar lentamente e um pouco mais alto. Ela estava com apenas um aparelho num dos ouvidos. Ouvi suas histórias e ela procurou querer saber das minhas. Quando eu disse que fazia faculdade de Artes Cênicas, ela ficou toda boba e me desejou muita sorte. Pude ver no seu olhar a magia que o teatro tem, as pessoas gostam da energia que uma peça possibilidade, e da troca do olho no olho do agora. O teatro é uma arte de troca imediata, como é bom ver a ação e a reação dialogando com o todo o movimento dessa arte. Como é bom saber que mesmo alguém que infelizmente perdeu a audição, ainda assim procura e quer estar consumindo a arte da vida. O ouvir é tão pouco quando se tem olhar pra ver, e vice versa. Tato pra sentir e o coração pra pulsar... Não há nada que se perca quando a vontade ultrapassa as limitações impostas. É enfrentar e somar esperanças pra viver sorrisos de felicidade...

E na perda há sempre uma nova descoberta de adaptação.

Quando chegou no meu ponto de descida ela agradeceu a conversa e me convidou para visitá-la para um chá. Uma fofa!
Quando as pessoas vão permitir deixar o medo gritar silencioso e convidar mais desconhecidos para uma conversa?

Encontro e desabafo multiplicado em certezas. Ar- te viva sempre em mim.



(.)

29 agosto 2013

Pausa


Repousa seu descanso em forma de poesia...

Lá fora a vida anuncia que pode esperar

Aqui dentro a casa acolhe na leveza da rede que balança e esfria o chá...

No silêncio

Envolvido pelo incenso

A paz silencia.

Corre a voz desenhada em palavras

Cospe versos

Nasce poesia.

E o tempo já não tem mais tempo de pausas silenciosas...

Stop! Eu pausei.



(.)



11 agosto 2013

Desabafa

É quando o tempo passa, mas você percebe que só passou mais um mês...
Amanhã é o primeiro de todos os outros dias que vão passar, sem rastros e sem pausas.
É uma aglomeração de tudo em todos os espaços até a última fresta que só permite passar um soluço de ar.
É a falta de tempo em tempo perdido com a falta de respirar suavemente à brisa leve do mar.
A corrida atropela o olhar que tenta enxergar um pouco e mais além dessa realidade imposta nas esquinas.
É caminhar contra o fluxo de tanta gente que marcha o mesmo mecanismo rítmico de levar a vida uniformemente.
Sentir um vazio, mas não a falta
É preencher com flores as melodias
Atrito absoluto do desabafo sentimento
É a intencionalidade que capta pensamento acerca dos movimentos.

(.)

07 julho 2013

Décimo Segundo Andar

Sem tão pouco tempo da agonia da espera o espelho cansa de brincar com os reflexos dos pedaços dos tantos “Eu”.
A vida grita de fora da janela. O passo é curto pra chegar na superfície.
Décimo segundo andar da distância do concreto. Sustentação...
É muito ar daqui de cima. A vida parece miniatura vista desse ponto de vista.
É estar no alto, mas muito distante do mais alto que existe... É ilusão. Percepção de uma mente vazia...
Soa suor, escorre e seca. É um ciclo infinito de ir e vir a cada dia...
Palavras curtas dançam nas paredes manchadas de tintas.
O corpo equilibra a vontade de se atirar no desconhecido, dança na ponta dos pés o desejo de ir longe... 
Se lança no penhasco dos sentimentos...
Cospe poesias engasgadas pela falta de estar ao lado de quem as inspirem...
É encontrar no meio dessa confusão a solução pra te achar, te roubar de você e te abrigar no décimo segundo do meu andar.

(.)



25 junho 2013

Inquieta


Infinitos universos inferiores... O ser previsível em sua infinita vontade de mudar. Recompor o corpo que caminha em corda bamba do destino concreto... Ar pra respirar com todo o verde da respiração das árvores... Suor da brisa leve do mar... Leveza de pensamentos. Suspiros sufocantes da vontade de expressar o grito forte que arranha a garganta... Entope as palavras, permanece a vontade de dizer... Simplesmente. O amor abraça as esquinas, o vento varre as esperanças dos jovens perdidos pelas ruas... Caos na contra mão de todo esse vai e vem, de gente que insiste em ser invisível para o outro que dorme pelas calçadas... Culpa. Dor. Repúdio inquieto que alimenta mentes vazias. Sonhos jogados em latas de lixo ,que esperam a mão que os colha, esfomeada. É tanto deslize em fazer nada,  menos nada, igual a nada. É caminhar no meio de tanta loucura e ainda assim encontrar alguém que te transborde...



(.)

18 junho 2013

Uma revolução acontece lá fora e aqui dentro...


Peço licença pra entrar na sua angustia desesperada. Te aqueço com palavras poetizadas só pra não perder o costume...

Ando te observando pelo buraco da fechadura, pelos cantos atrás das pilastras, em suas caminhadas pelas madrugadas...

Em meio a revolução ganhando espaço nas ruas com todo o branco da plena e inesquecível segunda feira...

Esse intenso turbilhão de tudo querer viver. As ideologias pintadas nos muros da cidade inspiram a voz que coçam o silenciar gritando Bis.

E nessa busca de tentar equilibrar o peso das duas bolsas carregadas todos os dias... O peso de ser artista. O gosto de fazer arte.

Eu sou você que te falo, em pensamento inconsciente... Ouve- me e cale-se pra entender...

Não se perca tanto nas retas da ponta do lápis, atreva-se a curvar e experimentar desconstruir... A vida precisa ser leve como as violetas.

Rasgue o medo da falta de luz, o arrepio produz calor e irradia energia... Movimente-se.

Seja selvagem na sua luta diária, que eu te espero ganhar o seu espaço nessa selva de pedras.



(.)

10 junho 2013

Debruçada em você...


Hoje eu ouvi você cantar...

Com essa tua voz grave e um pouco cansada...

Estava escondida no meio da multidão que assistia seu suor escorrer em forma de melodia...

Seu olhar tímido se escondia na sua própria escuridão, enquanto seus olhos insistiam em cantar fechados...

Eu, no canto, debruçada em você...

De longe...

Que distância é essa que mantém uma barreira invisível entre nós...

Eu vejo através dos seus espelhos...

Você recolhe os cacos dos meus reflexos...

E os nossos olhares seguem a mesma direção...

É uma reta de toda vida...

Já acabaram-se as curvas...

Agora é seguir por mais alguns instantes... Que o longe deixou de ser... E virou perto.



(.)



06 junho 2013

Sossegar


Respira!

Alívio do sossego da meia noite.

Os dias correm como um relógio apressado que se adianta a cada segundo.

O tempo é curto pra viver tão poucas horas quando se tem muito a fazer...

Os livros estão jogados num canto empoeirado, sem tempo de dormir ao lado da cabeceira. O sono chega antes da primeira frase...

A TV permanece num longo silêncio, sem voz.

O mundo espera lá de fora da janela...

Enquanto a casa se acostuma com a ausência da sua moradora.

23:57, a meia noite se aproxima de mansinho... E o sossego avisa que está na hora de uma curta conversa...



(.)

03 junho 2013

Ao som da meia noite


Escrevo com pressa.

As palavras dançam sozinhas e buscam seus lugares no papel... Não coreografo seus movimentos. Prefiro a intuição.

 A intensidade expressiva nasce sem pudor, nua em sua fragilidade de menina/ moça. Deixar fluir sem direções, buscando as levezas das violetas que enfeitam as janelas...

Estou com pressa de um buquê de flores lançado no final de uma festa.

Já cansei de inventar desculpas por estar  procurando consolo na solidão de uma garrafa de vinho...

Ah!, se isso bastasse: às vezes tenho vontade de assistir minha própria inquietação em estar só, mas sem lamentar...

Também está bom assim e deve ficar ainda melhor.

Rendo-me à você e, à sua tentativa de chegar perto...

Lá fora chove em profusão, continua a chover, ao som da meia noite.
Até mais... até breve.



(.)







31 maio 2013

Doce ilusão


Te escrevo em desespero de dizer. Te desprezo por não saber lidar com essa distância tão infinita de nós. Estou afogada em lágrimas passadas e secas... O tempo curou, o tempo sempre cura. Eu que não cuidei de arrumar outro para ocupar o seu lugar. Te escrevo em angustia de saudade, te escrevo para que não te esqueças de mim. Não julgue meu entusiasmo embriagado, beba junto comigo, enquanto lê daí, eu daqui, fico a imaginar suas covinhas saltando do sorriso frouxo que tu tens. Sinto muito, sinto tanto, não sentir a saudade que gostaria. Sofro por não te amar igual ou pelo menos 1/3 do seu amor. Sinto. Por você, por nós, a sós, entrelaçados por tantas mentiras.



(.)

Preto & Branco


Rasga a roupa como se tivesse rasgado a carne nua em sangue. A mão que percorre o corpo, aquece e revela. Pousa sobre o toque que acolhe e preenche os vazios, sem ar. Dorme um sono profundo na tentativa de fugir e abafar a dor. Bebe a saliva fresca que pinga na língua... Engole. Silêncio pra respirar o abafado que sufoca... Entope. Rir profundo uma gargalhada sombria com medo de calar... Escancara. Sobra preto no branco das negativas memórias... Angustiadas.



(.)

17 abril 2013

Bailar


Quanta calma de ser...

Prosa, canto e verso

Entre tanto amor

Entretanto a dúvida

O que causou

A causa de gerar tanta dor

Ferida leve de sentir

Bolhas de flutuar...

E a bailarina foi descansar seus pés

Pendurando suas sapatilhas.



(.)



16 abril 2013

Chamas violetas voltaram a me abraçar...


Daqueles dias de que ficar um pouco mais em casa é cuidar, conhecer e preencher os espaços vazios que estavam precisando de complementos...

A fome foi resolvida, como estava comendo mal, pelas ruas desse tão grande Rio. Tinha dia que a pressa não dava brecha pra almoçar, era sanduba numa mão, e as tralhas na outra.

Que corre e corre, de cá, pra lá, pra chegar, tentar chegar... Mais perto dessa arte que tanto me alimenta.

As olheiras foram acalmadas com preguiçosas noites de sono... E quanto sono eu precisava repor...

E a semana foi passando...

O corpo foi sendo alimentado, cuidado e muito mimado.

Recuperei mais da minha poesia, voltei a escrever... Que falta de escrever...

Sentir a poesia tatuada na pele provoca dor quando dela me ausento. Mas, já foi resolvido. Estamos em paz, de volta e com mais sintonia...

Como retomar um grande amor, que nunca foi esquecido, que só foi pausando em alguns instantes...

Esses instantes constantes...

Retomei mais de mim, insisti em ser só a minha companhia, por alguns dias...

Como faz falta, como é bom olhar mais pra si e entender os novos movimentos em forma de amadurecimentos...

Como é bom acordar na nossa cama, e olhar o nosso canto, sem pressa e com calma...

Levantar e saudar o sol, tomar café da manhã ouvindo as músicas que estavam esquecidas...

Como faz bem... Como faz falta...

Retornei aos livros de cabeceira, estava perdida entre três que resolvi ler ao mesmo tempo, ufa...

Como cada palavra serviu para entender que estou no caminho certo do encontro de mim.

Ah... os livros, grandes amigos do conhecimento...

Rilke, estou completamente apaixonada por você... Como foi bom melodiar em suas palavras... Ler seus contos e cartas!

Ah... Que leveza!

Chamas violetas voltaram a me abraçar.



(.)

13 abril 2013

-se...


Musique-se

Encanta-se

Drummonde-se

Buarque-se

Caetane-se

Rainer-se

Oásis-se

E que o mundo...

Poeme-se.



(.)

Falta-tanto-tudo


Sobe as escadas, para em frente a porta da entrada da cozinha. Pega as chaves que já estavam em suas mãos. Coloca a chave na fechadura, mas não consegue abrir a porta. A mão aperta e impede a chave de destrancar, a porta embarreira, a fechadura emperra. Ouve vozes, movimentação e barulho de panelas. Alguém chegou, alguém já estava lá...

Preguiça de entrar, olhar e conversar.

Preferiu adiar a sua chegada se escondendo no corredor, do outro lado da fechadura, com a chave na mão, mesmo sabendo que ali era a sua casa...

Como sentir sua presença sem força e forma, e procurar movimento no corpo cansado que deseja estar só, jogado à cama, abraçado aos lençóis.

Onde se procura abrigo, quando todas as esquinas já estão ocupadas, preenchidas de gente, sentadas a mesa com o seus respectivos pares.

Como é sentir-se sozinha, mesmo cercada de gente, que fala, grita e berra aos seus ouvidos, e ainda assim, nada ouvir.

Será que as pessoas tem a capacidade de pausarem a sua presença, e mesmo assim, manterem a sua existência? Que falta, de mim, de você, de tudo- tanto- e - porquês...

Que falta de encarar a vida sem medo de levar um copo de cerveja na cara, e eu que nunca fui fã de cerveja, admiro quem gosta dela.

Que tortura escrever sobre a ausência de tudo que eu sei que falta, aqui-agora-comigo.

Que loucura se perder de si mesmo, e insistir em existir o que nem sei que sobrou... Migalhas servem para serem recolhidas, ou deixadas esquecidas em cima da mesa.

E na mesa sobrou um pouco da parte que nem sei de mim, uma xícara de chá e um

novo floral que decidi me entupir...

E essa solidão profunda em estar-só procurando consolo.



(.)

11 janeiro 2013

Nas cobertas...


O dia passou com pressa, não deu tempo de levantar, arrumar a cama e nem de tomar café. Já era noite/um pouco dia, amanhã (talvez)... Estive deitada por longas horas, dormi, cochilei e acordei. Li o novo livro de cabiçeira e me entreguei, novamente, aos lençóis. Preguiça de viver o hoje... Então, apaguei. Fui adiantar logo o amanhã me escondendo nas cobertas. Boa noite.



(.)

06 janeiro 2013

Encantada


Um céu inteiro azul pra inventar,

Viver nos contornos das nuvens de algodão

Voar, flutuar, viver...

Captar a melodia das coisas

Serenar...

Buscar equilíbrio e fontes de energia

Renovar, limpar e preencher...

Cristalizar a alma, direcionar chamas perfumadas

Alimentar sem desperdiçar

Ferir sem doer

Ser, portanto, contudo e no entanto,

Encanto.



Retroceder, anteceder, entardecer

Formar movimento, envolvimento, bilateral

Adormecer o desconforto

Tapar os olhos fugitivos

Temer o inconsciente, mas não calar

A fluidez da voz provoca, invoca e toca

Retira, desvira, e tira a saia encantada

Que o sonho acabou de terminar

Reticências (...)

(.)

17 dezembro 2012

Folhas em branco

Um ano que já virou passado enquanto outro já se aproxima. Fui feliz e infeliz ao mesmo tempo. E, de fato, quem não é? A felicidade ocupa mínimas partes, às vezes,  ela não preenche, mas alimenta. Duelo entre ser e estar, batalha diária em tentar afastar as energias negativas e, captar só as positivas. Mas o que seria de nós sem os obstáculos, que nos fazem criar e estudar estratégias, em tudo existe uma razão. É claro que só damos conta disso quando a ventania já passou e o sol voltou a brilhar. Exatamente como iniciei esse ano, algumas dúvidas ainda dominavam, incertezas e obstáculos para serem ultrapassados. Medo e frio na barriga, e agora, passou! O vento levou e varreu o que era. Restou os aprendizados e as boas conquistas, levo comigo tudo o que de bom e ruim vivi, não deixo escapar nada. Os detalhes são sempre os mais importantes, e eu que não sou boba nem nada, guardo tudo na minha agenda. Que dó aposentar mais uma companheira de um ano inteirinho, ali escrevi todos os compromissos, arquivei todos os ingressos de cinema, teatro e festas. Preenchi cada dia com um pouco da minha esperança e reguei muita poesia...  Ano novo é símbolo de (re)começar, colher cada fruto plantado na última colheita, deixar os erros para trás e focar em acertar mais dessa vez. A caminhada é longa, são 365 dias de muito para viver. Abro mais uma agenda com folhas em branco, que esperam minhas pincelas.



Feliz ano novo!



(.)

12 dezembro 2012

Tanto hoje em cada esquina

Desce as escadas correndo

Anda com pressa por estar atrasada

O sinal não fecha

Tá calor

Tem muita gente na rua

E uma grande tensão nos olhares

Os carros param

A multidão se entope e se esbarra

Todos tentam encontrar saídas nas brechas coletivas

Abrem espaço e se fecham na escuridão de quando se tenta descansar as pálpebras

Ainda está calor

E a tarde ainda permanece sendo mais por conta do horário de verão

E, que verão está se aproximando

Final de ano

E tudo indica que final dos tempos também

Tropeça no meio do caminho e quebra a unha do dedão do pé. Deprimente!

O calor permanece ainda mais

O perfume evapora e sede lugar ao suor

Apressa o passo do atraso

Desvia de tantas informações

Pausa um instante, precisa de um sorvete!

Arruma lugar em suas mãos e volta à sua caminhada

Segue mais feliz refrescando a garganta.

A noite chega...

O calor diminui

Fim dos ensaios da nova peça.                                    

A rua já não está mais dominada de gente

A noite acalma a movimentação constante

Resta, ela,caminhando, sozinha, na volta pra casa aconchegante

Cansada do calor, cansada fisicamente e mentalmente

Esgotada de tanto criar

Mas o amor pela arte prevalece.

Eis que seus passos cruzam os dele às 22 horas da noite

Já era tarde pra tanta conversa

Pegue logo na mão que o dia acaba de re(começar).



(.)





02 dezembro 2012

À meia noite

Acabaram-se as insônias constantes, o sono tem feito as pazes comigo. Chega na hora certa, não atrasa se quer um minuto, se mantém bem pontual. Eu, que às vezes, nem tenho esperado a hora certa. Me atiro no sofá, e passa hora, a TV permanece ligada, a luz ainda acesa, e, a roupa do dia se torna um conforto aquecendo o corpo que ainda não teve tempo de esfriar com um bom banho gelado à meia noite. Escrever com sono, apertando os olhos pra não se perder no meio de tantas palavras. Dei um descanso das infinitas madrugadas regadas à poesia. Mas, quem disse que as olheiras pelas noites mal dormidas são piores do que o mal humor do silêncio de uma noite inteira dormida, e sem dar vida aquela quem me deu a minha vida ... Poesia. Prefiro perder noites inteiras de sono, do que perder uma madrugada sem escrever.


(.)

29 novembro 2012

Embebedado de amor ❤

Beba o amor 

Suspire aquele quem ama enquanto bebe pequenos goles

Não vire tudo de uma vez,

O amor foi feito para ser degustado por parte

Não seja ansioso e não queria adiantar sua ressaca 

Afinal, toda ressaca, mesmo que a de amor, não é lá muito agradável...

Não misture a dose de amor com a de vodka

Não adianta que não combina

O amor foi feito para ser tomado na sua mais pura inocência

Fique calmo que ele também irá te deixar louco, porém será aos poucos

O amor não tem dose dupla e muito menos dose tripla 

Acostume-se em degustar um por vez

Esqueça essas bebidas caras e essas muito baratas 

Aprecie qualidade.

E no final da noite pode ter certeza que você estará...

Embebedado de amor ❤

(.)

25 novembro 2012

Enquanto

E quando o desabafo gera dor

enquanto o peito produz calor

e quando a espera provocada pela ansiedade insiste em permanecer

enquanto o controle resiste à mudança

e quando o suspiro fraco vira tosse

enquanto arranha a garganta

e quando se alinha os pés à seguirem

enquanto se tropeça e fere o dedo mindinho

e quando o vento varre os papéis da mesa

enquanto borra a tinta fresca

e quando se sente saudade das palavras não ditas

enquanto rabisca as paredes do quarto

e quando a sobra insiste em ser migalhas

enquanto  o pão dormido descansa na geladeira

e quando, enquanto, portanto, no entanto...

Apago a luz.



(.)

20 novembro 2012

Um dia

Nasce o dia em tons pálidos, a noite mal dormida, sede lugar à preguiça da manhã. Começo a ler um livro, releio a mesma frase trinta vezes, e,  desisto de continuar. Sento a mesa do café da manhã e, sinto preguiça de comer. Volto ao sofá, me escondo nas cobertas, viro de um lado para o outro, pauso a inquietação, desisto. Volto para a minha cama, fecho as cortinas e abafo os sons do mundo com o meu travesseiro. Não basta, não tenho sono pra dormir tanto assim. Levanto o corpo pesado, sigo até a varanda e, peço ao vento que traga de volta a minha leveza. Ele responde, ensinando o meu corpo voar.



(.)

15 novembro 2012

Brinquedo estático

Lambe a ferida pra sarar a dor e acalmar o sangue que insiste em escorrer pela pele de cor pálida. Bebe o vinho como se bebesse o próprio sangue com sede de sentir. Aperta e exprime, atormenta o que já dói, naturalmente. Deseja mais da dor que sobrevive extasiada. Escarna o corpo frio mergulhado à uma xícara de chá. Descasca a pele sofrida e envelhecida. Descobre mais de si, o que estava escondido, por trás das falsas aparências. Reconhece o que é na essência. Deixa o que criou com os artifícios da tecnologia, e, se permite ser real. Desenferruja o corpo estático, desentorta o olhar e o sorriso desenhado, do qual não conseguia se livrar. Renasce na carne fresca, e deixa de lado o artificial, que alguém desejou criar. Vira dona de si e das suas funções. Não precisa mais esperar quem queira brincar e movimentar seus braços e depois jogar num canto qualquer, torta e sem cabeça. Não é mais um brinquedo de plástico e superficial.

(.)

12 novembro 2012

Falsas promessas

Falsas promessas inquietam mais do que as verdades ditas
Bagunça o lençol e revira o travesseiro tentando achar uma posição confortável
Vira de lá pra cá, se muda pro outro lado da cama, desvira e volta a mesma posição
Tentativas frustadas.
Engole o choro e cospe a lágrima só pra não sentir raiva de chorar em vão.
Rasga cartas e fotos enfeitadas e perfumadas de muito amor que ali viveu...

Acabou.

O fim que não se espera acaba de chegar
Inventa falsas ilusões e bloqueia o desespero de viver só, novamente.
Conhece de novo o que um dia não dividiu do pouco de si
Reconhece sua imagem sem a sombra daquele que vivia por trás seguindo rastros
Abraça uma liberdade libertadora e busca aventurar-se em cima de montanhas
Pula e cai, voa e sobrevive.
Alimenta o medo de esperanças e segue sem destino programado.
Na bagagem o essencial pra motivar a alma
Incensos violetas e cristais.
Medita sobre a influência das suas energias lapidadas e da fumaça perfumada.
Anda pela estrada de asfalto quente e sente falta da sua sombra
Descansa da vontade de ser sozinha e espera aquele passar
Oferecendo uma carona na sua vida.

(.)

11 novembro 2012

Minha verdade

Cansaço bom é aquele que se produz dominando o corpo e a mente depois de um longo e proveitoso dia de trabalho. Ocupar e preencher cada segundo do dia. Programar sem rotinar. Acho rotina clichê. Sou do tipo que muda de caminho, atravessa ruas e troca de calçada só pelo desejo de fazer diferente. Como é bom mudar e ver essa transformação percorrer corpo e mente. É interessante ver nascer novos sinais, perceber novas rugas ( as quais ainda não tenho, na verdade,  só uma linha forte de expressão que insiste em ficar na minha testa) acostumei. Tenho acostumado com tudo, feito menos questionamentos em poucos casos. Estou focada em ser exatamente o que a vida me proporciona. Nem mais, nem menos. Talvez um pouco mais, afinal, é sempre bom querer ser um pouco mais e melhorar a cada dia. Tô na busca de mim mesma e das minhas verdades. Falsas verdades que construo a cada dia. Quem lida e vive com e para a arte sabe que a mentira é sua essência de verdade. Dormir, que amanhã começo de novo, levantando pelo outro lado da cama.

(.)

06 novembro 2012

Eu + Poesia

Como retomar o que já estava escrito
O aparelho acabou a bateria e fez questão de não salvar o turbilhão de palavras poetizadas
Eu lembro que tinha o vestido vermelho no meio
E o dia que acabaria na noite sentada na mesa de um bar.
Pensando bem, eu estava escrevendo sobre o meu dia,
Nem sempre costumo falar tão abertamente assim
Sempre crio além, pinto mais cores e capto os diversos detalhes peculiares, na tentativa de fazer minha ausência ganhar vida.
Eu sou a invenção calculada de tudo o que escrevo,
Queria ser exatamente o que eu sou quando a poesia toma o meu lugar
Eu cedo lugar à ela quando nada mais me preenche.
A solidão da madrugada misturada a uma dose de melancolia propicia o nosso encontro: Eu + Poesia = Vida.
Mas voltando ao vestido vermelho,
Ele foi escolhido pelo foco de luz que nascia dentro do meu quarto junto ao nascer do sol
Na verdade, perdi o fio da meada, esqueci o que queria dizer ao falar do vestido vermelho que roubou a cena de hoje.
Volto a disfarçar o que esqueci só pra não perder o gosto de fazer amor com a poesia.

(.)

05 novembro 2012

Orgasmo da Poesia

Pela simples vontade de atingir o orgasmo da poesia
Viver situações perigosas
Sentir o desconhecido
Perder o controle
Ir além do já vivido.
É preciso renovar a cada dia
A inspiração acontece com as mudanças e as novas experiências
Medo de ser e de não ser o que é não existe no poeta
Ele é personagem, dá vida à poesia emprestando um pouco de si
Busca encontros e desencontros
Permite conhecer e mergulhar no escuro dos pensamentos
Faz nascer luz.
Faz a poeisa gritar um orgamo que não grita na sua efemeridade.

(.)

02 novembro 2012

Detalhes

Sinto saudade de pequenos detalhes que meus olhos insistem em admirar...
Me atraso enquanto olho as formigas atravessarem a rua, tento fazer os carros esperarem,
Mas a pressa não pode esperar. As pessoas também não.
Gosto de ver além das cores, muito mais que todo o branco das nuvens, eu enxergo cinza, azul e amarelo.
Os pequenos detalhes formam o todo do ser... Humano ou objeto.
Sinto falta de todo detalhe que já enxerguei/admirei
Fuço e rastreio
Fixo e permaneço
Não tenho pressa quando a simplicidade esquecida ganha forma
E eu gosto de fazê-lá ganhar vida.
O olhar atento enxerga muito mais do que se pode ver... O mínimo está na preguiça de quem está sempre com pressa de não perder a hora.
A vida precisa ser vista em diferentes ângulos, todos os dias é necessário olhar o azul do céu,
E se olhar atento verá que além do simples azul, há mais cores.
Experimente mais os detalhes da vida
Em pequenas e singelas coisas há muito mais do que se pode ver quando se olha apenas uma vez... Com preguiça.

(.)

30 outubro 2012

Encontro

Estava de pé, sozinha no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentido uma dor pela falta de você. Caminhava com os pés de bailarina recente, queria impressionar, te impressionar... Não sabia, de fato, quando iria te encontrar, mas já andava pelas ruas atenta, ensaiava sorrisos e olhares. Talvez, no dia, nada daquilo programado realmente acontecesse, mas precaver era a sua segurança. Em pensamento já tinha escolhido a música que iria tocar, o vestido azul que pensava em usar. Difícil é saber como marcar o tão esperado encontro em sua agenda. Até que, vinda da profundeza de seu ser, num dia qualquer, um pouco nublado, com um vento constante, o vestido azul no armário sedia lugar à calça jeans desbotada, pela mudança de tempo. Ela avistou, e como quem tivesse engolido as próprias palavras, engasgou de sufocar, surpresa por ainda ser cedo, afinal, ela queria preparar, se preparar melhor, mas era o dia. Não tinha como escapar e perder... Se mudasse a direção, talvez, não pudesse voltar atrás. Encarar, mesmo sem o vestido azul da sorte, com a calça jeans de guerra, era o grande dia. O encontro, finalmente aconteceu. Os olhares se cruzaram imediatamente, encheram- se de susto e alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e vê que por adimiração a boca fica entreaberta. Assim, em um dia qualquer, sua distração cedeu lugar para Ele acabar de vez com a sua ansiedade. 

(.)

29 outubro 2012

À dois

Sinta-se à vontade pra bangunçar essa calmaria
Entre pela porta de frente e, se quiser traga suas malas
Eu fiz chá e comprei sorvete
O brownie que você tanto gostou está te esperando na geladeira
Apague o cigarro, ou melhor, jogue fora
Você não combina com essa fumaça que te envolve
Não ria da minha rotina estampada pela casa
É que eu tenho mania de escrever
Acostume-se com os tantos recados em folhas coloridas
Minha alimentação eu colei na porta da geladeira, não se preocupe,
Você não precisa beber os milhares de sucos que faço durante a semana
Permita-se ser o que de fato você é,
E por favor não reclame da minha ausência
Eu volto, e enquanto isso mexa nas minhas coisas
Deite e durma na minha cama
Espalhe você por toda a casa
É que quando eu chegar quero sentir sua presença por inteiro.

(.)❤❤💜😍

26 outubro 2012

Cacos

Como pode uma porta inteira de vidro vir abaixo, desejar o chão e se desfazer, simplesmente... Sobrou à mim varrer os pedaços de cacos pontudos. Sentei, calmamente, na sala de estar, e começei a catar tentando não sentir raiva. Se não bastasse o sofrimento do chão, que sentia dor pela queda bruta, meus dedos começaram a sangrar. Pingos de sangue entre cacos, reflexos vazios e despedaçados. Desarmonia no aconchego da sala colorida. Desordem e escuridão. Vazio de silêncio sem voz. Corpo nu embriagado de tantas feridas, cansa e espera, deita sobre as sobras do que um dia foi... uma porta. Se acomoda e deixa os pedaços de vidros riscarem e entrarem fazendo doer. Eu tento não sentir, mas, às vezes, o sofrimento é a própria escolha... Então, não adianta reclamar.

(.)

24 outubro 2012

Deixando o mundo ser

Desenhar no mapa o destino da próxima viagem
Arrumar a mala tantas vezes ao longo do ano
Conhecer, aventurar-se...
Explorar os mínimos detalhes da história
Sentir o vento bater guiando novas direções
Abraçar o mundo.
Viver de culturas misturadas a miscigenação
Pintar a cara
Tirar a roupa
Saborear línguas
Deixar o coração bater no mundo, simplesmente.

(.)

Mensagem anônima

Recebi uma carta/email anônimo. Achei até que fosse alguma brincadeira de algum amigo (a) , mas quando começei a ler vi que era coisa séria. Um texto incrivelmente bem escrito, palavras muito bem colocadas. Senti fazer parte daquele sentimento um pouco platônico. Mergulhei fundo e confesso que me achei entre algumas vírgulas, quem é você? Conhece tanto o que me imagina ser pelo o que lê nesse humilde blog. Conheço você de alguma forma? Você faz parte do ir e vir dos meus dias? Ultimamente não tenho reparado em quem me olha, tenho andado muito perdida ocupando o canto da calçada. A voz que escuto é da música que berra nos meus ouvidos... Um rock clássico. Voltei a escutar a minha banda favorita, não sei se você conhece. Desculpe falar com tanta intimidade, mas gostei de ler você... E eu aprecio de verdade homens que escrevem. Se eles têm tanto cuidado com as palavras, imagine o carinho que teriam comigo... Mas voltando à você,  peço que da próxima vez se identifique, porque,  enquanto as mensagens forem anônima eu me dou o direito de achar que é quem eu quero que seja. E, talvez, você ainda nem tenha passado pela minha cabeça. Seja mais direto, que eu gostei da sua escrita ... E esse é um bom começo.

(.)

23 outubro 2012

Suspiro você


E então você chega de mansinho e deixa mais uma dentre tantas as pétalas que você já deixou pela manhã... Você diz que uma flor completa não tem graça se for dada pra morrer, eu rio das suas teorias concordando com tudo que sai da sua boca só por ser você. Guardo mais uma pétala dentro do vidro que fica na cabeceira. Quando olho pra ele me lembro de você e de cada momento em que ganhei cada pétala que dorme dentro dele. Como está cheio, fico tentando imaginar quantas flores eu conseguiria construir juntando cada singela pétala. São tantas que você já me deu... E todas continuam ali. Misturadas com as antigas e as novas que acabaram de chegar. O presente mais criativo que você já pensou, concordo com você. Lembra da primeira que você me deu? No nosso primeiro encontro ela apareceu entre nós e você já tomou para si. Depois ela surgiu dentro do vidro como presente de segundo encontro. E aos poucos... Todos os dias... Eu ganho mais uma.  O vidro foi ganhando cor conforme fomos construindo nossa história. Tenho tanto orgulho do nosso amor. Tenho tanto orgulho de você... Suspiro sua chegada, trazendo em suas mãos mais uma pétala e um poema... Porque homens que escrevem bem têm um charme diferente.

(.)

21 outubro 2012

Esperança concreta e verde

Descabelada. Durante todo o dia de hoje estive assim... Cabelo preso pra aliviar o suor da nuca. Banho no cachorro = Casa toda molhada! Diversão e um pouco de preguiça de secar a bagunça e escovar o pelo branco da minha Penélope. Domingo é um bom dia de não fazer nada. Ficar literalmente jogada ao sofá, com um saco de pipocas em cima da barriga. Mas, ultimamente, não tenho conseguido ficar assim... Ansiedade e e uma dose de agitação. Faço mil coisas ao mesmo tempo, tento dar conta de cada detalhe, e arrumar meu perfeccionismo. Tem dia que cansa essa vontade louca de querer tudo no seu devido lugar. Tô precisando me descabelar mais. E hoje enquanto tentava arrumar daqui e, melhorar  de lá, recebi uma boa visita. Esperança, aquele inseto verde um pouco esquisito. Ela chegou de repente e pousou logo sobre mim. Estendi o dedo e sua leveza  caminhou sobre minha mão contornando cada linha. Acalmei e parei de fazer tudo que me rodeava. Minha atenção se voltou exclusivamente para o inseto verde, de pernas altas. Doce esperança a sua chegada. Encabulei com tanta delicadeza.

(.)

19 outubro 2012

Adiantar

Ultimamente tenho sido muito breve, principalmente com as palavras,
Tenho tido preguiça de ficar em casa, e, principalmente de pensar
A rua, as pessoas, o trânsito, o barulho, o caos e a bebida preenchem meu dia
E me fazem ficar longe do meu refúgio íntimo onde se abriga... Em casa.
Tô afim de adiantar tudo que me convém, cansei das fantasias que permanecem anos em pensamentos.
Tô remechendo o que não conheço, e descobrindo minha identidade... Atual.
Apressar é a palavra do momento...
E enquanto eu corro apressando a minha vida, com pressa...
Se adianta e apresse a tua chegada,
 que eu tô com pressa de você.

(.)

16 outubro 2012

Fluir

Quando as palavras insistem em calar e bloquear a inspiração significa que está na hora de sossegar a mente. Silenciar os ruídos do mundo, desligar e distanciar o stress. Descansar de diálogos e de informações. Apagar a luz e andar descalça, de pijama sobre a pele morna. O cabelo revolto bebendo vinho numa taça muito maior que a mão. Desvestir o corpo e a a alma... Libertar. Essa ansiedade ainda me mata.

(.)

12 outubro 2012

Outrarte

Acordei ontem admirando o dia nascer, fazia tempo que não trocava o sono por uma noite de arte. Passei a noite sentada e desenhando, misturando cor e gastando grafite. Sensação boa de ver o dia nascer, acompanhar o crepúsculo do céu e sua metamorfose de cores. Tomar café da manhã  às 6 horas definitivamente não fazia parte da minha rotina, pelo menos não mais. Virei noturna quando a arte entrou de vez em mim. E olha que eu sempre fui de acordar cedo e dormir também, sempre me senti bem e mais disposta. E foi exatamente o que senti ontem, mesmo não acordando de fato cedo. Tô afim de voltar e resgatar um pouco de mim no passado, fazer uma mistura do que sou, com o que fui e o que ainda serei. Complicado entender que somos tão diferentes de nós mesmos em cada fase da vida. A essência, é claro, não se perde. Mas como mudamos pensamentos, atitudes, pontos de vistas. Esse é o grande lema, amadurecer... Eu ainda sou juventude adulta, mas ainda sinto a menina falar alto, e não canso de pedir conselhos à ela. Afinal, criança é sincera e pura. E, infelizmente, essa vida caótica nos faz perder um pouco da pureza da infância. Difícil é não deixar as impurezas do mundo ganharem forma dentro da gente. Por isso mantenho minha menina por perto. E voltando ao meu dia, nunca me senti tão bem e realizada, é  tão bom quando o próprio dia já começa sorrindo de dentro pra fora e melhor ainda é quando ele nos atinge, envolve e estica a nossa boca com a intenção de arregalar  os nossos dentes. Agora vou dormir pra compensar a noite com um bom dia de sono. O último a sair, apaga a luz.

(.)

10 outubro 2012

Na estrada

Anda sem rumo, nos trilhos do caminho do trem
Anda pra correr cansada
Disfarça e,
Corre tentando andar mais rápido.
As botas gastas levantam a poeira por onde passa
Deixa rastros de pegadas firmes
Cicatriza o asfalto com sua poesia tatuada.
Corre pra andar descansada
Admira na calma os riscos azuis do céu
Corre tranquila sorrindo com a alma
Anda depressa com pressa de correr
Acalma os pés tocando a estrada
Deita na rua de chão de pedra e,
Espera a noite passar
Pra amanhã continuar sua caminhada...

(.)





07 outubro 2012

No metrô

Volta pra casa. Domingo. Noite. Depois da peça. Metrô espera, ela corre. Observa tantos olhares perdidos, fugidos. Ninguém se vê, ninguém se olha. Olhar no olho intimida, desviar o olhar é a melhor fuga. Ela olha, não tem medo da rejeição, e tão pouco da intimidação. Joga com o outro, e mesmo quando esse outro não retribui, escolhe outro dentre vários. Gosta de observar, tem olhar atento, entende? Muitos não. Muitos a ignoram e se desconcertam na tentativa de fugir, mergulham dentro de si e a esquecem ali. Ela procura a quem mais esteja disponível, longe dos celulares conectados à internet e longe das músicas gritadas ao ouvido. Ninguém. Todos estão ocupados demais se entretendo com alguma tecnologia. Ela prefere os livros. Ainda não se acostumou com essa gama de informações. Quer estar em um só lugar por completo. Não se dividindo entre o virtual e o real.    Próxima estação: sua casa.

(.)

04 outubro 2012

Taurina leoa pisciana

Noite propícia para o encontro delas. Mulheres noturnas que se alimentam da madrugada. Amigas irmãs fieis companheiras. Três. Distintas e semelhantes. Elas e a lua iluminando a rua deserta que viviam. Se escondiam na tentativa de gritar e ninguém ouvir. Passado presente futuro. Elas atropelavam na ânsia de viver, eram jovens. Mais pra jovens adultas... Passaram da casa dos 20. A cada ano se distanciam mais da juventude recente, e aproximam a vida adulta presente. São felizes em suas gargalhadas escandalosas e mais contidas. Basta o sorriso de uma para as outras arregalarem os dentes. São meninas nos sonhos e mulheres nas conquistas. Uma foi pro lado da química, a outra pra psicologia e eu na minha arte. Ambas buscando o que de melhor podem construir, sempre juntas, muitas vezes só em sintonia. Mas basta, é só querer e pensar. E pensamento é coisa forte. Vejo um futuro com todas as formas possíveis, sempre juntas... Aqui, ali ou lá. Sou de vocês e vocês são minhas. O tempo amadureceu e a vida concretizou. Tava escrito, nosso encontro foi programado e planejado. E nas noites de lua cheia elas saem, a taurina, a leoa e a pisciana... Para alimentar a saudade e saciar a solidão. 

(.)

03 outubro 2012

Sinto

Sinto falta quando você não escreve
Sinto falta de chegar e não te encontrar perdido na sala, atirado no sofá, coberto por seus livros
Sinto falta de não ler um verso seu antes de dormir
Sinto falta de te esperar todas as noites acordadas
Sinto falta de não dormir
Sinto falta de não ter sono
Sinto falta quando não sentia falta sua
Sinto falta da sua voz grave
Sinto falta de te olhar e de contornar suas tatuagens
Sinto falta da sua solidão enquanto escrevia
Sinto falta de ser sua inspiração diária
Sinto falta pelo simples fato de sentir saudades
Sinto falta. Sinto muito...  Meu poeta.

(.)

Simbiose

Mãos sujas de tintas que escorrem pela roupa, atinge os cabelos  e se desenha no corpo de pele pálida e clara. O papel ganha cor, a artista ganha vida. E ambos deslizam,suavemente,  na poesia calada, que grita quando se sente. Mistura proza, tom e arte, acompanhada de uma xícara de café. As noites mal dormidas são preenchidas pelo silêncio quebrado ao riscar do lápis. O pincel acalma o papel ferido pelo grafite, a tinta cura e seca. Simbiose perfeita...

(.)

30 setembro 2012

Luz fraca que pisca e apaga

Enquanto as luzes se apagam ela procura confortar o corpo e terminar de escrever. A noite avisa que foi feita pra dormir. Briga e brinca ao apagar e acender. Ela pede calma... Diz já estar preparada, com a cama arrumada, ou melhor desarrumada, só na espera de apagar. Mas acende e pisca a luz fraca do abajur de cabeceira, e desenha na parede engraçadas projecões. Ela ri e desconcentra a mente que já estava pronta pra sonhar. Acorda antes mesmo de adormecer. A luz pisca e apaga e finalmente queima, de vez, mais uma vez, de tanto alimentar os olhos famintos de insônia. A lanterna já não aguenta mais servir de reserva, e clama descanso e novas bateriais. Fraca luz, que apaga e acende e, pisca mais uma vez. Apaga... E a noite avisa que foi feita pra dormir.

(.)

29 setembro 2012

Dobradiça gravada com o seu nome

Hoje passei pela portaria do meu prédio e surpresa eu tive ao olhar a dobradiça da porta e não encontrar seu nome. Pois é, existe uma marca com o seu sobrenome e ela estava tão perto de mim. Todos os dias ao sair e ao chegar abria a porta e, me lembrava de você. Era involuntário não passar e não olhar. Tinha o prazer de conferir sua presença distante que por anos se manteve ali. Até mesmo quando já não existia o nós. Eu nunca te contei porque achei bobagem, sempre me achei boba por esperar encontrar você bem ali no meu hall. Senti-me protegida pela sua ausência, usei desse refúgio para te encontrar sempre que sentisse saudade. Boba. Tola. E hoje ao entrar, te procurei... Mas não achei seu simples nome. E senti que te perdi faz tempo. Anos atrás. Usei dessa ilusão, de ter sua presença todos os dias, e esqueci que você foi embora faz tempo... Agora você se foi por completo, sumiu da minha dobradiça gravada com o seu nome.

(.)

27 setembro 2012

Insônia

Incapaz de alimentar a própria fome
Horas encostada ao fogão
E em vão...  O arroz queimou.
Atira a panela
O grito vira tosse
O ódio gera dor.
O espaço era pequeno demais para acomodar ela e suas desilusões
Ela era grande e por isso explodia.
Quase não cabia dentro de sua sobriedade
E mesmo assim bebia ao acaso que se permitia.
O som ensurdecia e envolvia a fumaça  perfumada de silêncio e incenso.
Seu pretexto consolador era o cansaço aliado a sua cama
Bagunçava o lençol num desmaio sem sono...
...Era insônia.

(.)






Sossego e desabafo

Permanece e domina
Alimenta e digere
Flui, deixa fluir sem compromisso,
O corpo estático compôs fluidez
Movimenta e envolve
Balança e entorpece
Pazeia e cante
Encante
Engole
Cuspa a culpa
Argumente e olhe
Adormeça e desfrute
Verbalize sentimentos
Poete e transmita
Comece e termina
Sossego e desabafo.

(.)

24 setembro 2012

A casa é sua


Resolvi te escrever bem rapidinho, é que eu tô com pressa, ainda tenho que sair e ganhar a vida, depois fazer compras (é, a minha geladeira continua vazia desde que você se foi...) ainda tenho que pintar o meu cabelo, é, ainda tô nessa de luzes californianas. Eu sei que você gosta, até elogiou o meu cabelo antes de ir embora. Eu lembro como se fosse hoje, eu sei que foi ontem, mas é que pra mim parece eternidade. Eu peguei suas roupas na lavanderia, quer que eu guarde na sua parte do armário? Tá vazia, não se preocupe que ainda não tomei pra mim. Gosto do aperto que se tornou meu armário quando te recebi. Até hoje não encontrei tudo, mas se já encontrei você, me basta. Ah, os seus livros, alguém do nome engraçado veio buscar. Quem é ele? Nunca conheci seus amigos, você sempre se escondeu dentro de você, e nunca conheci quem de fato te conhece. Acho que sou a única que conversa com você, alguém mais? Também eu não sei, quando você sai para seus ensaios, eu não sei quem você encontra. Nem conheci tua família. Você tem família? Desculpa, eu sei que você não gosto de falar, mas é que eu não sei aonde achar você. Te procurei aonde senti seus passos, fui ali no bar da esquina, na livraria e no café. E nada! Andei até por onde não conheço na tentativa de achar você perdido, perdido de mim e de tudo por eu não conhecer sua verdadeira morada. Eu sei que quando te abriguei não quis saber de nada, respeitei seu silêncio acreditando que um dia você fosse se abrir. Em vão! Aliás, aonde você trabalha? É que eu nunca entendi esses seus ensaios se nunca, de fato, assisti suas peças. Você é ator? Nunca te vi por ai atuando... que seja. Eu não quero falar de nada que não conheço, mas de você que conheci. Tudo bem, que conhecer não te conheço, afinal tenho tantas perguntas. Mas eu conheci o que você quis se mostrar. Incompleto, mas perfeito para mim. Conheci seus gostos e moldei minha vida na tentativa de te agradar. Agradei? Até o sofá eu mudei por sua causa, a cor era alegre demais pra você. A cortina de voal eu joguei entulhada em algum canto. Abri espaços para você se insinuar enquanto dizia ensaiar sei lá o quê. Minha escrivaninha ficou tomada pelos seus tantos livros. Nunca mais tive espaço na minha calmaria. Eu gostei dessa desordem que você provocou na minha vida, volta? Eu sinto falta das suas meias jogadas pela cama, e de sua toalha molhada em cima de mim. Até do álcool entupindo a minha geladeira eu sinto falta, acredita? Eu que sempre reclamei da sua boemia. Mudei. Mudei com a falta que você se fez presente. Ainda sinto você do outro lado da cama, roubando meu edredom. É, eu disse que ia ser breve, mas quando se fala de nós as palavras correm até mim. Vou deixar essa carta embaixo do tapete da entrada junto com as chaves que eu te dei. Se quiser entrar, a casa é sua.

(.)

21 setembro 2012

Fim de tarde sem lilás


Estava pronta pra sair quando a chuva caiu. Era a chuva acalmando os dias ensolarados e esfriando o asfalto quente. Céu nublado em sintonia com a cor do asfalto cinza azul pálido. Opostos com o mesmo tom, distantes pela gravidade bruta. O asfalto dançava conforme a chuva, que caia e pintava harmonia. Seu tom pálido ganhava cor à medida que chuva e asfalto faziam amor. A chuva acalmou demonstrando que  também sabe descolorir. Esfriou o dia, peguei o meu casaco e fui encarar o fim de tarde sem lilás...

(.)

Consumista


Hoje eu tô a fim de consumir. Enchi a carteira e sai à procura. Pensei em tudo o que tem me faltado ultimamente, lembrei que sentia falta de sorrisos. Ai, bem na minha frente, uma lojinha de rua estava em liquidação. SALE! SALE! SALE! Entrei toda contente, e na primeira prateleira já me deparei com sorrisos. Tinham de alegrias, tristezas, sorrisos/gargalhadas, enfim... Todas as formas de sorrir. Levei vários, enchi a sacola. Virei à outra esquina e mais SALE! SALE! SALE! Pensei em que mais eu estava precisando. Abraços! Sentia falta de abraços... Comprei várias formas de abraçar. Fiquei feliz. Mais adiante um menino de rua pedia esmolas. Moça! Eu sinto sede de água, mas principalmente sede de carinho. Olhei as minhas sacolas e as estendi. Pegue! Leve a minha água e meus sorrisos com muitos abraços. Seja feliz! Quando virei à esquina me senti completa. Completamente preenchida por doar o mais importante e o mais simples, que por menor e mais barato que pareça, é o mais rico remédio para a grande felicidade.

(.)

16 setembro 2012

Poetar


A inspiração falou alto durante o dia. Seu compromisso era com a poesia. Com a arte de criar imagens, de sugerir emoções. Queria ser tocada, sensibilizada. A poetisa era movida a emoções. O dia sugeriu um encontro com sua arte mais íntima, tocou cada objeto, cada ser. A vida ganhou tons suaves e peculiares. O olhar atento fotografou os detalhes, as formas e o movimento. Tudo calmo como deveria ser. Era um dia propício para captar segredos e mistérios. As palavras dançavam ritmadas e envolviam a existência. Era fácil o encontro, as palavras se reuniam na tentativa de exprimir o sentir. Uma sintonia perfeita. Ela não fazia esforços para conseguir expressar e as palavras não corriam soltas  pelas suas mãos. Tudo estava como deveria ser. A poetisa acalmou o peito e sorriu feliz por mais um dia de grandes inspirações.

(.)

Fim.


Uma dose de licor para queimar a garganta e esconder verdades que ele queria dizer. Socava a parede e sentia dor até sangra para não dar na cara dela. Ele mudou. Mudou com o tempo, os dias, a rotina. Sentiu-se incapaz de ser o que um dia havia sido. Era jovem. Jovem demais para saber que o casamento acaba com o amor. Conviver ele não conseguiu. Não conseguiu conviver com ela. Ela possuía sua liberdade e não abria mão de ser livre. Ela que sempre fora menina doce, perdera sua doçura com palavras azedas. Tinha ódio de dizer e odiava sujar a boca com palavras imundas. Mas ele era arrogante demais. Esquecera as palavras bem ditas. Ele cansou de ler seus versos, achou aquilo perda de tempo demais. Eles não sabiam mais o que era conversar. Sentavam-se cada um de um lado. O sofá que antes era grande para acomodar os corpos entrelaçados, tornou-se pequeno na tentativa de criar barreiras para evitar qualquer contato. Tudo se perdeu. Os sorrisos pela chegada, os pequenos gestos, o coração acelerado, a respiração ofegante. Tudo não passava de bobagens. Ela, um dia, abriu a porta e não voltou mais.

(.)

Como deve ser


E desde então nenhum dia escapou da lembrança daquele fim. Sua sede era tanta, era sede de poesia. Mas agora não sabia o que fazer com tantas palavras rabiscadas em velhos cadernos. Deixou-se transparecer demais e revelou seus mistérios. Agora sofria por ver desconhecidos invadirem seu sossego. Seus segredos eram notícias. Tapava os ouvidos na tentativa de abafar os sons, não queria ouvir os dizeres, ditos em bocas sujas de vulgaridade. Estava indefesa. Temia quem se aproximava. Seu conforto era uma velha casa empoeirada, herança da família. E seu divertimento era ver as gotas de água que escorriam pelos velhos papéis que abrigavam seus versos. Borrava o passado, mas não o apagava. Chora, mas permanece. Desenvolve no silêncio e no escuro, onde a referência é só palavra. Suas palavras unidas que formam sua essência. E mesmo sem a vontade de escrever, seus movimentos são poetizados. Nada em vão. Apenas leve, como deve ser.

(.) 

15 setembro 2012

In. Love

Ultimamente tenho tido preguiça de me apaixonar,
Olhar o outro se tornou normal quando não há expectativas
 A agitação dos dias tem bloqueado os sonhos, e são neles que eu te vejo,
Você ainda é fantasia.
Minha criação imperfeita, pois há você atribui defeitos,
Defeitos estes que valaerão a pena corrigir, tô afim de te ensinar e aprender.
Vou deixar essa preguiça de lado e começar olhar a minha volta,
Quem sabe você não sumiu dos meus sonhos para aparecer na minha realidade?

(.)
In love

05 setembro 2012

Dias Felizes


Com o riso frouxo e a gargalhada no canto da boca. Gargalhava alto e seu escândalo transmitia felicidade. Era uma nova fase para a acomodação bater asas e trazer a agitação nos dias. Amadurecera com o passado tão presente e fizera nascer uma nova esperança. Cuidar de si, ela queria cuidar mais de si. Aproveitar as deixas que a vida começara a mostrar abrindo portas, novas portas que ela, talvez por medo, não quis abrir. Agora ela era mais forte, sentia seu coração bater no mundo e sua presença ganhar forma. Não precisava mais inventar alguém que ela gostaria de ser, o que ela se transformara bastava. A dualidade em que ela vivia com ela mesma somava-se a liberdade, e sua prisão dentro de si fora libertada. A risada leve era de alívio. Alívio, enfim, de se permitir deixar ser... Suspiros!

(.)

27 agosto 2012

Bossa minha


Depois de um banho a saudade do que foi deixado para trás. Vontade de guardar a água que escorria e lavava o suor do dia. Bons tempos de menina descobrindo a vida. Sem medo de nada, com a vida toda planejada. Menina sonha. E os sonhos muitas vezes mofam na memória. Aonde será que me perdi deles? Essa vida tão agitada não abre espaço para sonhar. Falo de sonhar acordada. Tem coisa melhor? Sonhar com o que temos vontade, distante ou não, sonhar por sonhar. Custa nada.Eu sonho. Talvez eu sonhe em ser aquilo que escrevo. Aquilo que sai de mim e se desenha no papel. Mas certeza eu tenho que escrever é terapia. Ler aquilo que se escreve é o melhor remédio. Eu já encontrei a melhor forma de fazer análise. Tô numa bossa tão minha. Quero saber de ninguém do meu lado. Ultimamente tenho me completado bastante. E quando a falta e a carência batem na porta, elas trazem chocolate. Posso até estar sendo egoísta. Mas egoísmo por mim mesma não faz mal. Tô só feliz comigo. Fase boa para produzir, focar, planejar e fazer acontecer. E aqueles sonhos de menina ainda não deixei para trás. Tirei só o mofo e dei uma olhadinha pra não esquecer. Agora vivo outros, mais consistentes, fantasiar não tem problema, mas viver na fantasia é preocupante. E quando eu era menina eu vivia numa fantasia só minha. Criei um mundinho especialmente meu. Com o passar dos anos e a maturidade tive que abrir mão de cuidar de lá e cá ao mesmo tempo. Tranquei o mundo de lá, e resolvi ficar só aqui. Mas que falta eu tenho, e confesso que às vezes meu refúgio se torna lá. É, eu dou minhas escapadinhas. Fecho os olhos. Deito no chão. Quando acordo estou sozinha. Pequena e vulnerável diante da imensidão que antes me tomara. Estou leve. Entrei nos meus sonhos de menina e resgatei você. Quem eu sempre esperei chegar com sua bolsa de poesias e seu caderno de piadas pra gente se ocupar ao longo da madrugada. Você que sempre chegou acompanhado de violetas. Deixar escapar esses sonhos não deve ser o mais sensato. Faço um afago leve,enquanto você sorri da minha falta de jeito.
(.)

05 agosto 2012

Relações líquidas


Arrumar o cabelo, escolher a roupa especial. Vestido? Saia? Calça? O sapato... Scarpin? Peep toes? Sapatilha? A make mais suave com tons puxados para o marrom? Ou o olho Black, marcado sem fim? O batom virou moda. Mas o vermelho combina com essa roupa? E a bolsa precisa combinar com o sapato?  Perguntas sem fim, mas que fazem parte de algumas horas antes da balada. Mulheres querem sempre estar bonitas, com a melhor roupa, o cabelo mais brilhoso, o sapato ideal, a maquiagem perfeita. A noite possui concorrência e você acaba precisando fazer parte do padrão de beleza, com a roupa da moda. A caça estimula os olhares e você precisa estar em sintonia com o ambiente. Chamar a atenção, às vezes não é fácil, e por isso requer competência. Dançar mexendo suavemente nos cabelos, olhar distraidamente. Quando você observa as pessoas a sua volta percebe o jogo que acontece nas baladas. Os homens não cansam de inventar cantadas e de mentir descaradamente, quantas para eles não “eram as mais bonitas da noite”? ou, para quantas eles não falaram ... Estou apaixonado por você? E mesmo com tantos jogos, tantas trocas de olhares e elogios sem fim, a noite é vazia. Nunca houve tanta liberdade na escolhas de parceiros. A concentração no movimento da busca perde o foco do objeto desejado. Daí a popularidade dos pontos de encontros. As pessoas saem para evitar o tédio e o conflito da vida em comum podem se tornar opções que se configuram como uma saída que promete uma relação com um nível de comprometimento mais fácil de ser rompido. Duram muitas vezes apenas uma noite. Sem direito de trocar telefones e muitas vezes sem mencionar nomes. É como procurar um abrigo sem vontade de ocupá-lo por inteiro.Afinal, por que os corpos, os encontros , as conversas e os amores escorrem pelos dedos e se esvaem sem retorno como água? As relações se tornaram líquidas e passam rapidamente sem que sintamos o seu gosto. O ter prevalece ao sentir, e a solidão se torna um sentimento quase comum num mundo onde a comunicação é tão fácil (virtualmente) e tão difícil (realidade).

(.)

12 julho 2012

Sossego


Luz baixa, redes e chá.
A sala estava aconchegante pelo vazio e pela pouca luz que se podia ver
A energia dominava e preenchia; o ar tinha gosto de erva doce, camomila, canela...
Era simples, leve, suave. Podia tocar, sentir e provar.
Foi uma tarde silenciosa do caos da cidade, do falatório das ruas. O olhar repousou de tanta informação dos dias.
Desejei estar ali mais um pouco, por mais algumas horas. Mas a realidade sempre te puxa para perto, e avisa que o sossego não deve durar por muito tempo.
Quando se sossega demais fica difícil de retomar a agitação, a rotina clichê.Pena! Que pena o mundo estar tão tumultuado.
Tumultuado de gente, de informação, de prédios, carros, fumaça, poluição. Dói. É difícil encontrar aonde sossegar e como silenciar.
E silenciar é preciso.
Às vezes é preciso silêncio. Por favor?Obrigado!

(.)

16 junho 2012

suspiros


Se eu pudesse guardar numa caixinha, eu guardaria as emoções vividas. Sabe aqueles momentos especiais em que vivemos emoções intensas? Eu guardaria cada um. As emoções vividas nunca são as mesmas. Apaixonar-se uma, duas, três... E tantas vezes nunca é igual. Por mais que o sentimento seja o mesmo “o de estar apaixonado”, o do frio na barriga, as borboletas no estômago, sempre existe alguma diferença... Conhecemos através de cada experiência uma nova emoção, um novo sentimento que estava guardado doidinho para nascer. Ah as emoções! Eu experimento tantas quando escrevo. Se eu pudesse eu guardaria todas dentro da minha caixinha pra reviver sempre que a saudade apertasse.

(.)

12 junho 2012

Pseudônimo


Alice apareceu de novo.
Dessa vez Alice estava bêbada, embriagada de tanta dor.
Ferida dos pés a cabeça, Alice gritava.
Queria libertar as angustias que possuía.
Alice andava roubando minhas noites
Entrava em meus sonhos tornando-os pesadelos.
Alice era eu enquanto eu dormia
A sua dor virou a minha;
As suas angustias viraram as minhas
Eu gritava.
Alice me roubou de mim.

(.)

22 maio 2012

Alice


Alice veio até aqui confrontar o silêncio escondido em baixo das cobertas.
Puxou o cobertor na tentativa de libertar o corpo, ainda adormecido, envolvido por uma preguiça constante.
Olhou fixamente como quem quisesse entender... Conhecer.
Sentiu um aperto no peito ao perceber que era humana demais e, portanto impotente para controlar a sublimação que envolvia a alma.
Alice quis libertar a dor colhendo as lágrimas de tristeza, abraçou.
Abraçou-me na tentativa de sugar os males provocados pelo mundo em feridas expostas na pele.
Desejou ser eu. Quis entrar em mim.
Alice era eu?
Alice vive em mim?

(.)

20 maio 2012

Obra de Arte


A artista que virou sua própria obra esquecera-se de si
Borrou os olhos de sangue com lentes de contato
Bagunçou o cabelo até tornar-se desgrenhado
Vagou.
Deixou de lado tudo aquilo construído
Quis ser a arte
Intocável.
Distante de todos que só podiam apreciar.
As obras de artes são feitas para serem apenas apreciadas
O toque tira a sua riqueza e divindade.
A artista nasceu de sua arte
E hoje descobriu que sair dela mesma é NASCER (de novo) numa nova obra.

(.)

19 maio 2012

Psiu


Psiu...


É hora de dormir!


Psiu...


Apague as luzes!


Psiu...


Sonhe comigo!


Psiu...


Te amo!

(.)

09 maio 2012

sede


Hoje foi dia de alimentar a alma
Convidei-me a passear.
Preciso tanto desses momentos íntimos
Preciso tanto de mim e dessa voz que fala quando só tenho a minha companhia.
Andei por tantas ruas
Visitei tantos lugares. Fui além
Parei numa feirinha oriental, presenteie-me.
Adoro bijus e objetos orientais.
Vaguei sem pensar
Andei pelos caminhos que conheço pela intuição
Não tive medo da escuridão e nem dos becos que passei
Deixei meus pensamentos como borrões em cada esquina
Fiz-me presente na própria ausência que eu senti.
E por um momento o silêncio tomou conta das esquinas
Ouvi apenas a minha voz que parecia falar alto,
E no final da minha caminhada senti sede
Pensei na sede que tenho sentido ultimamente
Na vontade de ser mais.
Olhei a minha volta e vi um mendigo
Ele parecia tão seguro de si
E ao mesmo tempo a minha escuridão foi tomada pelas luzes de um bar
O meu silêncio havia sido quebrado pelas vozes alheias
Mas a minha atenção fixou-se ao mendigo, ao silêncio que ele possuía,
E entendi que por mais que a minha sede fosse grande,
Era sede de água.

(.)